A política tem de existir porque é através dela que os problemas da sociedade são resolvidos. E em tudo há política. Em casa, no trabalho, na escola… Em todo canto há atitudes políticas. As instituições sempre estão agindo com uma dosagem de política. Às vezes a política serve para encaminhar e resolver problemas da sociedade, mas às vezes é o contrário: ela também pode ser responsável pela agudização de determinadas questões.
Vejamos o caso do Rio de Janeiro.

Na última segunda-feira, 35 ônibus e até 1 trem foram incendiados como resposta de uma milícia a uma ação policial que terminou na morte de Matheus da Silva Rezende, de 34 anos. Conhecido como Faustão ou Teteu, Matheus era considerado o número 2 da maior milícia do Rio. Ele foi o 3º membro da família a morrer em confrontos com a polícia do Rio.
O caso mostra como o Estado brasileiro perdeu a guerra para a milícia e para o tráfico de drogas.
E tem algo claro, mas que não é dito por conta da tal política: não é o Estado que é culpado pela explosão do tráfico ou da milíci a. Sabe quem é o culpado diretamente pelo aumento da força do tráfico de drogas e, portanto, do aumento da violência no País de pé a ponta? É quem compra a droga, é quem financia o tráfico.
O dinheiro da milícia ou do tráfico não vem de fora. Pode até haver mecanismos pelos quais o tráfico ganha dinheiro usando o Brasil como um corredor para transporte de drogas. Mas aqui dentro é o foco principal.
E sabe quem banca tudo isso? A classe média, a classe média alta e os ricos. São eles que compram a cocaína. O pobre não compra cocaína. No máximo, compra crack, e isso não geraria essa força que existe no comando do tráfico e que levou para cada estado do País, com mais ou menos poder, as facções criminosas.
É um círculo vicioso: a classe média alta, que pode consumir a cocaína e outras drogas mais caras, compram a droga e, com esse dinheiro, financia o poder do tráfico. No dia seguinte, ela é vítima da violência e culpa o Estado.
É preciso rachar essa conta.
*por Alexandre Macedo, que é publicitário.