Quando parecia que tudo já havia sido revelado, eis que surgem novos e surpreendentes fatos sobre Pablo Escobar. Com o sucesso do seu primeiro livro – Pablo Escobar, meu pai –, Juan Pablo percorreu a Colômbia e outros países da América Latina fazendo lançamentos e palestras. Nessas suas andanças, descobriu muita coisa que não sabia e alguns personagens que haviam se recusado a conversar com ele, resolveram falar. O resultado é um retrato ainda mais minucioso do maior traficante das Américas.
Entre as novidades, Juan Pablo conta onde e com quem o pai estava quando seus pistoleiros assassinaram o ministro da Justiça Rodrigo Bonilla. Também expõe as minúcias de sua relação com o grupo rebelde M-19 e com o Barry Seal, piloto da CIA e informante do DEA. Mas foram as alianças macabras com a corrupção internacional que deixaram o filho assustado. “Confesso que fiquei com medo de trazê-las a público”, afirma ele.

DUAS PERGUNTAS PARA JUAN PABLO ESCOBAR:
O que vamos encontrar neste livro?
Juan Pablo: Falo da corrupção internacional que permitiu que meu pai chegasse aos extremos que chegou. Não o eximo de responsabilidade, mas mostro o outro lado da moeda. Conto como meu pai, graças às suas conexões com o mais alto nível do poder, pôde acumular tal fortuna e desafiar a democracia na Colômbia e em outros países. Estas histórias ficaram ocultadas e nunca foram reveladas. É o produto de uma investigação que durou oito meses na Colômbia, após conversas com seus comparsas e bandidos. Porém, este livro também fala de outras coisas, como as relações humanas e a capacidade de reconciliação, como aconteceu comigo e com Aaron Seal, filho de Barry Seal (informante). Quis dar voz aos inimigos do meu pai, pois isso me ajudou a dar um giro completo pela história dele.
Sua vida tem sido diferente da de seu pai. Quanto tempo demorou para que as pessoas acreditassem em você?
Juan Pablo: Demorou 22 anos, os mesmos que tenho aqui na Argentina. Cada dia é acordar e escolher o caminho do bem. Eu não quis me tornar um Pablo Escobar 2.0. Tive que reinterpretar minha própria história e reparar o que meu pai havia destruído na sua trajetória. Não aplaudi seus feitos de violência e sempre busquei a paz. Quando vemos a rede de corrupção internacional tão grande que meu pai administrou, a cumplicidade de algumas instituições democráticas com todas as máfias, não conseguimos saber claramente quem é quem. Hoje há uma mudança substancial na Colômbia. Meu pai dizia que, pelo menos, ele havia se autodefinido como um bandido. Submeteu um país inteiro às vias do terror e lhes oferecia grana ou chumbo. Muitos escolheram a grana. Isto acabou nos destruindo como sociedade. Os valores reduziram-se a quanto se dava por uma vida.*
*Entrevista cedida ao jornal Clarín, da Argentina