O gabinete de segurança de Israel aprovou nesta terça-feira (14) um orçamento de 1,3 bilhão de shekels — cerca de R$ 2,2 bilhões — para a criação de 34 novos assentamentos na Cisjordânia ocupada. A decisão amplia a política de expansão territorial do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em um momento de aumento da violência envolvendo colonos, intensificação das críticas internacionais e proximidade das eleições legislativas previstas para 27 de outubro.
A medida foi anunciada pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, um dos principais representantes da ala nacionalista da coalizão governista e líder do partido Sionismo Religioso. Segundo o ministro, o plano elevará para 103 o número de assentamentos autorizados durante sua gestão.

Além dos recursos destinados à implantação das novas comunidades, o governo aprovou outros 1,075 bilhão de shekels para obras de infraestrutura e acesso às áreas contempladas.
Smotrich classificou a decisão como histórica e atribuiu sua aprovação ao apoio de Netanyahu. Em comunicado, o ministro reafirmou sua oposição à criação de um Estado palestino e defendeu a ampliação da presença israelense na região.
“Estamos fortalecendo a segurança do Estado de Israel, eliminando a ideia de estabelecer um Estado terrorista no coração do país e consolidando nosso controle sobre a pátria na Judeia e Samaria”, afirmou, utilizando a denominação bíblica adotada pelo governo israelense para a Cisjordânia, território ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
A aprovação ocorre em um cenário de crescente isolamento diplomático do governo israelense em relação à política de assentamentos. Nas últimas semanas, Reino Unido e França anunciaram novas sanções contra colonos e organizações israelenses acusados de envolvimento em episódios de violência e na expansão dos assentamentos na Cisjordânia.
Os dois países cobraram ações rápidas de Israel para responsabilizar os envolvidos e sinalizaram que novas medidas poderão ser adotadas caso a situação permaneça inalterada.
O governo israelense reagiu às sanções classificando-as como uma tentativa de interferência política em um tema considerado de soberania nacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein, afirmou que as medidas representam uma “tentativa de impor uma posição política sobre o direito dos judeus de se instalar na terra de Israel e sobre o conflito israelense-palestino”, além de descrevê-las como “medidas vergonhosas”.
A expansão dos assentamentos permanece entre os principais pontos de divergência nas negociações envolvendo israelenses e palestinos. A Organização das Nações Unidas (ONU), a Corte Internacional de Justiça e grande parte da comunidade internacional consideram os assentamentos instalados em territórios ocupados desde 1967 ilegais à luz do direito internacional.
Israel contesta essa interpretação e sustenta que a situação jurídica dos territórios deve ser definida por meio de negociações políticas.
Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos distribuídos pela Cisjordânia, sem considerar Jerusalém Oriental, anexada por Israel e reivindicada pelos palestinos como futura capital de um Estado independente. Na mesma região vivem cerca de 3 milhões de palestinos, em um território que continua sendo um dos principais focos de tensão no Oriente Médio.
A aprovação do novo programa de assentamentos ocorre às vésperas da campanha eleitoral israelense e reforça o peso da agenda territorial no debate político interno.
Analistas avaliam que a medida dialoga com a base eleitoral dos partidos nacionalistas e religiosos que integram a coalizão de Netanyahu, enquanto amplia o atrito diplomático com aliados ocidentais que defendem a retomada das negociações para uma solução de dois Estados.