A solicitação de investigação de um contrato suspeito da Petrobras e o afastamento cautelar de diretores da estatal, com o objetivo de evitar um prejuízo estimado em R$ 500 milhões, feita pelo senador Rogério Marinho (PL), pode ter sido um passo dado em direção às eleições de 2026.
Um dos alvos dos pedidos, encaminhados à Procuradoria- -Geral da República (PGR), Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) e Tribunal de Contas da União (TCU), é o diretor-presidente da Petrobras, o ex-senador Jean Paul Prates (PT), que pode vir a concorrer ao governo do Rio Grande do Norte em 2026. Ou seja, um eventual concorrente do senador, que já manifestou publicamente seu desejo em ser governador do Estado.

“Encaminhei à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e à PGR pedido de investigação de possíveis ilícitos em operações atípicas com ações da Petrobras, por suspeita de manipulação de mercado e uso indevido de informações. Essas movimentações, que podem beneficiar poucos em detrimento da estatal e acionistas, reforçam a continuidade de uma gestão no mínimo irresponsável, característica dos governos do PT”, afirmou Marinho.
Segundo ele, é essencial garantir não apenas a responsabilização e transparência na gestão da Petrobras, mas também manter vigilância constante sobre as estatais, ressaltando a integridade e boa governança em instituições públicas. “Encaminhei pedido de investigação e afastamento cautelar de diretores da Petrobras por suspeita de gestão danosa e desleal, que pode levar a um prejuízo de R$ 500 milhões. A gestão temerária sobre a maior estatal brasileira é uma marca das gestões petistas anteriores. Déjà vu”, afirmou, em postagem nas redes sociais.
No documento encaminhado ao TCU, o senador questiona a legalidade de um contrato específico de industrialização por encomenda (tolling) entre a Petrobras e a Unigelde, que, segundo ele, traria risco de um prejuízo significativo e a potencial violação dos princípios de impessoalidade, moralidade e economicidade. Já nos pedidos enviados à PGR e ao MPF-RJ, Marinho ressaltou necessidade de urgência em investigar as circunstâncias e a conduta dos diretores da Petrobras envolvidos no contrato com a Unigel.
Como argumentos para justificar o fato, o líder da oposição no Senado Federal disse que, “minha iniciativa visa garantir a aplicação das leis, a integridade da investigação e proteger a maior empresa estatal do país contra decisões que possam comprometer sua estabilidade financeira e reputação, a fim de prevenir potenciais prejuízos adicionais à empresa e ao erário”.
Na semana passada, os diretores William França e Sérgio Caetano tiveram seus aparelhos celulares confiscados pela auditoria interna da Petrobras, para investigação. Entre as suspeitas, estão incluídas as assinaturas de um contrato de grande valor com a Unigel, a principal produtora de acrílicos e estirênicos da América Latina, devido a possíveis irregularidades, conforme divulgado pelo Metrópoles.
O contrato, firmado em dezembro de 2023, totaliza R$ 759 milhões e coloca a Petrobras em risco de sofrer um prejuízo de R$ 487 milhões. Ele abrange a industrialização, armazenamento, expedição, faturamento e pós- -venda de ureia e amônia pelas fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em Sergipe e na Bahia, que estão “alugadas” ao grupo Unigel desde 2019.
Ainda segundo o Metrópoles, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação sobre o contrato, levantando a possibilidade de participação dos diretores para aprová-lo entre as empresas. Como resultado, a auditoria interna da Petrobras também está examinando o documento. A coluna de Lauro Jardim, no O Globo, traz essas informações. Além disso, uma auditoria conduzida pela KPMG recomendou o afastamento dos dois diretores durante o período de investigação.