O Teatro Alberto Maranhão (TAM) remonta a história potiguar. Localizado no coração da capital, no bairro da Ribeira, o prédio centenário faz parte do circuito cultural que resiste ao tempo e às dificuldades do fazer artístico. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o TAM ficou fechado por seis anos até a reabertura em dezembro de 2021.
Exemplo da arquitetura art nouveau, o prédio conserva linhas e elementos de construções francesas do final do século XIX, e precisou passar por uma longa reforma. De acordo com a Fundação José Augusto (FJA), que administra o espaço, o jardim ganhou novos canteiros de plantas e bancos, as poltronas e cadeiras dos camarotes foram recuperadas.

Além disso, foi feita a renovação das estruturas elétricas e hidráulicas, dos adornos da fachada, implementada acessibilidade (rampas, piso tátil, poltronas largas e elevadores) e a climatização central, assim como a caixa cênica. O total da reforma, segundo o Governo do Estado, foi de R$ 12,9 milhões.
Em março deste ano, Natal teve fortes chuvas que acabaram prejudicando o Teatro – e o lugar ficou fechado por mais um tempo para a realização de reformas que prevenissem alagamentos. Desde a inauguração, os maiores nomes da dança, música e dramaturgia se apresentaram no palco do teatro que sempre foi considerado um dos mais belos do Brasil.
A atriz potiguar Alice Carvalho, que ganhou destaque nacionalmente nos últimos anos, reconhece a relevância do TAM para a cultura local. “O TAM tem uma importância grande em minha vida. Lá, assisti ao primeiro espetáculo que me fez ter o desejo de seguir por esse caminho da atuação. Lembro que eu estava assistindo ‘Dom Casmurro’ com a escola, que tinha essa ponte de levar os estudantes para conhecer. Talvez eu não tivesse conseguido ir ao teatro sem a oportunidade desse acesso democrático”, relembrou.
E continuou: “Tenho nítido na minha cabeça a hora em que a história se transformou em uma mágica e eu fui completamente capturada pelo teatro. Já me apresentei por lá e vivi um dos momentos mais lindos da minha vida com o teatro lotado no meu primeiro espetáculo autoral. Pouco tempo depois, o TAM fechou para reforma. É muito importante e simbólico que esteja aberto novamente para que outras meninas como eu possam sonhar, desde assistir a um espetáculo até fazer um”.
Mais artistas locais no palco do Teatro
Com a reabertura, o TAM tem ofertado apresentações artísticas gratuitas ou com valores baixos, mais acessíveis. Na Constituição Federal de 1988 está presente o seguinte artigo: “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.
O acesso igualitário aos bens culturais existentes é uma forma de corrigir as desigualdades socioculturais e é isso que define o conceito de democratização cultural, que tem como objetivo a maior distribuição tanto da arte, quanto do conhecimento que surge a partir dela.
Para Alice Carvalho, os investimentos devem ser feitos na produção local com o objetivo de promover a ampliação tanto do conteúdo autoral quanto da distribuição dele. “Quero ver mais caras de artistas locais, pautas que sejam mais acessíveis, e artistas independentes que possuem mais dificuldade de ter financiamento”. pontuou.
“Que a gente possa ter cotas de pautas gratuitas, com acesso mais fácil para aqueles que precisam de um lugar para se apresentar, pelas inúmeras diferenças sociais que existem entre nós. Espero ver no TAM mais gente com a cara da gente e que nunca pisou lá. Que as pautas não sejam apenas para artistas de fora. É a hora de ter mais cultura popular no palco do teatro”, finalizou a artista.
Através das redes sociais (@teatroalbertomaranhao.oficial e @culturarn no Instagram), a agenda cultural do TAM é divulgada constantemente. Nesta quarta-feira 14, está prevista a apresentação de Tulipa Negra em homenagem aos 35 anos de carreira do potiguar Sueldo Soaress. Já na quinta-feira 15, a dança tomará o palco com a apresentação do espetáculo “O Corsário”.