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Tecnologia

Número de crianças de 10 a 13 anos com celular cai

Faixa etária de 10 a 13 anos foi a única a registrar queda na posse de celulares e no acesso à internet entre 2024 e 2025
Por O Correio de Hoje
03/07/2026 | 16:00

O número de crianças de 10 a 13 anos que possuem telefone celular para uso pessoal diminuiu no Brasil entre 2024 e 2025, tornando essa faixa etária a única a registrar queda no indicador, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a posse de celulares continuou crescendo entre praticamente todos os grupos da população, o percentual entre crianças passou de 56,7% para 55,2%.

Além da redução na posse de aparelhos, o levantamento identificou uma leve queda no acesso à internet entre pessoas de 10 a 13 anos. O índice recuou de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025, interrompendo a tendência de crescimento observada nos últimos anos.

Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital - Foto: Freepik
Cai número de crianças com celular próprio no Brasil pela primeira vez, aponta IBGE - Foto: Freepik

Para o analista do IBGE Gustavo Fontes, o resultado reflete mudanças recentes na percepção das famílias e da sociedade sobre o uso de dispositivos eletrônicos por crianças.

“A gente vê cada vez mais uma discussão, uma preocupação com a segurança das crianças e com a exposição, por exemplo, às redes sociais. Vimos uma restrição ao uso de celulares nas escolas. Desde o ano passado tem havido uma discussão intensa sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, o ECA Digital. Então isso tudo está influenciando”, avalia Gustavo Fontes.

O debate sobre o uso de celulares por crianças também está presente na rotina de muitas famílias. É o caso do professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Ivo Coser, de 63 anos, que decidiu, junto com a esposa, adiar a entrega de um celular para a filha Laura, de 11 anos.

Segundo o professor, no início a filha questionou a decisão dos pais ao ingressar em uma escola maior, onde passou a conviver com colegas que já possuíam celular. Com o passar do tempo, porém, ela deixou de insistir. Agora, Laura utiliza apenas um tablet equipado com controle parental. O planejamento da família é permitir que ela tenha um telefone celular apenas aos 16 anos.

Para o coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas (FGV), Luca Belli, o país começa a registrar uma mudança de comportamento dos pais em relação ao uso de celulares por crianças, impulsionada tanto pelo debate legislativo quanto pelo aumento da conscientização sobre os riscos da exposição precoce às redes sociais. Segundo ele, embora a redução seja positiva, ainda representa um movimento inicial.

“É muito positivo que haja uma diminuição no uso, e entendo que há uma conexão direta com a legislação e com a tomada de consciência. Porém, é um fenômeno ainda muito incipiente. Acho que deveria haver uma política pública muito mais assertiva sobre a conscientização dos riscos.”

O pesquisador cita experiências internacionais como referência. A Austrália foi o primeiro país a aprovar uma legislação proibindo menores de 16 anos de manterem contas em redes sociais. Medidas semelhantes foram adotadas pela Indonésia, enquanto o Reino Unido prevê implementar restrições semelhantes a partir do próximo ano.

Na direção oposta ao comportamento observado entre as crianças, a população idosa apresentou o maior crescimento na posse de celulares. Entre pessoas com 60 anos ou mais, o percentual passou de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025. Em 2019, apenas 66,7% dos idosos possuíam telefone celular para uso pessoal, demonstrando um avanço contínuo da inclusão digital nesse grupo.

A pesquisa também mostra que o acesso à internet atingiu o maior nível da série histórica. Em 2025, o País contabilizou 76 milhões de domicílios conectados, o equivalente a 95% das residências brasileiras. No total, 168,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais utilizaram a internet, correspondendo a 90,5% dessa população.

Outro dado mostra que, pela primeira vez desde o início da série histórica, mais da metade dos usuários da internet realizou compras pela internet.