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IBGE

Inflação desacelera a 0,07% e volta à meta

No ano, o IPCA acumula alta de 3,47%. Em 12 meses, o índice passou de 4,64% para 4,44%
Redação
12/08/2026 | 05:15

A inflação oficial do Brasil desacelerou pelo quarto mês consecutivo e ficou em 0,07% em julho, informou nesta terça-feira, 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o menor resultado mensal desde agosto de 2025 e o mais baixo para julho desde 2022. A taxa coincidiu com a projeção do boletim Focus. No ano, o IPCA acumula alta de 3,47%. Em 12 meses, o índice passou de 4,64% para 4,44%.

Com o resultado, a inflação acumulada retornou ao intervalo da meta estabelecida pelo governo. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que permite variação entre 1,5% e 4,5%. O indicador havia alcançado 4,39% em abril, mas superou o limite em maio, com 4,72%, e junho, com 4,64%. Desde 2025, o cumprimento é avaliado continuamente pelos 12 meses anteriores. A meta é considerada descumprida quando o teto é ultrapassado por seis meses consecutivos.

Supermercado 01
Grupo de alimentação e bebidas registrou a 2ª queda de preços consecutiva - Foto: José Aldenir/Agora NR

A alimentação e bebidas caiu 0,67% e retirou 0,14 ponto percentual do IPCA de julho. Foi o segundo mês consecutivo de redução, após o recuo de 0,24% em junho. A alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata, influenciada por tubérculos, raízes e legumes, que recuaram 16,15%. O tomate caiu 29,09%, enquanto batata-inglesa e cenoura diminuíram 19,59% e 14,41%, respectivamente. O café moído recuou 2,45% no mês e 17,2% em 12 meses, maior queda anual desde o Plano Real.

Segundo Fernando Gonçalves, analista da pesquisa do IBGE, a redução dos alimentos reflete a ampliação da oferta favorecida pelas condições climáticas. “O clima ficou mais favorável”, afirmou. O índice de difusão ficou em 50%, indicando que metade dos 377 produtos e serviços pesquisados apresentou aumento. Vestuário recuou 0,66%, enquanto educação caiu 0,03%. Artigos de residência subiu 0,07%, comunicação avançou 0,04% e despesas pessoais aumentou 0,22%.

A energia elétrica residencial subiu 3,09% e exerceu o maior impacto individual de alta no índice, de 0,13 ponto percentual. O movimento foi influenciado por reajustes tarifários em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Com isso, o grupo habitação avançou 0,99% e adicionou 0,15 ponto percentual ao IPCA. Saúde e cuidados pessoais aumentou 0,40%, com impacto de 0,06 ponto percentual. Para agosto, o IBGE prevê efeito de redução nas contas de luz com a aplicação do Bônus Itaipu aprovado pela Aneel.

Em transportes, a alta foi de 0,05%, resultado da combinação entre passagens aéreas mais caras e combustíveis em queda. As tarifas aéreas avançaram 11,67%, maior aumento entre os subitens pesquisados. Os combustíveis recuaram 1,44%, com baixas do etanol, de 2,26%; da gasolina, de 1,37%; e do diesel, de 1,22%. O mercado financeiro projeta IPCA de 5,02% ao fim de 2026, acima do teto da meta. O IPCA acompanha o custo de vida de famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos.