O Pix andou mais devagar no primeiro fim de semana sem apostas esportivas online autorizadas. Nos três dias que sucederam a medida provisória que proibiu as bets, as transações no Pix recuaram perto de 10%. De sábado 26 a segunda-feira 28 o sistema registrou 608,6 milhões de operações, abaixo da média apurada no mesmo intervalo das quatro semanas anteriores. A medida provisória saiu na sexta-feira 25.
Os números são do Banco Central e fazem parte das estatísticas do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que reúne as transferências de Pix liquidadas ali. A instituição não disse se enxerga relação entre a redução e a proibição das apostas, e o próprio dado não permite isolar a causa da queda.

Dia a dia, o recuo aparece assim. No sábado 26 foram 229,6 milhões de transações, 11% menos que a média dos quatro sábados anteriores. No domingo 27, 165,9 milhões, o que representa 12% menos que a média dos quatro domingos imediatamente anteriores. E na segunda-feira 28, o dia mais recente com dado disponível, o sistema anotou 213 milhões de operações — 7,4% abaixo da média das quatro segundas que vieram antes.
Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o recuo vem da medida provisória. Segundo ele, depois da publicação o Executivo passou a concentrar a estratégia em identificar e interromper os fluxos de dinheiro dos grupos criminosos, método conhecido pela expressão em inglês “follow the money”, seguir o dinheiro. Isso inclui pedir aos bancos o bloqueio de repasses, em lugar do modelo anterior, centrado apenas em derrubar endereços na internet.
O governo federal divulgou um balanço atualizado do combate às bancas irregulares de aposta de quota fixa, mas não apresentou estudo que sustentasse o vínculo entre essas ações e a queda no Pix. Também não informou qual período usou como base de comparação.
A orientação é promover a “asfixia financeira” de quem opera fora da lei, conta Carlos Renato Xavier de Resende. Ele é o subsecretário que cuida de monitoramento e fiscalização na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Desde 10 de setembro, a secretaria localizou 63 pessoas jurídicas que recebiam dinheiro de sites de aposta sem autorização. Os autos seguiram para o sistema financeiro, com pedido de bloqueio das contas envolvidas.
Em paralelo ao cerco no dinheiro, a força-tarefa continua pedindo a interrupção do acesso às plataformas. Desde domingo 27, chegaram à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedidos de bloqueio de 5.209 sites ilegais — 2.387 deles apenas na segunda-feira 28. O tempo médio estimado para o bloqueio sair é de cerca de oito horas. Quem executa, no fim da linha, são as operadoras e os mais de 20 mil provedores de internet que funcionam no país.
As redes sociais e os aplicativos de mensagem também entraram na conta, por serem usados para divulgar apostas não autorizadas. A operação derrubou 390 páginas no Facebook e no Instagram, além de grupos no Telegram que somavam mais de 1 milhão de integrantes e distribuíam links para esses serviços. Era por esses canais que boa parte do público chegava às plataformas hoje proibidas.