A seleção brasileira encontrou em um gesto simples uma forma de reforçar a mensagem de união durante a disputa da Copa do Mundo. Desde a estreia contra Marrocos, o grupo passou a reunir todos os convocados para a foto oficial antes das partidas, rompendo com o protocolo tradicional que prevê apenas a presença dos 11 titulares no registro.
A iniciativa surgiu de maneira espontânea ainda antes do primeiro jogo da equipe no torneio. Como todos os jogadores já estavam perfilados para a execução dos hinos nacionais, alguns dos líderes do elenco sugeriram que o grupo permanecesse reunido também para a fotografia oficial. A proposta foi bem recebida pelos atletas e pela comissão técnica, transformando-se rapidamente em uma marca da campanha brasileira.

O gesto foi repetido na vitória sobre o Haiti e deverá ser mantido ao longo da competição. A avaliação interna é que a imagem ajuda a transmitir uma ideia de integração entre titulares e reservas em um torneio no qual a profundidade do elenco pode ser determinante para o desempenho esportivo.
“É muito bom para todo mundo perceber o quão importante é. Eu comecei no banco contra Marrocos, joguei esse (contra Haiti). Esses pequenos passos que a gente dá, de se unir nesses momentos, fazem parte de um grande objetivo que a gente quer chegar”, afirmou o atacante Matheus Cunha.
Nos dois compromissos da seleção, 25 dos 26 convocados participaram da foto. A única ausência foi Neymar. Embora tenha sido relacionado e permanecido no banco de reservas diante de Marrocos, o camisa 10 ainda não utilizava uniforme de jogo nem participou da cerimônia dos hinos por estar em fase final de recuperação de uma lesão na panturrilha direita.
Pelas regras da Fifa, os jogadores reservas devem se dirigir ao banco imediatamente após a execução dos hinos nacionais. Ainda assim, algumas seleções também adotaram a prática de reunir todo o elenco para a foto oficial, entre elas África do Sul, Equador, Irã, México e Uruguai. A maior parte das equipes participantes, contudo, continua seguindo o modelo tradicional com apenas os titulares.
A decisão brasileira ocorre em um momento em que Carlo Ancelotti busca fortalecer o ambiente interno do grupo. Desde o início da preparação para a Copa, a comissão técnica tem enfatizado a importância da participação de todos os atletas em uma competição marcada por desgaste físico, suspensões e lesões.
A imagem coletiva também remete a um dos símbolos da campanha do tetracampeonato mundial, conquistado nos Estados Unidos em 1994. Naquele torneio, a seleção entrou em campo de mãos dadas antes das partidas, gesto iniciado ainda durante as Eliminatórias por iniciativa do zagueiro Ricardo Rocha e que acabou associado à coesão do elenco comandado por Carlos Alberto Parreira.
Agora, a foto com todos os convocados busca cumprir papel semelhante. Mais do que um registro protocolar, a imagem tornou-se uma demonstração pública da tentativa de construir um ambiente de unidade em torno da busca pelo hexacampeonato.
A próxima fotografia está prevista para esta quarta-feira 24, quando o Brasil enfrenta a Escócia, em Miami, pela última rodada da fase de grupos. Caso avance até a decisão, a seleção ainda poderá repetir o ritual em outras seis partidas na Copa do Mundo.