“Carlos Eduardo e Rogério Marinho são duas péssimas alternativas para o Estado”, afirmou o vereador de Natal Robério Paulino (Psol), sobre seus futuros concorrentes à vaga no Senado Federal. O parlamentar lançará sua pré-candidatura ao Senado Federal na noite desta quarta-feira 13, e se coloca como opção ao eleitorado potiguar de esquerda. Ele também comemorou seu crescimento nas pesquisas de intenção de votos.
Em entrevista exclusiva ao AGORA RN, nesta segunda-feira 11, disse: “Rogério Marinho é o assassino dos direitos trabalhistas, só defende o grande capital, prejudicando até mesmo os pequenos e médios empresários. Se ele for eleito, não duvido que defenda o fim do 13º salário e das férias remuneradas no Congresso, ou seja, a volta da escravidão. É economista como eu, mas faltou às aulas, não aprendeu o básico. Não entende que, mesmo no capitalismo, maiores salários implicam em mais mercado, mais vendas”, ressaltou.

Sobre o ex-prefeito de Natal, falou: “Carlos Eduardo é um político tradicional, clientelista e representante das velhas oligarquias potiguares, por mais que tente se livrar dessa herança. Apoiou Bolsonaro nas últimas eleições, ajudando o desastre e o retrocesso que vemos hoje no país. Pode falar contra Bolsonaro, mas ninguém jamais esquecerá seu apoio a ele”, declarou.
E destacou que Carlos Eduardo foi um adversário político ferrenho da governadora Fátima Bezerra (PT) no passado, quando era bolsonarista. “Mas, agora, ele é aliado do PT no Estado e tece duras críticas ao bolsonarismo”, disse.
Robério se colocou como opção aos potiguares que não desejam votar em candidatos ligados a Lula ou a Bolsonaro, para o Senado. “Caso seja eleito, meu lado será o lado do povo e dos trabalhadores. Dos pequenos empresários, hoje sufocados pelos impostos que pouco retornam em termos de melhorias, infraestrutura. Lutarei por mais democracia, como faço há 40 anos. Apresentarei propostas arrojadas de desenvolvimento social e econômico. Sugiro um grande mutirão para acabarmos em poucos anos com a vergonha do analfabetismo”, afirmou.
E continuou: “Lutarei por uma revolução na qualidade da educação e melhores salários para os professores. Na saúde, além de melhorar os salários e equipamentos, precisamos investir em saúde preventiva, educar as pessoas a ficarem menos doentes. Farei uma defesa enfática da essencialidade do serviço e dos servidores públicos. Por fim, meu grande sonho é industrializar o RN, criar milhares de empregos, produzindo aqui tudo que possamos produzir, como as peças das usinas eólicas. Hoje importamos até suco de manga de Goiás, quando 70% da nossa safra se perde podre no chão. Não podemos viver quase só de turismo. Vamos mudar isso”, destacou.
Mesmo sem ter formalizado a pré-candidatura, o nome de Robério Paulino tem crescido na preferência de votos dos eleitores potiguares. Ele acredita que terá amplo “apoio” em todo o RN e chances de vencer.
“Acredito que, com a ida do senador Jean para a suplência, o público de esquerda dificilmente votará em Carlos Eduardo. Vamos herdar a maior parte desses votos, podendo, inclusive, superar os 10% rapidamente. A pré-candidatura não é uma decisão minha, mas dos diversos grupos que me apoiam e de centenas de pessoas que têm me pedido isso. Mesmo políticos de partidos de centro-esquerda têm me pedido que eu seja candidato, porque não querem votar nem em Carlos Eduardo nem em Rogério Marinho, têm aversão aos dois. Acredito que teremos amplo apoio em todo o estado e podemos vencer. Mas é por enquanto apenas uma pré-candidatura, que espero que o Psol aprove”.
Em sua avaliação, a bancada do RN no Senado deixa muito a desejar. “É tradicional. Continuamos sendo um dos Estados mais atrasados da federação, em termos sociais e econômicos, com uma pobreza que nos envergonha. E a bancada faz pouca diferença quanto a isso. Styvenson tem sido uma grande decepção, não tem conteúdo, é errático, conservador. Zenaide é até simpática, gosto dela, mas pouco enfrenta os principais problemas que nos levam a perpetuar o atraso, a pobreza e a ignorância em nosso RN. Uma exceção é o senador Jean, que tem uma voz diferenciada, mais moderna, na maioria das vezes a favor dos trabalhadores e do desenvolvimento mais acelerado do estado. Só lamento que ele aceite essa aliança com setores das oligarquias”, disse.
Fátima vem construindo alianças erradas, analisa
O pré-candidato ao Senado pelo Psol criticou a forma como a governadora Fátima Bezerra vem conduzindo o seu projeto de reeleição, pois a gestora vem construindo “alianças erradas”, mas reconheceu que a administração da petista, se comparada aos “desastres” dos governos “anteriores” de direita e das oligarquias, Fátima parece “levemente” melhor.
“Por isso, a oposição tem dificuldade em achar um candidato viável. Para qualquer candidato de oposição à governadora, estar ao lado de Bolsonaro, que faz um governo semifascista, racista, misógino, e Rogério Marinho, o assassino dos direitos trabalhistas, será um fardo pesado para qualquer um”, disse.
Robério explicou ainda que, “a direita no Estado está em decadência desde as últimas eleições. A governadora Fátima não fez muito até aqui, apenas o básico, como pagar as folhas atrasadas. Tem pouca iniciativa em termos de projetos, industrializar o RN, mudar significativamente a educação e saúde. Falta-lhe arrojo. Por isso, aparece apenas medianamente nas pesquisas, porque frustra as expectativas”, frisou.
“O mundo não aceita mais ditaduras”, diz, sobre Bolsonaro
O pré-candidato também fez uma avaliação sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), dizendo que o mandatário será lembrado no futuro como um sonho “ruim”, um grande “engano” de nosso povo, um “retrocesso”.
“Se ele pudesse, fecharia o Congresso, acabaria com qualquer democracia no país, mataria 30 mil da oposição, torturaria, como ele mesmo já disse. Não faz porque não pode. Isso é a negação da civilização, é a barbárie. Temos que avançar na democracia, não retroceder. O mundo não aceita mais ditaduras. Além disso, seu governo é um desastre na economia, seja para os trabalhadores e mesmo para parte dos empresários. O país não cresce, está paralisado, isolado internacionalmente mesmo no Ocidente”, finalizou.