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Produção leiteira

Leite cresce, mas custo desafia setor

Produção supera 1 milhão de litros por dia no RN, enquanto cadeia busca reduzir custos, ampliar produtividade e ganhar competitividade
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 16:58

O Rio Grande do Norte ultrapassou a marca de 1 milhão de litros de leite produzidos por dia e vive um novo momento de expansão da cadeia láctea. O avanço foi tema de seminário realizado na Casa da Indústria, em Natal, pelo Sindileite RN, com apoio do Sistema Fiern, reunindo produtores, indústrias, especialistas e entidades ligadas ao setor.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirmou que a atividade voltou a ganhar força após um período de retração. Segundo ele, o setor teve um auge em 2010 e retomou crescimento nos últimos quatro anos.

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Produção de leite na região do Seridó, maior área de atuação do setor no Estado, que também sofre com a competitividade - Foto: josé aldenir

“É um setor pujante do Estado, teve seu auge em 2010 e agora retoma. Nos últimos quatro anos, esse setor tem tido um crescimento e realmente merece avançar nesse potencial”, disse Serquiz. Para ele, a cadeia do leite tem importância econômica e social. “É um setor estratégico e tem um alcance exatamente no ambiente rural, onde gera emprego, renda e movimenta uma dinâmica econômica. E mais, tem um aspecto de atendimento a uma carência alimentar”, afirmou.

Apesar do crescimento, o custo de produção ainda aparece como um dos principais obstáculos à competitividade. Durante o seminário, especialistas apontaram que o preço da matéria-prima segue elevado em comparação com o leite vindo de outros Estados e até de países do Mercosul. A avaliação é que o RN tem mercado consumidor, base produtiva e indústria capaz de fabricar bons produtos, mas precisa ampliar a eficiência dentro das propriedades. Uma das propostas discutidas foi aproximar o conhecimento técnico dos produtores para elevar a produtividade por animal e reduzir custos. Também foi defendido que o crescimento ocorra de forma planejada, com responsabilidade e integração entre campo e indústria.

A reportagem mostrou ainda o peso da indústria de derivados. Uma empresa instalada em Natal consome cerca de 30 mil litros de leite por dia, vindos de várias cidades do Estado, e fabrica aproximadamente 45 itens, entre queijos, iogurtes e requeijão.

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Roberto Serquiz, presidente da Fiern, trabalha para transformar o setor no País – Foto: josé aldenir

No encontro, foi apresentado um diagnóstico inédito da cadeia produtiva e um plano de avanço industrial construído com participação de produtores, indústrias e especialistas. O estudo aponta que o caminho para ganhar competitividade passa por inovação, tecnologia, maior eficiência nas propriedades e nas fábricas, capacitação e assistência técnica.

Entre os gargalos citados estão a falta de reserva alimentar para os animais durante o período seco e a permanência da ordenha manual em muitas propriedades. Foi feita uma comparação com a região de Castro, no Paraná, onde propriedades mantêm estoque de silagem e feno para até um ano e meio. No RN, a seca ainda afeta a regularidade da produção.

A modernização também foi associada à sucessão familiar no campo. Segundo avaliação apresentada no seminário, a mecanização da ordenha melhora a higiene e a qualidade do leite, além de tornar a atividade mais atraente para os jovens que podem suceder os pais nas propriedades.

O Senar foi citado como parceiro no processo de capacitação. A entidade atende 1.250 produtores rurais em 83 municípios do RN na área de pecuária de leite, com ações voltadas à tecnologia, inovação e qualificação. Outro ponto abordado foi a produção no semiárido. A avaliação é que é possível produzir leite de qualidade mesmo em regiões de clima adverso, desde que haja garantia de alimento para os animais. A distribuição de palma forrageira foi apontada como uma das principais políticas de convivência com o semiárido.

Também foram citados os preços pagos atualmente pelo leite, entre R$ 2,82 e R$ 2,85 por litro, enquanto o mercado pratica valores entre R$ 2,50 e R$ 2,70. O setor ainda se recupera das dificuldades enfrentadas no segundo semestre do ano passado, marcado pela seca. Como reforço, foi mencionado incremento no PAA Leite, com recursos federais, para ampliar as compras da produção local.