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Esportes

Maior de todos os tempos, Pelé é o único a conquistar três Copas do Mundo

Marca ainda não foi alcançada por nenhum outro atleta; esta é a segunda reportagem da série do jornal AGORA RN que faz homenagem ao Rei do Futebol
Douglas Lemos
12/01/2023 | 00:01

Aos 10 anos Pelé viu o pai, Seu Dondinho, chorando após o “Maracanazo”, episódio em que o Brasil foi derrotado pelo Uruguai em pleno Maracanã e perdeu o sonho de conquistar o Mundial em casa. Prometeu ao pai que ganharia uma Copa para ele. A trajetória, no entanto, começou com a saída dele de Bauru, no interior de São Paulo, para jogar no Santos. A partir dali, surgiria o Rei do Futebol, que ganharia três Copas do Mundo.

A tarefa inicial foi a de convencer Dona Celeste que deixar o jovem Edson, que tinha 15 anos, ir a Santos seria o certo a se fazer. Antes, o Bangu, do Rio de Janeiro, já tinha tentado. Mas o medo de uma cidade como o Rio de Janeiro fez a mãe do garoto frear o sonho. Seu Dondinho e Waldemar de Brito, que foi técnico de Pelé, conseguiram a difícil tarefa de vencer a resistência da mãe de Pelé. E em julho de 1956 ele chegou ao Santos. Poucos dias depois já treinava com atletas do elenco principal.

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Pelé comemora abraçado a Jairzinho, durante Copa do Mundo de 1970: terceira conquista e última participação - Foto: Divulgação/ FIFA

No dia 7 de setembro do mesmo ano, Pelé faria sua estreia pelo Santos: um amistoso contra o Corinthians de Santo André. O peixe venceu por 7 a 1 e o Rei do Futebol marcou um gol. Bastaram apenas 20 minutos para isto. Recebeu cruzamento de Tite, dominou e finalizou. Era o primeiro dos 1.282 gols marcados em toda a carreira.

No ano seguinte, participou de uma excursão da equipe santista pelo sul do País. Foram 10 partidas contra times do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com seis vitórias, dois empates e duas derrotas. 33 gols marcados e 18 sofridos. Edson marcou dois. E quase ficou em Porto Alegre. “Jogamos em Pelotas, Rio Grande e quase que eu fico no Grêmio, quase fui emprestado. Houve uma consulta por alguns jovens e eu era um deles”, contou o Rei em uma entrevista.

Mais um ano se passou e em 1958 viria algo inédito para um garoto de 17 anos: a primeira participação em Copas do Mundo. Na competição, o Brasil venceu a Áustria por 3 a 0 e empatou com a Inglaterra por 0 a 0. Na terceira partida, contra a União Soviética, o técnico Vicente Feola escalou Pelé. A partida era decisiva. O Rei do Futebol não marcou, mas entrou bem. Foi o suficiente para ganhar a posição.

Nas quartas de final, veio o primeiro gol em mundiais, que fez a diferença na vitória por 1 a 0 contra País de Gales. O próximo oponente, na semifinal, foi a França, goleada por 5 a 2 com direito a três gols. Poderia pedir música no Fantástico! Mas o programa só entraria no ar 15 anos depois, em 1973. O maior desafio estava por vir: a final. Era vívida a frustração causada pela derrota em 1950, em casa. Desta vez, para atenuar a situação, o rival era justamente o dono da casa e uma das favoritas ao título, a seleção da Suécia.

Público presente de 49.737 pessoas no Estádio Rasunda, em Estocolmo. O Brasil jogou de azul naquele jogo, uma vez que o uniforme dos donos da casa também tinham a camisa amarela e um sorteio determinou que os donos da casa jogassem com o uniforme principal. Na véspera, um jogo de camisas azuis foram compradas e o escudo da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) bordado neles.

Durante o jogo, os europeus abriram o placar com Liedholm aos quatro minutos do primeiro tempo. Mas Vavá empatou aos nove e virou aos 32. Aos 10 do segundo tempo, Pelé marcou o primeiro dele e aos 23 Zagallo ampliou a goleada. O Brasil vencia o jogo por 4 a 1 mas ainda dava tempo para mais. Aos 35 minutos do segundo tempo, Simonsson diminuiu o placar. No último minuto da etapa complementar, Pelé deixou mais uma marca: 5 a 2.

Primeira Copa do Mundo conquistada. Pelé, aos 17 anos, era um dos protagonistas da campanha brasileira que enfim deixou o fantasma de 1950 para trás. Em 1962, mais um título para o currículo, mas sem a mesma magia que Edson tinha feito quatro anos antes. No Chile, estreou contra o México, fez gol e alimentava uma alta expectativa pela dupla com Garrincha. Mas uma lesão muscular contra a Tchecoslováquia o tirou do restante do campeonato. Mesmo assim, pôde ostentar a medalha de campeão mundial garantida pela seleção que se igualou a Itália e Uruguai, até então duas potências do futebol, com dois mundiais cada.
Em 1966, outra lesão voltou a frustrar o maior atleta do esporte bretão. Jurou não disputar outra Copa. Mas o destino guardava algo especial para aquele menino nascido no interior de Minas Gerais. Mais do que redenção: quatro anos mais tarde, em 1970, no México, conquistaria a garantia de seu nome na eternidade. Era o camisa 10 de uma seleção cheia de craques. Ao lado de Pelé, estavam Tostão, Jairzinho, Rivellino e Gerson.

Na estreia, gol de Pelé na vitória de de 4 a 1 contra a Tchecoslováquia. Em outras partidas da fase eliminatória não marcou, mas distribuiu assistências. Contra o Uruguai, algoz de 1950, um dos lances mais famosos de uma carreira genial. Pelé recebeu lançamento rasteiro, usou o corpo para driblar o goleiro Mazurkiewicz, ficou sozinho contra o gol e finalizou cruzado. A bola raspou a trave oposta mas não entrou. Um exemplo de que era fora de série.

Na final, contra a Itália, marcou o primeiro gol brasileiro e deu assistências para gols de Jairzinho e Carlos Alberto Torres. Vitória por 4 a 1 na última partida oficial de Pelé com a camisa da seleção brasileira. Era o suficiente para se tornar o único jogador da história a vencer três Copas do Mundo. Marca ainda não alcançada por outro atleta.

Antes, um parêntese: em meio aos familiares, o apelido dele era “Dico”. Virou Pelé por uma falta de compreensão. Na equipe em que o pai dele jogava, havia um goleiro chamado Bilé. Com as defesas dele a torcida gritava frases de apoio como “Boa, Bilé” e “Segura, Bilé”. Na rua, quando Edson jogava no gol, fazia elogios a si mesmo: “Boa, Bilé”. Os amigos não entendiam direito e o chamaram de “Pelé”. Não gostou muito. E foi aí que o apelido pegou. E entrou para a eternidade. A ponto de Edson citar Pelé em terceira pessoa. Coisa para poucos. E para sua majestade, era possível. Assim como marcar mais de 1.000 gols durante a carreira. Mas isto é assunto para a próxima reportagem.