Um evento voltado à saúde mental e à prevenção do suicídio reuniu profissionais da segurança pública, saúde e educação nesta quarta-feira 16, em Natal. As vagas para a programação foram preenchidas antes da abertura, segundo o coronel do Corpo de Bombeiros Christiano Couceiro, idealizador da iniciativa, realizada há seis anos no Rio Grande do Norte.
A programação conta com palestrantes locais, como as médicas Eugênia Lessa, Adriana Araújo e Débora Sampaio, além de convidados nacionais, entre eles Leandro Karnal e Neury Botega . Conforme o coronel, o público já aguardava a abertura das inscrições.

“Aqui, por exemplo, nós lotamos este teatro rapidamente. A gente divulgou pouco, mas as pessoas já esperam por este evento há muito tempo. O ano todo é um evento considerado ícone nacional e é aqui”, afirmou.
Christiano Couceiro classificou o encontro como o maior do País voltado à saúde mental e à prevenção do suicídio. Segundo ele, a gratuidade busca ampliar o acesso do público aos debates e às orientações apresentadas pelos especialistas.
“O Rio Grande do Norte pode se orgulhar deste evento que nós realizamos hoje, que é o maior evento do Brasil na área da saúde mental e prevenção do suicídio. É um evento que já existe há seis anos e, o que é melhor, é todo viabilizado gratuitamente para as pessoas que vêm participar”, declarou.
A programação terá continuidade na sexta-feira 18, das 7h30 ao meio-dia, no Teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró. A edição abordará a saúde mental infantojuvenil, com Débora Sampaio, e o Protocolo Nacional de Abordagem Técnica à Tentativa de Suicídio, criado pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo.
De acordo com Couceiro, a apresentação do protocolo será conduzida pelo coronel Diócio Munhoz e ensinará como agir diante de uma tentativa de suicídio. O conteúdo inclui orientações sobre aproximação, comunicação e comportamentos que devem ser evitados durante o atendimento.
“De uma forma muito prática, tanto aqui quanto lá, ele orienta aquelas pessoas que, porventura, se depararem com uma situação dessa, sobre o que fazer. Como se portar, o que falar, como se aproximar e o que não fazer, que é importante”, explicou.
O coronel afirmou que participantes de edições anteriores relataram ter aplicado os conhecimentos apresentados no seminário. “São situações que a gente escuta, após acabar um evento desse, de pessoas que chegaram a salvar vidas utilizando essas técnicas que são demonstradas nesses seminários”, disse.
Entre os participantes estão integrantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) e Guarda Municipal. Professores, diretores de escolas públicas e trabalhadores de unidades especializadas em saúde mental também participam da programação.
“Nós, enquanto profissionais da urgência e emergência, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Samu, STTU e Guarda Municipal, somos agentes que diariamente se deparam com ocorrências dessa natureza”, afirmou Couceiro. Segundo ele, o encontro também busca oferecer um momento de reflexão aos profissionais que atuam nesses atendimentos.
Durante a recepção, cada participante recebe uma pulseira com a mensagem “Não silencie a sua dor”. Ao comentar a iniciativa, o coronel orientou as pessoas a falarem sobre o que sentem e procurarem apoio.
“Não guarde para você. Peça ajuda. Fale do seu problema. Procure alguém que realmente lhe entenda, que lhe compreenda, alguém que goste de você. E fale o que você está sentindo. O falar em si já alivia muito”, declarou.
Couceiro também citou o trabalho do Centro de Valorização da Vida (CVV) e pediu atenção às pessoas idosas e às crianças. “Olhe mais para o idoso que está na sua casa, aquele que sempre fala, mesmo que repetidamente, as mesmas histórias. Dê atenção. É o momento que ele tem de lembrar o passado. Ouça as crianças. Quem está ouvindo o seu filho?”, questionou.
O coronel agradeceu aos parceiros do evento e citou o apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc) na disponibilização do teatro. Segundo ele, a parceria permitiu que a participação do público não tivesse custo.