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Animais

Castração é principal forma de prevenir piometra em cadelas

Infecção bacteriana no útero pode evoluir para septicemia, causar falência de órgãos e ter desfecho fatal se não for tratada rapidamente
Por O Correio de Hoje
22/06/2026 | 12:47

A piometra, infecção bacteriana que afeta o útero de cadelas e gatas, pode evoluir rapidamente para um quadro de septicemia e provocar a morte do animal se não for diagnosticada e tratada a tempo. O alerta foi feito pelo médico veterinário Robson Góis durante entrevista ao programa Panorama 95, da 95 FM de Caicó.

Segundo o especialista, a doença é considerada uma emergência veterinária devido ao risco de disseminação da infecção para outros órgãos.

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Médico veterinário Robson Góis na 95 FM - Foto: Reprodução

“A piometra em cadelas e gatas se torna uma emergência em virtude da possibilidade do animal ir a óbito muito rápido. Pio vem de pus, metra vem de útero. É uma infecção bacteriana no útero. E essa infecção bacteriana pode se espalhar para todo o corpo, causando uma septicemia e levando o animal, muitas vezes, a óbito”, explicou.

De acordo com Robson Góis, os principais sinais clínicos incluem aumento da ingestão de água, aumento da frequência urinária, emagrecimento, febre e crescimento abdominal. Em alguns casos, também pode haver secreção vaginal.

“As principais sintomatologias que o animal apresenta, tanto para a gata como para a cadela, são beber muita água, urinar bastante, começar a emagrecer, aumentar o abdômen. A barriga do animal começa a aumentar quando a piometra é fechada.”

O veterinário explicou que existem duas formas principais da enfermidade: a piometra aberta e a piometra fechada.

“A piometra fechada é quando o líquido, o pus, começa a acumular dentro do útero e não sai nada. E a piometra aberta é quando essa infecção bacteriana acontece dentro do útero, mas você começa a observar que está saindo secreção pela vagina, pelos lábios vulvares, pela vulva do animal”, disse.

Segundo ele, na forma aberta é possível observar secreções amareladas, achocolatadas ou sanguinolentas.

“Você começa a observar que está saindo uma secreção amarelada, ou uma secreção achocolatada, ou uma secreção sanguinolenta.”

Para Robson Góis, a forma fechada é a mais preocupante.

“Para mim é mais perigosa. Por quê? Porque acumula a bactéria dentro do útero. Na aberta, está sendo eliminado. Então, está eliminando uma grande parte das bactérias através da secreção que está saindo do útero. Já a fechada, fica acumulada essa quantidade de bactéria e o organismo reabsorve muito”, afirmou.

Ele alerta que o acúmulo de pus pode provocar ruptura uterina.

“Isso daí pode chegar até a ruptura do útero. E esse líquido, quando rompe, cai na cavidade abdominal, causando uma peritonite severa. E a maioria desses animais que causam ruptura uterina, infelizmente, vão a óbito.”

O principal exame utilizado para identificar a doença é a ultrassonografia abdominal.

“A ultrassonografia é um exame não invasivo e que tem uma extraordinária resolutividade no diagnóstico de piometra”, destacou.

O médico veterinário ressalta, entretanto, que outros exames complementares também são necessários.

“É necessário fazer todos os exames diagnósticos, que seja o hemograma para ver se esse animal tem um quadro infeccioso e qual o tamanho dessa infecção, fazer exame de ultrassonografia abdominal para detectar se existe presença de líquido dentro do útero”, explicou.

Segundo ele, a ultrassonografia identifica a presença de líquido, mas não define sua natureza.

“A ultrassonografia só diz se existe presença ou não de líquido dentro do útero. Quem vai dar o suporte para saber se é infeccioso ou não vai ser os outros exames complementares, como o hemograma”, acrescentou.

O tratamento mais indicado é a cirurgia para remoção do útero e dos ovários.

“Em animais onde a piometra é fechada, em animais onde o valor agregado desse animal não é tão alto, é mais um valor de estimação, a indicação é que seja feita a castração desse animal, que seja feita a cirurgia para remover toda a fonte de infecção e tratar esse animal para evitar a morte desse animal”, afirmou.

Em alguns casos específicos, pode ser adotado tratamento clínico.

“Existem alguns animais que o médico veterinário orienta o tratamento medicamentoso em fêmeas de alto valor genético e em fêmeas destinadas à reprodução”, explicou.

Caso o diagnóstico e o tratamento sejam retardados, a doença pode provocar danos em diversos órgãos.

“A principal complicação é a morte. Porém, a questão de lesões a nível de fígado, a nível de pâncreas, a nível de rins. Porque essas bactérias, quando ganham corrente sanguínea, causam vários estragos nesses órgãos”, afirmou.

Segundo o veterinário, quadros avançados podem provocar alterações neurológicas.

“Esse animal começa a absorver essas bactérias, entrando em quadro de septicemia e levando, muitas vezes, até um quadro de encefalite, um quadro de convulsão e aí por diante”, disse.

Apesar dos riscos, o prognóstico costuma ser favorável quando o problema é identificado rapidamente.

“Quando diagnosticado precocemente, os índices de recuperação são altos”, afirmou.

Ele ressalta que o sucesso do tratamento depende também das condições gerais do paciente.

“Se tiver idade avançada, se tiver complicação renal, se tiver complicação hepática, se tiver algumas complicações, a maioria desses animais, infelizmente, não resistem”, alertou.

Anticoncepcionais

Robson Góis confirmou que o uso de anticoncepcionais pode aumentar o risco de desenvolvimento da doença.

“Pode sim favorecer, em virtude desses progestágenos, progesterona que aplica nesses animais. Eles podem favorecer ao desequilíbrio hormonal, e esse desequilíbrio hormonal pode propiciar o animal a ter quadros de piometra”, explicou.

Ele também destacou que a enfermidade é mais frequente em fêmeas adultas e geralmente ocorre após o cio.

“A maioria dos animais que desenvolvem quadros de piometra são animais com idade avançada. E, geralmente, é após o cio desse animal, por dois fatores: pelo fator hormonal e porque a cadela menstrua e o sangue é meio de cultura para a bactéria”, afirmou.

Segundo o veterinário, bactérias presentes em outras partes do organismo também podem contribuir para o problema.

“Se eu tenho muita bactéria na boca, que ganha corrente sanguínea e se instala no útero, a junção é feita com a piometra”, explicou.

Castração

Para Robson Góis, a castração continua sendo a medida mais eficaz para evitar a doença.

“A castração é a forma mais eficaz de prevenção. Já que a piometra é uma condição que necessita do útero para se formar a coleção de pus, se você remove o útero, você elimina a possibilidade de ter piometra”, afirmou.

Ele lembrou que existe uma condição rara conhecida como piometra de coto, quando permanece um pequeno fragmento uterino após a cirurgia.

“É uma coisa mais rara, uma coisa que nós profissionais hoje já operamos com nível de segurança. Hoje é uma patologia que praticamente você não encontra mais”, disse.

O veterinário também desmentiu algumas crenças relacionadas à piometra.

“Dizer que não tem piometra em cadelas jovens, só em cadelas adultas, isso aí é um mito. Eu já operei cadela com piometra com um ano de idade, a cadela que tinha saído do primeiro cio dela”, relatou.