BUSCAR
BUSCAR
Auto

Venda de veículos cresce 10% em julho

Emplacamentos chegaram a 504,6 mil unidades no mês; carros leves receberam impulso do IPI reduzido, enquanto crédito ajudou caminhões a interromper sequência de quedas
Por O Correio de Hoje
06/08/2026 | 13:42

O mercado brasileiro de veículos registrou 504.574 emplacamentos em julho, crescimento de 10,17% na comparação com o mesmo mês de 2025 e de 3,31% diante de junho. O resultado inclui automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, como reboques, semirreboques e carrocerias.

Foi o terceiro maior volume registrado para um mês de julho na série histórica da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). De janeiro a julho, foram emplacadas 3,2 milhões de unidades, alta de 15,1% sobre igual período do ano passado e segundo melhor resultado acumulado da série, segundo o balanço da entidade.

Mercado brasileiro registra mais de 504 mil emplacamentos em julho, com crescimento de carros leves, caminhões e motocicletas
Nos chamados carros de passeio, ou populares, as vendas avançaram em 15,5% durante o ano Foto: Divulgação

O avanço foi puxado pelos segmentos de maior volume, sobretudo automóveis, comerciais leves e motocicletas. Para o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, a demanda por mobilidade e renovação de frota continua sustentando o mercado, apesar dos juros e das restrições ao crédito.

“Estamos vivendo um ano com resultados positivos nos segmentos de maior volume, principalmente, no varejo de automóveis, comerciais leves e motocicletas. Além do Programa Carro Sustentável, observamos que a demanda por mobilidade, renovação de frota e investimento permanecem, e a competição entre marcas continua favorecendo a oferta de mais produtos no mercado”, afirmou.

Carros leves avançam 15,5% no ano

Considerados em conjunto, os automóveis e comerciais leves, categoria que engloba picapes e furgões, somaram 265.695 unidades em julho. O volume representa crescimento de 2,02% sobre junho e de 15,54% em relação ao mesmo período de 2025.

A Fenabrave atribui parte do movimento ao Programa Carro Sustentável, que concede redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a modelos que atendem a critérios definidos pelo governo. Segundo a entidade, as vendas dos veículos incluídos no programa ficaram 29,4% acima do patamar observado antes de sua implementação.

Para receber o benefício, os automóveis precisam atender a exigências relacionadas às emissões, à utilização de materiais recicláveis ou reutilizáveis e às etapas de fabricação realizadas no Brasil. Também devem integrar as categorias de subcompactos, compactos, utilitários esportivos compactos ou picapes compactas.

As regras publicadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estabelecem limite de emissão de 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro, considerando o ciclo do combustível do poço à roda. Os veículos também devem ter índice mínimo de 80% de reciclabilidade ou reutilização de materiais. A relação de etapas industriais exigidas inclui estampagem, soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem no país, conforme a regulamentação do Carro Sustentável.

A desoneração reduz o preço final dos modelos habilitados e amplia a competição na faixa de entrada do mercado. O impacto, porém, não ocorre de maneira uniforme entre todas as marcas, uma vez que o benefício depende das características técnicas e do processo de fabricação de cada veículo.

Depois de uma sequência de retrações, o mercado de caminhões reagiu em julho. Os emplacamentos cresceram 18,89% na comparação com junho e 7,16% diante de julho do ano passado. A Fenabrave relaciona a mudança ao avanço das operações do Move Brasil, programa de financiamento para renovação de frotas.

As duas etapas do programa abriram linhas de crédito para aquisição de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. A fase ampliada colocou R$ 21,2 bilhões à disposição do setor, com condições diferenciadas para transportadores autônomos e empresas. A contratação continua submetida à análise de crédito das instituições financeiras.

“A recuperação é resultado, principalmente, do Programa Move Brasil, etapas 1 e 2. Por ser um segmento ligado ao PIB e desenvolvimento industrial e do agronegócio, o transportador avalia bem o mercado antes de comprar e acaba renovando sua frota quando enxerga demanda, capacidade de pagamento e segurança para assumir um financiamento de longo prazo”, disse Arcelio Junior.

A compra de caminhões costuma responder às perspectivas de movimentação de cargas, produção agrícola, atividade industrial e investimento em infraestrutura. Como os veículos têm preço elevado e são financiados por prazos mais longos, juros, disponibilidade de crédito e expectativa de receita influenciam a decisão das transportadoras.

O resultado dos ônibus foi mais limitado. O segmento cresceu 4,26% em relação a junho, mas registrou queda de 2,32% diante de julho de 2025. A avaliação da Fenabrave é que a ausência de programas de renovação ao longo de parte do ano restringiu as compras de veículos para transporte coletivo e fretamento.

“No início do ano, o segmento chegou a registrar retração de quase 25% em relação a 2025. A diferença caiu de forma gradual e consistente a partir do segundo bimestre, com a implantação da segunda fase do Move Brasil, que incluiu R$ 2 bilhões em crédito para financiar ônibus”, afirmou o presidente da entidade.

Motocicletas sustentam expansão

O segmento de motocicletas teve crescimento de 2,55% sobre junho e de 3,11% em relação ao mesmo mês de 2025. A procura é associada tanto ao transporte individual quanto ao uso profissional, sobretudo em entregas e prestação de serviços.

O custo de aquisição menor do que o de um automóvel e o consumo mais baixo de combustível ampliam o acesso às motocicletas. Ao mesmo tempo, o desempenho do segmento depende da oferta de financiamento e da renda dos consumidores, já que parcela elevada das compras ocorre por meio de crédito ou consórcio.

A Fenabrave manteve a previsão de crescimento de 8,6% para o mercado total em 2026. Caso a projeção seja confirmada, o país encerrará o ano com mais de 5,3 milhões de veículos emplacados, considerando todas as categorias acompanhadas pela entidade.

O comportamento dos próximos meses dependerá da continuidade dos programas federais, do custo dos financiamentos e do ritmo da atividade econômica. A expansão de julho mostra que os incentivos tributários tiveram maior reflexo sobre os automóveis e comerciais leves, enquanto as linhas de crédito começaram a alcançar os segmentos de veículos pesados.