O custo da construção civil no Rio Grande do Norte voltou a subir em junho e manteve a trajetória de alta observada desde o início do ano. O Custo Unitário Básico da Construção (CUB/m²), principal referência utilizada pelo mercado para elaboração de orçamentos de obras, atingiu R$ 2.134,18 por metro quadrado no padrão R8-N, registrando elevação de 1,35% em relação a maio. Com o resultado, o indicador acumula cinco aumentos consecutivos em 2026, reforçando o cenário de pressão sobre a atividade imobiliária e os investimentos no setor.
Os dados foram divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), que atribui a continuidade da alta à combinação entre reajustes de materiais de construção, aumento dos custos de mão de obra, crédito mais caro e um ambiente macroeconômico que ainda limita a expansão dos investimentos privados.

Embora o CUB não represente o preço final dos imóveis, o indicador é amplamente utilizado por incorporadoras, construtoras, instituições financeiras e agentes do mercado como parâmetro para estimativas de custos de projetos residenciais. Sua evolução serve como termômetro da pressão sobre os custos de produção da construção civil e influencia decisões relacionadas ao lançamento de novos empreendimentos.
Para o presidente do Sinduscon-RN, Sérgio Azevedo, a sequência de altas demonstra que as empresas vêm enfrentando fatores que extrapolam a gestão operacional dos canteiros de obras.
“A construção civil vem fazendo sua parte, investindo em produtividade, inovação, industrialização e novas tecnologias para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência. Mas existem fatores que fogem ao controle das empresas. O elevado custo do capital, um ambiente econômico ainda instável e processos burocráticos que retardam investimentos acabam pressionando o custo final dos empreendimentos”, explicou Sérgio Azevedo.
Segundo a entidade, apesar dos investimentos realizados pelas empresas para elevar a produtividade, reduzir perdas e incorporar novas tecnologias construtivas, parte relevante da pressão sobre os custos decorre de fatores externos, especialmente o ambiente financeiro. A manutenção de juros elevados aumenta o custo do crédito para empresas e consumidores, encarece o financiamento da produção e reduz o ritmo de novos lançamentos imobiliários.
Além da questão financeira, o Sinduscon-RN aponta que entraves regulatórios continuam afetando a competitividade da construção civil. A entidade avalia que processos demorados de licenciamento, insegurança jurídica e excesso de exigências administrativas acabam produzindo efeitos econômicos comparáveis aos aumentos registrados nos principais insumos utilizados nas obras.
“Tempo também custa dinheiro. Licenciamentos demorados, insegurança jurídica e excesso de burocracia elevam o custo dos empreendimentos tanto quanto muitos insumos. Modernizar processos e aumentar a produtividade é hoje uma das principais formas de reduzir custos e ampliar a competitividade da construção civil.”