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Oriente Médio

Trump eleva pressão sobre o Irã e ameaça

Trump condiciona avanço diplomático ao fim das ações do Hezbollah, enquanto Teerã exige interrupção dos combates para prosseguir com acordo definitivo
Por O Correio de Hoje
23/06/2026 | 16:14

As negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio começaram sob novo aumento de tensão diplomática. O presidente Donald Trump ameaçou realizar novos ataques contra o Irã caso Teerã não consiga interromper as ações do Hezbollah no Líbano, enquanto o governo iraniano condicionou qualquer avanço nas conversas à interrupção dos combates na região.

A nova rodada de negociações teve início neste domingo 21, na Suíça, e reuniu representantes dos dois países em busca de um acordo mais amplo após a assinatura de um memorando de entendimento que prevê um prazo de 60 dias para a construção de um pacto definitivo.

Trump 04

Horas antes da abertura das conversas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã não avançará para a etapa final das negociações enquanto não houver o cumprimento das cláusulas relacionadas ao cessar-fogo.

“Sem a implementação dessas disposições, especialmente o parágrafo 1, a entrada na fase de negociação para o acordo final não é possível”, escreveu Baqaei na rede social X.

Apesar dos esforços diplomáticos, os confrontos no Líbano continuam. Embora um oficial do Exército israelense tenha informado que as Forças de Defesa de Israel receberam orientação para interromper operações militares no sul do país vizinho, a imprensa estatal libanesa relatou novos bombardeios em cerca de 20 localidades durante o sábado, 20.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 30 pessoas morreram nos ataques mais recentes. Desde o início da guerra, o número de vítimas fatais no país ultrapassou 4 mil, alcançando 4.057 mortos. O Exército israelense também informou a morte de mais um militar em combate, elevando para cinco o número de soldados mortos no Líbano desde o anúncio do memorando firmado entre Washington e Teerã.

O Hezbollah atribuiu a Israel a responsabilidade pelas violações dos acordos de cessar-fogo anunciados até agora. Desde o início do conflito, três tentativas de trégua chegaram a ser formalizadas, mas nenhuma delas resistiu por mais do que algumas horas.

A permanência dos combates tornou-se um dos principais obstáculos para o avanço das negociações diplomáticas. A nova rodada de conversas ocorre em meio à decisão do Irã de voltar a fechar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo e gás natural. A medida elevou as preocupações dos mercados internacionais de energia e levou Washington a discutir mecanismos de pressão econômica adicionais.

Trump afirmou que poderá impor uma taxa sobre a navegação no estreito caso não haja acordo ao final das negociações.

“Não haverá pedágio no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de 60 dias, nem depois desse período, a menos que os EUA decidam implementá-lo se não houver acordo”, escreveu o presidente americano.

O estreito permaneceu parcialmente bloqueado durante boa parte da guerra, contribuindo para episódios de volatilidade nos preços internacionais da energia.

Ao comentar os confrontos no Líbano, Trump fez um alerta direto ao governo iraniano.

“Se eles não fizerem isso, atacaremos o Irã novamente com muita força, como fizemos na semana passada, ou até com mais força”, afirmou em publicação na rede Truth Social, referindo-se à necessidade de o Hezbollah interromper os ataques.

A delegação americana na Suíça é liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, que se juntou ao enviado especial Steve Witkoff e a Jared Kushner, conselheiro informal da Casa Branca e genro de Trump.

Do lado iraniano, as conversas contam com a participação de representantes diplomáticos apoiados por mediadores do Catar e do Paquistão, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã. Além das questões militares e regionais, o programa nuclear iraniano permanece no centro das negociações.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que o país está disposto a oferecer garantias formais de que não pretende desenvolver armas nucleares. Ao mesmo tempo, reafirmou que Teerã não abrirá mão do direito de enriquecer urânio para fins civis.