A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil após cartazes anônimos acusarem a política de ter matado o marido, o empresário Fernando Lucena, para vencer a eleição de 2022.
Segundo nota da coligação Pernambuco de Coração, Raquel registrou boletim de ocorrência neste domingo 30 e solicitou a apuração do caso. A chapa classificou o episódio como violência política e informou que os cartazes foram espalhados em muros no Bairro do Recife.

Uma das peças exibe a imagem da governadora junto à frase “ela matou o marido para ganhar a eleição”. Em outra, Raquel aparece ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, sob a expressão “matadoras de maridos”.
Fernando Lucena morreu em 2022, durante o período eleitoral. Após a repercussão das imagens, Raquel publicou um vídeo nas redes sociais e pediu respeito à família. “Respeite minha família. Respeite meus filhos. Respeite quem não está mais aqui. Respeite a minha dor”, afirmou.
A legislação eleitoral proíbe conteúdos de violência política contra a mulher. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a prática compreende ações destinadas a impedir, dificultar ou restringir os direitos políticos das mulheres.
Adversários prestam solidariedade a Raquel Lyra
João Campos (PSB), adversário de Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco, repudiou os cartazes e disse que sua coligação acionou a Justiça Eleitoral para pedir investigação. O ex-prefeito do Recife recebeu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição pernambucana.
“Eu perdi meu pai durante uma eleição, a candidata Raquel perdeu um marido durante a eleição, e eu não admito nem que a minha família, nem que nenhuma família seja atacada nessa eleição”, declarou João Campos.
Ivan Moraes (Psol), também candidato ao governo estadual, pediu que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados. “A investigação tem que ser profunda e exemplar. Minha solidariedade a Raquel Lyra”, escreveu.
TRE manda retirar publicações
Na noite de domingo, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinou a retirada de publicações que associavam João Campos e seu grupo político à produção e à distribuição dos cartazes.
A decisão foi assinada pelo desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo e alcança postagens feitas pelo candidato ao Senado Mendonça Filho (PL), pelo candidato a deputado estadual Ni do Badoque (PSD) e pelo blogueiro Ricardo Antunes.
A liminar determinou que a Meta retire as publicações indicadas no processo em até duas horas após ser notificada, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A plataforma também deverá preservar dados como alcance, visualizações, compartilhamentos e histórico de edições.
Mendonça Filho, Ni do Badoque e Ricardo Antunes também foram obrigados a excluir as postagens e a não republicar o conteúdo. A decisão prevê multa individual de R$ 25 mil em caso de descumprimento.
Até a última atualização, não havia informação sobre a autoria dos cartazes. As medidas adotadas pela governadora e pelas coligações adversárias buscam identificar os responsáveis e impedir que acusações sem comprovação continuem circulando durante a campanha.