A Band RN reuniu, no domingo 9, Cadu de Lula (PT), Allyson Bezerra (União), Álvaro Dias (PL) e Professor Robério Paulino (Psol) para o primeiro grande confronto da campanha ao Governo do RN.
Durante duas horas, predominou a tentativa de desconstrução dos adversários. Houve muito ataque e pouco espaço para aprofundar o RN que cada um pretende governar a partir de 2027.

Estreante em debates e na política, Cadu de Lula surpreendeu positivamente. Defendeu o Governo Fátima, citou avanços na segurança pública e no Ideb e respondeu à acusação de Allyson sobre investigação no TCE envolvendo aumento do seu salário e de sua categoria durante a pandemia, negando irregularidades.
Havia uma expectativa maior em torno de Allyson. Favorito nas pesquisas e principal alvo dos adversários, carregava ainda a lembrança de 2020, quando um debate teve papel importante na campanha que terminou com sua vitória sobre Rosalba Ciarlini em Mossoró.
Desta vez, o assunto escolhido pelos adversários para tentar desgastá-lo foi a Operação Mederi, da Polícia Federal. Allyson assegurou que não existe prova contra ele e que nada comprometedor foi encontrado em seu celular.
Chegou a propor um pacto aos adversários envolvendo a renúncia das candidaturas caso o conteúdo dos aparelhos não revelasse irregularidades.
Álvaro Dias foi cobrado pelos problemas na engorda de Ponta Negra e pelo Hospital Municipal inaugurado no fim de sua gestão, mas que ainda não entrou em funcionamento.
Na educação, chamou atenção ao defender a utilização do Método Paulo Freire em todo o RN, uma proposta curiosa para um candidato do PL, partido identificado nacionalmente com críticas históricas à pedagogia do educador. Na ofensiva, repetiu diversas vezes a Operação Mederi para atingir Allyson e fez duras críticas ao Governo Fátima.
Professor Robério Paulino era o mais experiente em debate entre os quatro em disputas majoritárias. Já concorreu anteriormente ao Governo e duas vezes à Prefeitura de Natal.
Manteve o perfil crítico aos adversários e foi quem trouxe com maior ênfase a pauta ambiental para o debate. Faltou aprofundar respostas para alguns dos problemas mais imediatos que estão na cabeça da população potiguar.
Foi o debate da desconstrução. O eleitor precisa conhecer as fragilidades de quem pede seu voto, mas também precisa saber qual RN cada candidato pretende construir. E isso ainda ficou devendo.
Por fim, um registro necessário para a condução ética, segura e profissional da jornalista Anna Ruth Dantas, que mediou um debate de temperatura elevada sem perder o controle da bancada.
Favoritos ausentes
Dois candidatos ao Governo que aparecem como favoritos em seus estados faltaram ao debate da Band neste domingo 9: Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, e Sergio Moro (PL), no Paraná.
Liderando a corrida eleitoral, os dois preferiram não subir ao ringue logo no primeiro confronto da campanha.
Os candidatos vão às ruas
Os candidatos vão dar a largada oficial nas campanhas de rua no próximo domingo 16. Até lá, as assessorias correm para fechar agendas, ajustar estratégias e deixar pronto o material que vai ocupar ruas e redes. Começa a disputa pelo voto.
Sem debates nacionais?
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) podem reduzir ao mínimo, ou até evitar, a participação nos debates presidenciais do primeiro turno. É o cenário apontado pela imprensa nacional.
As duas campanhas avaliam que a exposição pode representar mais risco do que ganho numa disputa já polarizada. Se a estratégia prevalecer, os principais debates da TV poderão acontecer sem os dois protagonistas da eleição.