O que tinha tudo para ser a salvação do América na temporada acabou ficando pra trás. Se na semana passada uma reunião entre atuais dirigentes e ex-colaboradores do clube havia encaminhado a criação do Grupo de Apoio ao Futebol (GAF), que trabalharia para recolocar o clube na Série C do Campeonato Brasileiro, nesta semana houve uma reviravolta: em nova reunião entre as lideranças do clube, decidiu-se não mais pela criação do grupo, causando estranheza aos torcedores alvirrubros.
Diante do desfecho nada favorável para o América, a reportagem do Agora Jornal contatou o ex-presidente Eduardo Rocha, que seria o responsável por liderar o GAF, para esclarecer o naufrágio do projeto. Através do telefone, Rocha se mostrou bastante descontente com o ‘fracasso’ de um grupo que sequer chegou a ser formado, e diferentemente do discurso aplicado na semana passada, acabou criticando a atual diretoria, chefiada pelo empresário Beto Santos.

Em suma, o ex-mandatário criticou a política de contratações do clube em 2017 e disse que o GAF, até mesmo por questões contratuais dos jogadores, não teria autonomia para trabalhar ao longo da Série D, única competição a ser disputada pelo América no segundo semestre e que é, atualmente, a prioridade da equipe em todo ano, com o acesso para a terceira divisão do país.
“(O projeto) não deu certo por que ninguém queria trabalhar sem ter autonomia. Para se ter uma ideia, do plantel que está aí, que é um plantel perdedor, 26 dos 29 jogadores tem contrato até o final da temporada. Como é que você iria reforçar a equipe assim? Como é que você iria rescindir com esses jogadores sem ter dinheiro para pagar as multas dos contratos? Eles mesmos (a atual diretoria) se auto engessaram. Agora quem pariu o bebê que balance!”, disparou.
Quando questionado sobre se continuaria ajudando o clube, apesar do Grupo de Apoio ao Futebol não ter dado certo, Rocha garantiu que não vai deixar de trabalhar em favor do América. Com modéstia à parte, o ex-presidente enalteceu seus esforços já declarados ao clube durante todo o período desde que se tornou um cartola alvirrubro, mas novamente alfinetou os atuais dirigentes.
“Nunca deixarei de ajudar. Ninguém, mais do que eu, ajudou o América. A diferença é que agora não vou mais ajudar na função de coordenador do Grupo de Futebol. Diante disso, o presidente que use suas habilidades para nos tirar de onde ele colocou, numa situação de alta dificuldade. Eu torço e faço votos de que dê certo, é meu pensamento como americano, e no que puder colaborar, colaborarei”, completou.
Na primeira reunião em que se discutiu a criação do GAF, realizada na semana passada, estiveram presentes o atual presidente alvirrubro, Beto Santos, seu vice, Dr. Medeiros, além dos ex-drigentes Jussier Santos, Roberto Bezerra, Hermano Morais, Cláudio Bezerra, Ricardo Bezerra, Eduardo Pagnocelli, Diogo Pignataro, Marcelo Rocha, Milley God, Eliel Tavares e Júnior Rocha. A princípio, todos ajudariam na composição do projeto, que poderia contar ainda com a participação de outros grandes americanos.
MUDANÇA DE POSTURA
Na semana passada, também em conversa com a reportagem do Agora Jornal (a pauta tratava das ações que o GAF faria enquanto membro da gestão do clube), Rocha preferiu não criticar e nem comentar os ataques que Beto Santos vem sofrendo, sobretudo do ex-presidente Clovis Emídio, que tem utilizado as redes sociais constantemente para lamentar a situação do América.
“Sou apenas um ex-presidente, não vejo ética em criticar alguém por estar no cargo, sei o quanto é difícil estar naquela condição. Apenas entendo que críticas e elogios fazem parte de um sistema democrático”, disse, naquela oportunidade, o até então líder do projeto.
Apesar deste trecho ter sido incoerente para como as declarações dadas nesta terça-feira, 28, o ex-mandatário mostrou-se precavido quanto a implementação do GAF, frisando, a todo momento na última semana, que o pontapé inicial do grupo ainda carecia de nova reunião, a ser realizada nesta segunda-feira, 27, e que findou com o desfecho desfavorável para o time da Rodrigues Alves.
FUTEBOL
Dentro de campo, o América está com as possibilidades mínimas de se tornar campeão potiguar em 2017. Após a eliminação no primeiro turno, o clube vem fazendo uma campanha ainda pior na segunda metade da competição, ficando na lanterna, com apenas 2 pontos conquistados de 12 disputados. O próximo compromisso está agendado para este fim de semana, contra o Alecrim na Arena das Dunas, pela quinta rodada da Copa Rio Grande do Norte. Somente a vitória interessa.
OUTRO LADO
A reportagem tentou contato durante toda a manhã com o presidente do América, Beto Santos, para comentar sobre a desistência do GAF, mas não obteve sucesso nas ligações. Todavia, declarações atribuídas à ele foram divulgadas no blog Vermelho de Paixão na noite desta segunda, onde o comandante lamentou o desfecho, mas se mostrou aberto a novas possibilidades.
“Em nenhum momento eu me coloquei como obstáculo para a formação do GAF. Concordei em dar autonomia total no comando de futebol do América. Até uma licença da presidência, se fosse preciso, eu aceitaria. O que for melhor para o clube eu não serei empecilho. Um grupo de futebol pode ser formado por outras pessoas e continuo de portas abertas. Não volto atrás nas minhas decisões. Se disse que aceitava (a ajuda) num primeiro momento, aceitou também numa segunda situação”, esclareceu o presidente.