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Eleições 2026

Plano de Allyson aposta em 167 propostas e obras concretas, mas deixa custos e prioridades para depois

Programa nomeia projetos para saúde, educação e infraestrutura, porém condiciona decisões a um diagnóstico futuro das contas e dos serviços estaduais
05/08/2026 | 14:22

O plano de governo de Allyson Bezerra (União) para o Rio Grande do Norte reúne 167 propostas, número escolhido para coincidir com a quantidade de municípios potiguares. O documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem 44 páginas, está dividido em 11 capítulos e combina programas sociais, modernização administrativa e uma carteira de obras que inclui a terceira ponte sobre o Rio Potengi, a duplicação do acesso à Praia da Pipa e intervenções de drenagem em Ponta Negra.

A força do programa está na comunicação direta. Em vez de permanecer apenas em conceitos amplos, o texto nomeia projetos, equipamentos e locais. Isso permite ao eleitor identificar o que o candidato pretende entregar e, se eleito, cobrar compromissos concretos. A fragilidade aparece quando o documento precisa responder às perguntas mais difíceis: quanto custa, o que vem primeiro e de onde sairá o dinheiro.

Allyson
Allyson Bezerra, candidato do União Brasil ao Governo do RN - Foto: Reprodução

O ponto forte do plano de governo de Allyson

Na saúde, o programa apresenta 16 propostas. Entre elas estão um programa permanente de redução das filas, cirurgias eletivas com financiamento previsível, consórcios regionais, implantação de UTI pediátrica em pontos estratégicos, requalificação do Hospital Walfredo Gurgel, fortalecimento dos hospitais da Zona Norte, policlínicas regionais e integração entre prontuário e regulação.

Na educação, Allyson promete material escolar, fardamento, tênis, mochila e moletom, além de climatização, reforma permanente das escolas, um Pacto Potiguar pela Aprendizagem, bolsas para estudantes de baixa renda, combate à evasão, ensino de idiomas, intercâmbio e preparação para o Enem. O documento também cita escolas técnicas, fortalecimento da Uern, ciência, robótica e educação digital.

Na infraestrutura, o plano é igualmente reconhecível. Além da terceira ponte, do acesso a Pipa e da drenagem de Ponta Negra, fala em recuperação permanente das rodovias estaduais, cooperação para a BR-304, modernização do Porto de Natal e do Terminal Salineiro, mobilidade metropolitana, adutoras, barragens, poços, dessalinização e saneamento.

Essa concretude é o principal diferencial diante dos outros dois programas analisados pelo AGORA RN. O eleitor não recebe apenas a promessa genérica de “melhorar a infraestrutura”: encontra obras e serviços que podem ser acompanhados pelo nome.

Onde o programa perde força

O próprio plano informa que será “vivo”, aperfeiçoado ao longo do governo, com implantação gradual. A primeira medida prometida é uma “Radiografia Geral” da situação financeira, administrativa e operacional do Estado. A prudência é compreensível: ninguém governa com segurança sem conhecer contratos, dívidas, caixa, pessoal e condições dos serviços.

Mas essa escolha cria uma contradição. Se o diagnóstico ainda será realizado, o programa não explica com que base selecionou as 167 propostas nem quais delas sobreviverão caso a realidade fiscal seja pior do que o esperado. Não há orçamento por projeto, soma do custo anual, fonte de financiamento vinculada a cada promessa ou lista de prioridades para um cenário de receita insuficiente.

O texto cita transferências federais, emendas, financiamentos, consórcios, concessões e parcerias, mas não apresenta pactos firmados nem cronograma físico-financeiro. Obras como uma nova ponte, a duplicação de um acesso turístico e grandes intervenções de drenagem dependem de estudos, licenciamento, projetos executivos, desapropriações e, em alguns casos, cooperação com a União ou prefeituras.

A conta pública é o teste decisivo

O cenário fiscal torna essa lacuna relevante. O Relatório de Gestão Fiscal do RN registra pressão sobre caixa, dívida e despesas obrigatórias. O Tribunal de Contas do Estado informou déficit atuarial previdenciário de R$ 54,3 bilhões e cobrou medidas estruturantes.

Allyson promete recuperar liquidez, regularidade das obrigações e capacidade de investimento, além de buscar uma solução dialogada para a Previdência. Ainda assim, não diz quais despesas seriam contidas, que receitas poderiam crescer nem qual prazo seria necessário para o ajuste.

O desafio do candidato é transformar uma lista politicamente eficiente em contrato verificável. Das 167 propostas, quais cinco seriam absolutamente prioritárias? Quanto custariam o programa de bolsas, o kit escolar completo, a terceira ponte e os centros de referência em autismo? Essas respostas não aparecem no documento.

O que o eleitor pode cobrar

O plano de governo de Allyson tem mérito ao facilitar a compreensão do eleitor e ao nomear entregas em áreas sensíveis. Sua principal fraqueza é deixar para depois do diagnóstico as escolhas que determinam a viabilidade do conjunto. A “Radiografia Geral” pode ser um método responsável de início de gestão, mas não substitui a obrigação eleitoral de indicar prioridades, custos e fontes.

O documento completo pode ser consultado no portal oficial do TSE. Em outra reportagem, o AGORA RN mostrou o embate em que Cadu Xavier atacou Allyson durante a disputa estadual.

Esta reportagem considera exclusivamente o programa protocolado no TSE. A análise de viabilidade aponta informações ausentes no documento e não significa que uma proposta seja impossível de executar.