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Saúde

Estudo indica que vitamina C ajuda a preservar o cérebro

Pesquisa com mais de 2 mil idosos encontrou relação entre níveis adequados da vitamina e melhor conservação de estruturas cerebrais importantes para memória e atenção.
Por O Correio de Hoje
22/06/2026 | 13:01

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Hirosaki, no Japão, encontrou evidências de que níveis adequados de vitamina C podem estar associados à preservação de estruturas cerebrais importantes para funções cognitivas durante o envelhecimento. A pesquisa, publicada na revista científica PLOS One, analisou dados de 2.044 adultos japoneses com mais de 64 anos e identificou diferenças relevantes entre participantes com maiores e menores concentrações da vitamina no sangue.

Os resultados indicaram que idosos com níveis reduzidos de vitamina C no plasma sanguíneo apresentavam menor preservação de áreas cerebrais relacionadas a processos como memória, atenção e outras funções cognitivas. Embora os pesquisadores ressaltem que o estudo não comprova uma relação de causa e efeito, os achados reforçam a importância da nutrição para a manutenção da saúde cerebral ao longo da vida.

vitamina c
Vitamina C participa de processos importantes do organismo e fortalece o sistema imunológico - Foto: Magnific

A investigação foi liderada pela pesquisadora Haruka Nagaya e sua equipe na Universidade de Hirosaki. Para avaliar a possível relação entre vitamina C e funcionamento cerebral, os cientistas utilizaram exames de ressonância magnética e análises laboratoriais de sangue dos participantes.

Durante o estudo, foram examinados o volume de massa cinzenta e de massa branca presentes no cérebro dos voluntários. Os pesquisadores ajustaram os resultados para levar em consideração diferenças naturais no tamanho cerebral de cada indivíduo, permitindo uma comparação mais precisa entre os participantes.

Além da análise estrutural do cérebro, os cientistas também investigaram a conectividade da chamada rede de modo padrão, conhecida na literatura científica como “default mode network”. Essa rede cerebral está relacionada a funções importantes, como atenção, memória autobiográfica, planejamento e outros processos cognitivos complexos.

Após a análise dos dados, os pesquisadores observaram que participantes com menores concentrações plasmáticas de vitamina C apresentavam, de forma geral, redução do volume de massa cinzenta e menor conectividade nessa rede cerebral. Os resultados permaneceram consistentes mesmo após o controle de fatores que também podem influenciar a saúde do cérebro, como idade, escolaridade e prática de atividade física.

Segundo os autores, os achados sugerem que a manutenção de níveis adequados de vitamina C pode estar associada a uma melhor preservação das estruturas cerebrais envolvidas no desempenho cognitivo durante o processo de envelhecimento. A pesquisa amplia o conhecimento sobre os possíveis fatores nutricionais relacionados à saúde neurológica e ao envelhecimento saudável.

Apesar da associação observada, os cientistas enfatizam que os resultados não permitem concluir que a vitamina C seja diretamente responsável pelas diferenças encontradas nas imagens cerebrais. Eles afirmam que novos estudos serão necessários para esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos e determinar se existe uma relação causal entre a concentração da vitamina e a preservação das funções cognitivas.

A vitamina C é conhecida principalmente por seu papel no fortalecimento do sistema imunológico e na proteção das células contra danos causados pelos radicais livres. Além disso, participa da formação do colágeno, auxilia na absorção de ferro e desempenha funções importantes em diversos processos metabólicos do organismo.

Os pesquisadores destacam que a saúde cerebral é resultado de múltiplos fatores e que a alimentação representa apenas um dos elementos envolvidos na prevenção do declínio cognitivo. Hábitos relacionados ao estilo de vida continuam sendo apontados como fundamentais para a manutenção das funções mentais ao longo dos anos.

Entre as medidas mais recomendadas por especialistas estão a prática regular de atividade física, que contribui para a circulação sanguínea e para o funcionamento cerebral; uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, peixes, azeite e oleaginosas; além de um sono adequado, considerado essencial para a consolidação da memória e para a eliminação de resíduos produzidos pelo cérebro.

Outras estratégias associadas à preservação cognitiva incluem o estímulo intelectual contínuo, por meio da leitura, aprendizado de novas habilidades, idiomas e jogos de raciocínio, bem como a manutenção de uma vida social ativa. Estudos anteriores já demonstraram que a interação social frequente está relacionada à redução do risco de declínio cognitivo em idosos.

A gestão do estresse também aparece entre os fatores apontados por especialistas como relevantes para a saúde cerebral. Técnicas como meditação, exercícios respiratórios e práticas de atenção plena podem contribuir para a redução dos efeitos negativos do estresse crônico sobre o funcionamento do cérebro.

Embora novas pesquisas sejam necessárias para aprofundar o conhecimento sobre o papel da vitamina C na preservação cognitiva, os resultados obtidos pelos pesquisadores japoneses acrescentam evidências ao crescente conjunto de estudos que investigam a influência da alimentação sobre a saúde cerebral e a qualidade do envelhecimento.