Os setores de Comércio e Serviços impediram um resultado ainda pior do mercado de trabalho formal no Rio Grande do Norte em maio. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), analisados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), mostram que atividades ligadas ao consumo das famílias e à prestação de serviços essenciais responderam pela maior parte das contratações no período, compensando parcialmente as perdas registradas na agropecuária e na construção civil.
No geral, o Estado encerrou maio com saldo positivo de apenas 109 empregos com carteira assinada, resultado da diferença entre 19.380 admissões e 19.271 desligamentos. Apesar de representar uma reversão em relação a abril, quando foram fechadas 156 vagas, o desempenho foi o pior para um mês de maio desde 2020, início da pandemia de covid-19, e colocou o Rio Grande do Norte na penúltima posição do Nordeste, à frente apenas de Alagoas. Em comparação com maio de 2025, quando foram abertas 2.159 vagas, o saldo deste ano corresponde a apenas 5% do registrado no mesmo período.

Os setores de Comércio e Serviços, juntos, criaram 546 postos de trabalho — 146 no comércio e 400 nos serviços —, volume equivalente a mais de cinco vezes o saldo total registrado pelo estado. Na avaliação da Fecomércio RN, o resultado evidencia um mercado de trabalho dividido entre atividades que seguem sustentadas pelo consumo das famílias e segmentos mais sujeitos à sazonalidade e às oscilações da agroindústria.
Entre as atividades que mais contrataram em maio estão a saúde, com 275 vagas abertas, supermercados (+123), comércio de veículos e peças (+98), educação (+61), armazenamento e logística (+51) e farmácias (+45).
“O setor terciário voltou a exercer um papel decisivo para a economia potiguar, demonstrando capacidade de sustentar a atividade e a geração de empregos mesmo em um cenário de desaceleração em outras áreas”, afirmou o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz.
Na direção oposta, a agropecuária fechou 244 postos de trabalho e a construção civil perdeu 229 vagas no mês. As maiores reduções ocorreram no cultivo de melão (-291), nas obras de infraestrutura (-104) e na construção de edifícios (-63). A indústria também apresentou desempenho modesto, com saldo positivo de apenas 38 vagas.
Para o economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), o resultado reforça um quadro de desaceleração da economia estadual. “Como a gente já vinha com um saldo negativo do mês passado, houve um certo crescimento, mas inexpressivo no sentido de algum crescimento econômico. É um dado bem preocupante, porque mês a mês o estado vem mostrando uma incapacidade de crescimento econômico de geração de empregos”, avaliou.
No acumulado de janeiro a maio, o Rio Grande do Norte registra saldo de apenas 215 empregos formais. Comércio e Serviços sustentam esse resultado, com 5.390 vagas criadas no período. Os principais destaques são saúde (+909), educação (+831), comércio atacadista (+362), comércio de veículos e peças (+290) e farmácias (+133). A construção civil também acumula saldo positivo de 1.560 postos de trabalho.
Por outro lado, a agropecuária registra perda de 5.580 vagas no ano, influenciada principalmente pelo cultivo de melão, responsável por 3.787 desligamentos líquidos. A indústria também apresenta saldo negativo de 1.149 empregos, fatores que limitaram o desempenho do mercado de trabalho potiguar nos primeiros cinco meses de 2026.