Lar de obras de artistas potiguares de todas as partes do Rio Grande do Norte, a Pinacoteca do Estado está em constante celebração da arte e, mais uma vez, guarda dentro de si uma série de exposições que prometem levar o público em uma viagem pela imaginação colorida dos artistas.
A exposição “Bordados do Seridó – Arte da Mulher Potiguar” é uma delas. Conduzida pelo fotógrafo potiguar, Andrey Salvador, traz ao público uma experiência que mergulha na riqueza cultural e na habilidade artística das mulheres seridoenses. São 30 fotografias e mais três instalações que proporcionam a quem observa uma entrada no mundo das bordadeiras, que utilizam as máquinas de costura como armas para enfrentar o dia a dia.

Contornadas pela poesia, algumas das imagens foram adornadas com bordados de linha pela artista Lucimara Alves, o que adicionou um toque delicado a cada obra exposta, que destaca não só a beleza do bordado, mas também reinventa a história emocional por trás da arte transmitida de geração em geração pelas mulheres bordadeiras potiguares.
De mãe para filha ou de vó para neta. É assim que a tradição dos bordados tem sido repassada durante tantos anos na região potiguar, que guarda as histórias reproduzidas pelas mãos das bordadeiras em desenhos de linha.
O Seridó do Rio Grande do Norte se consagra como um epicentro de talento e tradição no universo do bordado, prática que ganha crescente reconhecimento por todos os cantos do mundo. Com o objetivo de destacar e valorizar o trabalho dessas mulheres, foi que nasceu o projeto, que através da exposição celebra artisticamente o artesanato e a criatividade da região seridoense.
Andrey Salvador, que conduziu toda a exposição, tem também se destacado pela versatilidade e inovação que tomam conta de suas expressões artísticas. Com 14 anos de carreira, influencia significativamente a cultura potiguar por meio de contribuições para o cenário artístico.
Micro-histórias do Acervo: Traços da Arte de Fernando Gurgel é também uma das exposições presentes na Pinacoteca do estado. Para celebrar e preservar as memórias e a criatividade do artista, o equipamento guarda uma diversidade de formas e figuras que remontam parte da história da arte potiguar e brasileira vivenciadas por Fernando Gurgel.
50 anos de história na arte relembram o caminho do artista que começou a conhecer o universo da arte ainda na infância, com estímulos da família e, principalmente, do pai Deífilo Gurgel, que era poeta e folclorista. Com isso, ele explorava a estética da arte popular em suas telas.
Hoje, seu conhecimento de arte tem sido compartilhado de geração para geração e sua trajetória demonstra as transformações de estilos artísticos e modelos estéticos distintos. Foi assim que Fernando Gurgel desenvolveu traços únicos para si e que conectam suas obras com o uso de formas geométricas, imagens abstratas, cores densas e temáticas que se interligam com o urbano.
Entre o passado e o presente, a exposição proporciona um passeio pela vivência artística de Fernando Gurgel e apresenta os fragmentos do que foi antigo na contemporaneidade e mistura elementos da história com contextos paralelos e entrelaçados, mas que prometem tocar o espectador.
Lago faz parte das exposições guardadas pela Pinacoteca do RN. Apresentada por Arthur Carvalho, ela representa um desdobramento de pesquisas anteriores e leituras decoloniais por meio de imagens com pouca nitidez, característica intencional para mostrar o contexto contemporâneo, caracterizado pela insegurança, da formação da identidade mediada pela difusão em larga escala dos aparelhos fotográficos nos telefones celulares.
De acordo com o artista, a cidade pode ser comparada a um lago, pois, assim como um lago que reflete na água, a cidade seria um espelho que mostra o presente amparado no passado. “Sendo um lago, a cidade figurou no processo criativo das obras a serem expostas como um espelho em que se vê o outro. Em um olhar sensivelmente atento, cuja consequência direta é o encontro com pessoas, com imagens e artefatos da cidade”, reflete.
A obra “Filtro” faz parte da exposição e se trata de uma simulação de um lago, que deseja expor a imediatidade do que se é, aparentar e desejar ser: um retrato para o que se entende por si mesmo. “Sabe-se que a autoimagem não é a totalidade da percepção de si mesmo, mas que é parte fundamental para compreensão de como o sujeito se sente, se vê ou como acha que é”, diz Sanzia.
Uma instalação exibe, no segundo núcleo, o registro de uma intervenção urbana realizada pelo artista em 10 de outubro de 2023, na capital potiguar. Ela envolve questões de decolonialidade e racismo na literatura do Brasil, além de questões do urbano presente na vida cotidiana da população, o macro coletivo de habitantes de uma cidade, fluxos de ações e de acumulação histórica.
A Pinacoteca
O prédio de arquitetura neoclássica foi reaberto em dezembro de 2021, totalmente restaurado e com melhorias implantadas, como elevadores e rampas de acessibilidade, além de uma moderna estrutura para eventos. Localizado na Praça Sete de Setembro, na Cidade Alta, em Natal, o prédio de 150 anos reúne a mais relevante produção potiguar de artes plásticas em acervo próprio do Governo do Estado composto por 580 obras.
A Pinacoteca traça uma panorâmica da pintura no Rio Grande do Norte com nomes como Thomé, Newton Navarro, Tarsila do Amaral e Dorian Gray, incluindo exemplares de Alfredo Volpi, Cícero Dias, Fayga Ostrower, Maria do Santíssimo, Moura Rabello e Hostílio Dantas. A escultura do Budha de Laos, feita no século XII em chumbo e banhada a ouro, é uma das peças mais célebres do acervo.
O prédio é considerado a edificação com a maior expressão da arquitetura neoclássica em Natal. Construído entre 1866 e 1873, abrigou a Assembleia Legislativa e a Tesouraria Provincial. O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).