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Segundo turno

Isolda defende diálogo com Zenaide para ampliar apoio a Cadu no segundo turno

Deputada também espera aproximação de Ezequiel e de parlamentares que apoiaram Álvaro Dias; petista atribui a Fátima protagonismo no resultado eleitoral e critica desempenho dos antigos aliados
Agora RN
09/10/2026 | 22:58

A deputada estadual reeleita Isolda Dantas (PT) defendeu a abertura de diálogo com a senadora Zenaide Maia (PSD) e seu grupo político para ampliar a aliança de Cadu de Lula (PT) no segundo turno da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte. A parlamentar manifestou o desejo de que a senadora e o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PSD), se aproximem da candidatura governista.

“É muito natural que a gente procure conversar com a senadora Zenaide”, afirmou. Isolda lembrou que Jaime integrou a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) como secretário de Desenvolvimento Econômico e destacou a relação anterior do grupo com os petistas. “O diálogo está aberto”, declarou, ao defender que os antigos aliados possam se somar ao projeto de eleger Cadu.

Deputada Isolda Dantas fala ao microfone na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte
Deputada estadual reeleita Isolda Dantas afirma que Fátima foi vitoriosa — Foto: Eduardo Maia/ALRN

A sinalização ocorre depois da derrota de Zenaide na disputa pela reeleição ao Senado. A parlamentar concorreu no palanque de Allyson (União), adversário de Cadu, e perdeu a segunda vaga para Samanda de Lula (PT), apoiada por Fátima. A diferença entre as duas foi de 5.765 votos. Mesmo afastada do grupo estadual do PT, Zenaide manteve o apoio ao presidente Lula. A outra vaga ficou com Styvenson Valentim (Podemos).

Durante a campanha, Zenaide atribuiu o rompimento à sua exclusão do projeto eleitoral da governadora. Afirmou que Fátima apresentou, em dezembro de 2022, uma composição que previa a própria candidatura ao Senado, outro nome para a segunda vaga e um candidato ao governo. “Ela era candidata e tinha um grupo de candidatos”, disse.

Dias depois, Fátima contestou essa versão. A governadora negou ter comunicado que o PSD ficaria fora da aliança e responsabilizou a senadora pela mudança de palanque. “A senadora fez uma outra escolha. Ela é quem foi embora”, declarou.

Apesar do histórico de divergências, Isolda afirmou que o segundo turno exige disposição para conversar com diferentes forças políticas. “O que está em jogo e o que está conduzindo o debate são os rumos do Rio Grande do Norte”, disse. Segundo a deputada, o campo governista está “completamente aberto” ao diálogo e tem recebido novos apoios.

Vitória política de Fátima

Na avaliação da parlamentar, Fátima saiu fortalecida das urnas pela eleição de Samanda e pela classificação de Cadu para o segundo turno. “A grande vencedora dessas eleições é a governadora Fátima Bezerra. A grande vencedora sem ser candidata”, afirmou. Isolda destacou que a governadora permaneceu no Executivo depois de perder as condições políticas para disputar pessoalmente o Senado.

A deputada classificou o rompimento do vice-governador Walter Alves (MDB) como traição e contrapôs o resultado dos candidatos apoiados por Fátima ao desempenho de antigos aliados. “A população fez justiça pela governadora”, declarou. Para ela, a chegada de Cadu ao segundo turno demonstrou a capacidade de mobilização da liderança petista.

Ao tratar de Zenaide, Isolda atribuiu a derrota aos aliados que a senadora escolheu para a eleição. “A senadora Zenaide foi derrotada pelos aliados dela”, afirmou. A deputada disse que o apoio recebido em Mossoró não correspondeu às expectativas e estendeu a crítica ao grupo do ex-prefeito Allyson.

“O grande derrotado dessas eleições foi o ex-prefeito de Mossoró”, declarou. Isolda argumentou que Allyson esperava uma vantagem expressiva na cidade e criticou a concentração do projeto político em torno de sua figura. “No lado de Cadu, é diferente. Cadu tem feito um diálogo, tem conversado com todo mundo”, afirmou.

Novos apoios

A expectativa de ampliação do palanque inclui o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que apoiou Álvaro Dias (PL) no primeiro turno. Isolda elogiou a relação institucional do parlamentar com o governo e sua postura de independência. “Eu espero muito que o meu presidente chegue junto com a gente nesse segundo momento, porque é uma pessoa que também tem muita responsabilidade com o Rio Grande do Norte.”

Ezequiel, porém, ainda anunciou uma escolha. Em declaração divulgada na quarta-feira 7, informou que ouviria as lideranças que participaram de sua reeleição antes de definir apoio entre Cadu e Allyson.

Isolda também relatou conversas reservadas com deputados que votaram em Álvaro e que, segundo ela, consideram Cadu a melhor alternativa. Não revelou nomes e afirmou que parte desses interlocutores evita uma manifestação pública. “Alguns dizendo que não vão se pronunciar, mas sabem que o melhor é Cadu”, disse.

No interior, a ampliação já inclui adesões anunciadas. Os prefeitos Joquinha Nogueira, de Nova Cruz, Joca Basílio, de Riachuelo, e Acácio Brito, de Serra Negra do Norte, passaram a apoiar Cadu depois de votar em Álvaro. Também aderiram os ex-prefeitos Flávio de Berói, de Nova Cruz, e Nixon Baracho, de Alto do Rodrigues.

Confiante na disputa de 25 de outubro, Isolda disse que o crescimento de Cadu aponta uma tendência favorável ao PT. Também avaliou que o resultado alterou as articulações para a presidência da Assembleia. “Com o resultado das eleições, mudou tudo”, afirmou. “As candidaturas que estavam postas já não estão tão postas assim.”

Segundo ela, a escolha do próximo presidente ou presidenta da Casa dependerá do desfecho da eleição estadual.