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Jude Bellingham

Bellingham revive auge na Copa com a Inglaterra

Meia volta a atuar com liberdade para infiltrar na área, marca seis gols no Mundial e repete função que o transformou em candidato à Bola de Ouro no Real Madrid
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 14:32

Jude Bellingham chega à semifinal da Copa do Mundo de 2026 vivendo seu melhor momento desde a primeira temporada no Real Madrid. Autor dos dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega nas quartas de final, o camisa 10 alcançou seis gols no torneio e voltou a exercer uma função que marcou seu auge sob o comando de Carlo Ancelotti na temporada 2023/24: a de meio-campista com liberdade para infiltrar na área e atuar como finalizador.

A mudança de desempenho não está ligada apenas ao posicionamento do jogador, mas à forma como a Inglaterra organiza seu ataque. Harry Kane, referência ofensiva da equipe, tem deixado a área com frequência para participar da construção das jogadas, atraindo marcadores e abrindo o corredor central para as infiltrações de Bellingham. O movimento permite que o meia apareça em zonas de finalização, característica que o transformou em um dos principais jogadores do futebol europeu.

Bellingham
Bellingham vencendo o goleiro norueguês em duelo pelas quartas de finais - Foto: Reprodução / instagram

A dinâmica reproduz uma estratégia desenvolvida por Carlo Ancelotti no início da passagem de Bellingham pelo Real Madrid. Com a saída de Karim Benzema para o futebol saudita e sem um centroavante de referência, o treinador italiano remodelou o ataque da equipe espanhola. Rodrygo e Vinicius Júnior atuavam abertos pelos lados, enquanto Bellingham ocupava o espaço central para chegar de trás e concluir as jogadas. A fórmula levou o inglês a marcar 23 gols e distribuir 13 assistências em 42 partidas, desempenho que o colocou entre os candidatos à Bola de Ouro e ajudou o clube a conquistar LaLiga e Liga dos Campeões.

“O Bellingham passou por uma evolução muito grande quando chegou ao Real Madrid. Ele era um meio-campista de chegada, mas ainda um interior. Ancelotti entendeu que, com a saída de Benzema e sem a chegada de um centroavante, o jogador de área da equipe precisava ser Jude Bellingham”, afirmou o jornalista Fernando Sánchez Tavero, do diário espanhol As, que acompanha o Real Madrid e cobre a Copa do Mundo.

Segundo Tavero, aquele período representou o auge técnico do jogador. “Ancelotti montou a equipe ao redor dessa ideia, com Rodrygo e Vinicius como atacantes que saíam da referência e deixavam o corredor central para Bellingham. Foi assim que vimos sua melhor versão nos primeiros seis meses, quando ele virou candidato à Bola de Ouro.”

O cenário mudou com a chegada de Kylian Mbappé ao Real Madrid. Com o atacante francês ocupando a faixa central do ataque e assumindo a maior parte das finalizações, Bellingham passou a atuar mais distante da área. Além de participar mais da construção das jogadas, o inglês assumiu funções defensivas e, em diversos momentos, foi deslocado para o lado esquerdo do campo.

“No período seguinte no Real Madrid, em que precisou conviver com Kylian Mbappé e Vinicius, Bellingham ficou em uma posição um pouco indefinida. Passou a atuar como meio-campista e, às vezes, aberto pelo lado esquerdo para defender. Com isso, deixou de ocupar tantas zonas de finalização”, explicou Tavero.

Para o jornalista espanhol, um dos principais desafios do técnico José Mourinho no clube espanhol será encontrar uma forma de potencializar simultaneamente Bellingham e Mbappé. “Essa zona de finalização pertence mais a Kylian Mbappé, e a convivência entre os dois não está sendo simples. Uma das tarefas do treinador é fazer Bellingham e Mbappé serem compatíveis. Acho até mais importante do que trabalhar a compatibilidade entre Vinicius e Mbappé.”

Na seleção inglesa, porém, o contexto favorece novamente o camisa 10. Kane desempenha papel semelhante ao exercido por Benzema em seus últimos anos de Real Madrid: participa da construção, recua para dialogar com os meias e libera espaço para que outro jogador ataque a área. O resultado tem sido imediato. Bellingham marcou quatro gols nos dois últimos jogos da Inglaterra e assumiu a artilharia da equipe no Mundial.

“Harry Kane é um atacante que entende muito bem a posição. Para mim, é o centroavante mais inteligente do mundo e o que melhor interpreta os companheiros. Ele está entendendo que o melhor Bellingham é aquele que chega de trás e encontra espaço para aparecer”, afirmou Tavero.

Segundo o jornalista, o inglês reúne características incomuns para um meio-campista. “Bellingham está marcando gols de camisa 9 porque é um meio-campista, mas tem faro de atacante. Também tem físico e capacidade para chegar rapidamente à área e finalizar. Neste Mundial, estamos vendo um Bellingham muito parecido com o dos primeiros seis meses no Real Madrid.”

Apesar do retorno ao protagonismo ofensivo, Tavero considera que a experiência adquirida nas funções mais recuadas pode ampliar o repertório do jogador. “Pensando no futuro, Bellingham pode utilizar essa mistura de posições, sua capacidade de chegada e o papel que também precisa desempenhar no Real Madrid como meio-campista para se tornar um jogador mais completo. Isso também poderá favorecer a seleção inglesa.”

A Inglaterra enfrenta a Argentina nesta quarta-feira (15), às 16h (de Brasília), em Atlanta, valendo uma vaga na final da Copa do Mundo. Antes, nesta terça-feira, França e Espanha disputam a primeira semifinal, em Dallas. Os vencedores decidirão o título no domingo.