O jornalista Renato Machado, ex-apresentador do Bom Dia Brasil, morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi informada.
Renato Machado foi um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro e construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na TV Globo. Ao longo da carreira, apresentou o Bom Dia Brasil, o Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional, atuou como correspondente internacional e repórter especial, além de receber uma indicação ao Emmy Internacional.

Entre 1996 e 2010, acumulou as funções de apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil. Durante esse período, participou da reformulação do telejornal, que passou a adotar um formato mais dinâmico, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo de repórteres e comentaristas e melhor aproveitamento do estúdio. Nesse período, dividiu a bancada com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos.
Em nota, a Clínica São Vicente lamentou a morte do jornalista e manifestou solidariedade aos familiares.
Trajetória
Renato Machado iniciou a carreira em 1969 como repórter do Jornal do Brasil. Em 1982, ingressou na TV Globo e participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes trabalhos na emissora.
No ano seguinte, foi enviado para Londres como correspondente internacional. Durante o período no exterior, cobriu acontecimentos como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o acidente nuclear de Chernobyl. Ao retornar ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial.
Em 1990, deixou a TV Globo para integrar a equipe da TV Manchete, onde acompanhou a Guerra do Golfo. No ano seguinte, retornou à emissora e, nos cinco anos seguintes, participou da cobertura de fatos marcantes, como o impeachment do então presidente Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna.
Em depoimento ao projeto Memória Globo, Renato definiu o telejornalismo como um processo permanente de aprendizado.
“Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra.”
Em setembro de 2011, Renato Machado voltou a Londres como correspondente da TV Globo. Na função, participou da cobertura dos ataques ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, das comemorações pelos 95 anos de Nelson Mandela e da crise econômica na Grécia.
Na Europa, também produziu reportagens sobre uma de suas maiores paixões: o vinho. Em 2014, realizou para o Jornal Hoje uma série na região da Provença, na França, abordando a produção vinícola, além de aspectos da gastronomia, da cultura e do comportamento local.
Ao comentar uma das reportagens, afirmou:
“Nossa última matéria é a minha favorita, porque falamos sobre vinho. A Provença é uma região produtora de vinhos e também é corredor de um vento famoso que vem dos Alpes, o mistral. Esse vento sopra algumas vezes por ano e é gelado: as pessoas sempre levam um casaco, caso ele apareça. Entre as particularidades dele está a característica de afastar o vento quente e limpar as vinícolas, conservar melhor a uva.”
Nos anos seguintes, continuou compartilhando conteúdos sobre o universo dos vinhos nas redes sociais. Em janeiro de 2016, deixou o posto de correspondente em Londres, sendo substituído pela jornalista Cecília Malan.
Após retornar ao Brasil, Renato passou a atuar como repórter especial do Globo Repórter. Um dos trabalhos de maior repercussão foi a edição “A arte como passaporte”, exibida em 2016, que mostrou iniciativas de música e dança voltadas à transformação social de famílias em situação de vulnerabilidade.
A reportagem apresentou o trabalho do Instituto Baccareli, em Heliópolis, na capital paulista, que atende mais de 1,3 mil crianças a partir dos quatro anos de idade, além da trajetória de uma bailarina carioca formada em um projeto social da Mangueira que alcançou destaque nos Estados Unidos.
O programa recebeu indicação ao Emmy Internacional na categoria Atualidade. Em entrevista concedida há seis anos, Renato destacou a importância do Globo Repórter em sua trajetória profissional.
“O Globo Repórter, na minha vida profissional, eu diria que tem um papel mais do que fundamental. Ele sempre esteve presente, em todos os momentos. E foi, para o Globo Repórter, que desenvolvi algumas reportagens das quais me lembro e que ficaram como exemplo para mim de trabalho, esforço coletivo e superação de dificuldades.”
Renato Machado deixou a TV Globo em novembro de 2021, encerrando uma carreira marcada pela atuação como apresentador, correspondente internacional e repórter especial em algumas das principais coberturas jornalísticas das últimas décadas.