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Política

Rogério quer afastar diretoria da Petrobras por suspeita de prejuízo de R$ 500 milhões

Um dos alvos dos pedidos do senador é Jean Paul Prates, presidente da estatal e possível concorrente de Rogério ao governo do Estado em 2026
Redação
09/03/2024 | 10:29

A solicitação de investigação de um contrato suspeito da Petrobras e o afastamento cautelar de diretores da estatal, com o objetivo de evitar um prejuízo estimado em R$ 500 milhões, feita pelo senador Rogério Marinho (PL), pode ter sido um passo dado em direção às eleições de 2026.

Um dos alvos dos pedidos, encaminhados à Procuradoria- -Geral da República (PGR), Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) e Tribunal de Contas da União (TCU), é o diretor-presidente da Petrobras, o ex-senador Jean Paul Prates (PT), que pode vir a concorrer ao governo do Rio Grande do Norte em 2026. Ou seja, um eventual concorrente do senador, que já manifestou publicamente seu desejo em ser governador do Estado.

Rogério quer afastar diretoria da Petrobras por suspeita de prejuízo de R$ 500 milhões - Foto: José Aldenir/Agora RN.
Rogério quer afastar diretoria da Petrobras por suspeita de prejuízo de R$ 500 milhões - Foto: José Aldenir/Agora RN.

“Encaminhei à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e à PGR pedido de investigação de possíveis ilícitos em operações atípicas com ações da Petrobras, por suspeita de manipulação de mercado e uso indevido de informações. Essas movimentações, que podem beneficiar poucos em detrimento da estatal e acionistas, reforçam a continuidade de uma gestão no mínimo irresponsável, característica dos governos do PT”, afirmou Marinho.

Segundo ele, é essencial garantir não apenas a responsabilização e transparência na gestão da Petrobras, mas também manter vigilância constante sobre as estatais, ressaltando a integridade e boa governança em instituições públicas. “Encaminhei pedido de investigação e afastamento cautelar de diretores da Petrobras por suspeita de gestão danosa e desleal, que pode levar a um prejuízo de R$ 500 milhões. A gestão temerária sobre a maior estatal brasileira é uma marca das gestões petistas anteriores. Déjà vu”, afirmou, em postagem nas redes sociais.

No documento encaminhado ao TCU, o senador questiona a legalidade de um contrato específico de industrialização por encomenda (tolling) entre a Petrobras e a Unigelde, que, segundo ele, traria risco de um prejuízo significativo e a potencial violação dos princípios de impessoalidade, moralidade e economicidade. Já nos pedidos enviados à PGR e ao MPF-RJ, Marinho ressaltou necessidade de urgência em investigar as circunstâncias e a conduta dos diretores da Petrobras envolvidos no contrato com a Unigel.

Como argumentos para justificar o fato, o líder da oposição no Senado Federal disse que, “minha iniciativa visa garantir a aplicação das leis, a integridade da investigação e proteger a maior empresa estatal do país contra decisões que possam comprometer sua estabilidade financeira e reputação, a fim de prevenir potenciais prejuízos adicionais à empresa e ao erário”.

Na semana passada, os diretores William França e Sérgio Caetano tiveram seus aparelhos celulares confiscados pela auditoria interna da Petrobras, para investigação. Entre as suspeitas, estão incluídas as assinaturas de um contrato de grande valor com a Unigel, a principal produtora de acrílicos e estirênicos da América Latina, devido a possíveis irregularidades, conforme divulgado pelo Metrópoles.

O contrato, firmado em dezembro de 2023, totaliza R$ 759 milhões e coloca a Petrobras em risco de sofrer um prejuízo de R$ 487 milhões. Ele abrange a industrialização, armazenamento, expedição, faturamento e pós- -venda de ureia e amônia pelas fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em Sergipe e na Bahia, que estão “alugadas” ao grupo Unigel desde 2019.

Ainda segundo o Metrópoles, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação sobre o contrato, levantando a possibilidade de participação dos diretores para aprová-lo entre as empresas. Como resultado, a auditoria interna da Petrobras também está examinando o documento. A coluna de Lauro Jardim, no O Globo, traz essas informações. Além disso, uma auditoria conduzida pela KPMG recomendou o afastamento dos dois diretores durante o período de investigação.