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Greve

Bancários aprovam greve geral a partir de 2 de setembro no RN

Paralisação pode afetar atendimento presencial; sindicato cobra ganho real, mudanças na PLR e aumento dos auxílios
Agora RN
28/08/2026 | 22:38

Os bancários do Rio Grande do Norte aprovaram uma greve por tempo indeterminado a partir de 2 de setembro. A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta quinta-feira 27 pelo sindicato da categoria, com participação presencial dos trabalhadores de Natal e acompanhamento remoto de profissionais do interior. Caso a paralisação tenha adesão nas agências, o atendimento presencial poderá ser afetado em diferentes municípios do Estado.

O movimento foi anunciado pelos diretores do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (Seeb) Marcos Tinôco e Alexandre Cândido. A entidade encaminhou uma convocação a sindicatos de outras unidades da Federação e aguarda os resultados de assembleias locais. Dessa forma, embora a greve esteja aprovada no RN, a extensão nacional dependerá das decisões tomadas pelas demais bases.

Assembleia de bancários do Rio Grande do Norte que aprovou greve geral
Bancários aprovam greve geral a partir de 2 de setembro no RN — SEEB/RN/Divulgação

No Rio Grande do Norte, os dirigentes defendem uma articulação nacional para aumentar a pressão sobre a Fenaban e também cobrar uma mudança na condução da campanha pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT. A avaliação do sindicato potiguar é que a ausência de uma reação coordenada reduziria a capacidade de obter alterações econômicas na proposta.

“O resultado do Rio Grande do Norte, assim como os resultados do Maranhão e de Bauru, reforça, em nível nacional, o entendimento da necessidade de dar uma resposta concreta à Fenaban e à Contraf-CUT”, declarou a representação sindical.

A pauta nacional foi entregue à Fenaban em 24 de junho. Entre as reivindicações estão a reposição da inflação acrescida de 5% de ganho real, aumento do piso salarial, reajuste maior para vale-alimentação e vale-refeição, ampliação da Participação nos Lucros e Resultados, defesa dos empregos e manutenção das cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho.

Até 25 de agosto, as negociações haviam chegado à décima rodada sem um acordo para os pontos econômicos. Segundo a Contraf-CUT, a Fenaban encerrou a nona mesa, em 24 de agosto, sem apresentar um índice para salários e demais verbas. As entidades sindicais também rejeitaram uma proposta anterior de reajustes diferenciados por faixas salariais e de congelamento do piso de ingresso.

Nas rodadas seguintes, representantes dos bancos chegaram a apresentar índices inferiores à inflação acumulada, mas as propostas foram recusadas na mesa de negociação. A divergência central permanece no tamanho da correção salarial, no ganho real e na atualização dos benefícios.

A campanha já havia provocado uma paralisação nacional de 24 horas em 20 de agosto. O movimento foi aprovado após assembleias locais e atingiu parte das agências de bancos públicos e privados. Aplicativos, internet banking, Pix, caixas eletrônicos e outros canais remotos permaneceram em operação, enquanto o atendimento presencial variou conforme a adesão dos trabalhadores.

O presidente do sindicato potiguar, Marcos Tinôco, afirmou nas redes sociais que as reivindicações haviam sido entregues havia mais de dois meses, mas que a Fenaban não apresentara, até então, uma proposta que pudesse ser aceita pela categoria. Segundo a direção da entidade, a greve pretende alterar esse quadro antes da assinatura da nova convenção coletiva. “É possível mudar essa proposta, inclusive a partir do acordo que saiu no Pará”, afirmou a representação do sindicato.

A referência é o acordo coletivo aprovado pelos empregados do Banco do Estado do Pará (Banpará). O texto prevê para 2026 reajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor acrescido de 1,83% de ganho real — ou o índice da Fenaban, caso seja mais favorável — limitado a 6% de correção total.

Para setembro de 2027, o acordo do Banpará estabelece o INPC ou o reajuste da Fenaban, o que for maior, acrescido de 2% de ganho real. O anuênio será corrigido em 10% em cada ano do acordo. A PLR Social passa a corresponder a 8% do lucro líquido, aumento de um ponto porcentual. A duração da greve potiguar dependerá da adesão dos trabalhadores, das decisões tomadas em novas assembleias e do andamento das negociações. Uma nova proposta pode levar a categoria a reavaliar o movimento, mantê-lo ou encerrá-lo. Até a deflagração, as agências devem funcionar normalmente. A situação poderá variar a partir de 2 de setembro, inclusive entre unidades de um mesmo banco, porque o fechamento ou a redução do atendimento dependerá da participação dos funcionários.

Clientes devem manter contas em dia na greve

A greve dos bancários não suspende automaticamente os vencimentos de boletos, parcelas de financiamento, cartões, tributos ou contas de consumo. Os clientes deverão recorrer, quando disponíveis, a aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, correspondentes bancários e centrais telefônicas.

Na paralisação nacional de 20 de agosto, as instituições mantiveram canais como Pix, transferências, consultas, pagamentos digitais e terminais de autoatendimento. O funcionamento desses serviços tende a continuar porque grande parte da infraestrutura bancária é automatizada, mas falhas técnicas e operações que exigem intervenção de funcionários podem demorar mais.

Atendimentos relacionados à renegociação de contratos, liberação de crédito, atualização cadastral, inventários, bloqueios judiciais, procurações ou solução de problemas com contas podem sofrer alterações. O mesmo vale para clientes que não utilizam canais digitais ou precisam de auxílio dentro da agência.

Consumidores que dependem de atendimento presencial devem consultar o banco antes de se deslocar e, quando possível, antecipar operações. Também é recomendável guardar protocolos, capturas de tela e comprovantes de tentativas de pagamento ou contato. Caso não haja um canal disponível para pagamento, o consumidor deve registrar a tentativa de realizar a operação e procurar o banco ou os órgãos de defesa do consumidor.

A greve também não significa que todas as agências do Rio Grande do Norte serão fechadas. O efeito concreto somente poderá ser medido após o início do movimento, com a divulgação dos balanços de adesão pelo sindicato e pelas instituições bancárias.