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Política

Styvenson tem posicionamento mais coerente que Rogério Marinho, avalia cientista político

AGORA RN conversou com cientistas políticos sobre o ranking de alinhamento no Senado Federal
Redação
14/06/2024 | 08:37

O ranking de alinhamento no Senado Federal divulgado pelo portal Congresso em Foco avaliou senadores que votaram a favor de projetos do presidente Lula (PT) ou se mantiveram em oposição. No Rio Grande do Norte, o senador Rogério Marinho (PL) nunca votou em nenhum projeto com o governo do PT. As maiores taxas de governismo entre os três senadores é de Zenaide Maia (PSD), com 95,5%. Por sua vez, o senador Styvenson Valentim (Podemos) votou 31,6% ao lado de Lula.

Ao AGORA RN, os cientistas políticos Antônio Spinelly e Bruno Oliveira avaliaram a coerência nos alinhamentos. Bruno Oliveira pontua que Styvenson consegue ser mais coerente que Marinho – que, na visão dele, apenas vota contrário por ser oposição, e não por analisar com afinco as propostas do governo.

Plenário do Senado
Senadores Rogério Marinho (esq.) e Styvenson Valentim no plenário do Senado - Foto: Reprodução

Em relação à posição de Zenaide Maia, ambos os analistas afirmaram que não existe surpresa, visto que a senadora é aliada do PT e faz parte da base do governo. “Quanto à senadora Zenaide Maia, é aliada de longa data do PT. No Rio Grande do Norte, é aliada da governadora petista Fátima Bezerra. Portanto, nenhuma surpresa que vote majoritariamente as pautas do governo Lula”, completou Spinelly.

Assim como não é surpresa que Rogério Marinho se mantenha como oposição ao PT. “O senador Rogério ocupa exatamente outro polo, inclusive como líder da oposição, então vejo com naturalidade que ele tenha se colocado 100% contra os projetos do governo. Apesar de que acho que esse tipo de posição não é uma posição, é como se ele não estivesse atento aos projetos de interesse do País. Ele está atento apenas aos interesses políticos de votar contra e de prejudicar o governo”, comentou Bruno Oliveira.

Spinelli reforçou a mesma ideia, lembrando que o senador era aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo liderado no Congresso votações históricas que batiam de frente com a agenda do PT.

A questão mais interessante do ranking é o posicionamento do senador Styvenson Valentim. De acordo com os cientistas, vale ressaltar que o Podemos, classificado geralmente como de centro-direita, tem uma relação ambígua com o governo Lula. Não há uma posição fechada, o que possibilita que um parlamentar como Styvenson também adote um comportamento ambíguo nas votações.

“Dessa forma, Styvenson tem um pé no lado governista, do governo do PT, e outro pé no lado da oposição bolsonarista. É comportamento típico de um político que se movimenta ao sabor dos ventos, escolhendo as oportunidades que podem aumentar seu capital político. Coerência ideológica? Zero. É estranho, mas não difere muito do comportamento padrão da maioria dos políticos brasileiros”, afirmou Spinelly.

Spinelly continuou explicando que o Podemos se apresenta como continuidade do Partido Trabalhista Nacional (PTN), criado em 1945. “Aparentemente de esquerda, o PTN, naquele período, já tinha comportamento ambíguo, apoiando políticos que se situavam muitas vezes em campos opostos do espectro político-ideológico. O Podemos abriga políticos que fazem oposição cerrada ao governo Lula, e outros que de alguma forma apoiam o governo. O comportamento de Styvenson é coerente com esse DNA”, disse.

O cientista político Bruno Oliveira reforçou que o senador Styvenson ocupa uma posição na mesa do Senado, ao lado do presidente Rodrigo Pacheco, que tem uma liderança relevante na Casa. Porém, o especialista reforça que não é possível dizer que o senador é da base do governo em Brasília.

“Ele tem uma posição notadamente crítica, ele vem de um período para cá, depois da eleição estadual, tentando se posicionar mais à direita em várias situações, tanto politicamente aqui no estado como em Brasília, compondo, digamos, um bloco de oposição no Senado. Porém ele, de fato, tem alguns projetos que eu acredito que, principalmente pela articulação de Rodrigo Pacheco, acaba votando com o governo federal”, reforçou.

Para Bruno, a posição de Styvenson é de oposição, mas com mais independência. O cientista ainda acredita que o posicionamento de Styvenson é mais coerente do que o de Rogério Marinho, que vota 100% contra os projetos.

“Quer dizer que não tem nenhum projeto desse governo que seja factível, que seja importante para o País? Então, muitas vezes, o posicionamento é mais para realmente prejudicar ou para marcar uma posição contrária mesmo. A gente já viu também que o Senado e o Congresso em geral, eles têm uma base oposicionista e mais radical, muito forte, a partir das eleições de 2022, e Rogério tenta surfar nesse espaço como uma liderança”, finalizou Bruno Oliveira.

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