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Política

‘Não preciso de bola de cristal’, diz Styvenson, sobre gestões Fátima e Bolsonaro

Congressista faz avaliação contundente das gestões estadual e federal e dos pré-candidatos ao governo e Senado
Adenilson Costa
02/07/2022 | 07:50

Sem papas na língua, o senador Styvenson Valentim (Podemos) tem críticas positivas e negativas (muitas) sobre as gestões da governadora Fátima Bezerra (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL). E projeta um futuro difícil caso os dois sejam reeleitos, em outubro. “Não precisa ser cigano para ler o futuro”, disse, em entrevista exclusiva ao AGORA RN, nesta sexta-feira 1º. Confira abaixo:

AGORA RN – Qual sua avaliação sobre a administração Fátima Bezerra?
STYVENSON – Se for baseado nas pesquisas, que não sou muito fã, mais de 50% reprovam. É uma administração baseada em colocar folha de pagamento em dia, o que não é mais do que uma obrigação. Se tomarmos por referência os governos anteriores, não é o governo de Fátima que é exitoso, e, sim, os anteriores que foram um desastre. Para mim, como cidadão e político, é péssima, uma vez que destinamos cerca de R$ 12 milhões, para reforma, ampliação e equipar o Hospital Tarcísio Maia, dinheiro que já foi liberado, e para a Escola Maria Ilka mais R$ 6 milhões, e não se iniciam as obras por falta de licitação ou má vontade política. Não posso dizer que é uma boa administração. Desafio que ele cumpra as promessas que vem realizando de forma eleitoreira, até o final de 2022.

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Senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) - Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

AGORA RN – Fátima Bezerra errou em que?
STYVENSON – Errou no seu secretariado e na manutenção deles, em manter velhas práticas políticas, em fazer essas alianças, em querer fazer o vale-tudo para se manter no poder. E erra, cada vez mais, quando engana a população, mente descaradamente dizendo que os serviços públicos estão funcionando perfeitamente bem. Ela erra em mentir nas suas propagandas falaciosas, em busca de votos.

AGORA RN – Em que áreas Fátima acertou?
STYVENSON – Corrigir as falhas da gestão anterior, como folha de pagamento, é o trivial para qualquer administração. Acerta muito nas propagandas de governo, quando mostra serviços públicos funcionando, mas, na realidade, é isso mesmo que a população vê, longe da televisão? Acertou omitir informações que deveriam ser expostas no portal transparência que é obscura? Acerta em, no final do governo, assinar diversas ordens de serviço para construir escolas, asfaltar as RN, realizar 18 mil cirurgias eletivas, etc… Mas acertou muito ao reduzir o ICMS para 18% mesmo entrando no STF para não cumprir.

AGORA RN – O senhor desaprova a gestão atual, mas o que faria de diferente se fosse o governador?
STYVENSON – A professora Fátima nunca teve experiência administrativa, pois passeava pelo legislativo. Gestor precisa decidir entre realização para a população ou manter os mecanismos políticos de manutenção de cargos e poder. O que seria ou faria diferente: o que já fiz até aqui na vida pública, servir somente ao povo e não a apoiadores ou partidários.

AGORA RN – Em sua visão, por que o RN não é mais avançado, economicamente?
STYVENSON – Administração arcaica, baixo uso tecnológico na administração, falta de controle nos contratos e serviços prestados, insistência de gastos públicos em inutilidades inefetivas, ainda falta de transparência e desvios. Além de afugentar investidores por falta de investimento ou interesse deles aqui no RN.
AGORA RN – Fátima lidera nas pesquisas. Qual será o destino do RN com a reeleição da governadora?
STYVENSON – Não preciso nem de uma bola de cristal para responder essa, nem ser vidente. Nosso destino, toda a população já sabe, exceto aqueles que fazem uso ou se beneficiam do que um executivo dá aos seus apoiadores ou inimigos que agora viram aliados. Talvez, para eles, o futuro seja bom.

AGORA RN – Qual a sua avaliação sobre a aliança PT-MDB-PDT no RN?
STYVENSON – Além de incoerente e insustentável para a imagem de quem reclamou a vida toda das oligarquias, a quem sabotava de um lado e de outro. É o vale-tudo, que se alia a qualquer um para se manter no poder. Querem enganar a quem com isso? Nem eles mesmos estão satisfeitos. Os interesses individuais, acima dos do Estado e da população, escancaram a incoerência de quem um dia criticou e até ofendeu e agora, andam segurando a própria ânsia de vômito.

AGORA RN – Qual avaliação faz do pré-candidato ao governo Fábio Dantas?
STYVENSON – Sinceramente, nenhuma. Só uma avaliação como ex-vice-governador. De quem já passou pela política, teve sua oportunidade, sua chance, mas falhou. E que agora discursa em querer melhorar.

AGORA RN – Como avalia os pré-candidatos ao Senado, Rogério Marinho e Carlos Eduardo Alves?
STYVENSON – Todos já fizeram parte do governo, estão na política há muito tempo, de uma forma ou de outra, exerceram o poder público. A única novidade é a mudança de partido, de roupagem, mas, com os mesmos discursos, idênticos como os de sempre. Discursos esses que não enganam mais ninguém, ou o eleitor potiguar é tão bobo que não enxerga isso?

AGORA RN – Como o senhor avalia a gestão Jair Bolsonaro?
STYVENSON – Bolsonaro foi eleito em 2018 como a nova política. Em seu discurso, disse que ia reduzir ministérios, combater a corrupção, e afirma, categoricamente, não existir corrupção em seu governo, algo que agora pode ser questionado. Então, alguns valores e discursos do passado já não podem ser colocados em prática. Entre o equilíbrio do discurso e o equilíbrio da prática, ele está desequilibrado, implicando em farsa.

AGORA RN – Qual é o destino do país com Lula no poder?
STYVENSON – Virar uma cleptocracia, ou república da corrupção. A operação lava-jato colocou luz onde não havia, trouxe à tona gravações, vídeos, pessoas correndo com maletas na rua, empresas se tornando número 1 no mundo com dinheiro de propina. Então, crescer um país à base de corrupção, hoje vivemos as consequências.

AGORA RN – E com Jair Bolsonaro?
STYVENSON – Não precisa ser cigano para ler o futuro. Não sei como será a campanha passada, uma vez que ele perdeu todos os argumentos e defesas de 2018. Não tem muita coisa a oferecer à população, não pode mais usar os discursos de antes, apenas aos que se mantêm céticos em acreditar que poderia ser feito. Fui um dos que não votei nele em 2018, mas cheguei a acreditar que seria diferente. Logo no primeiro ano, identificamos a mudança.

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