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Alimentação

Saiba quais erros na dieta prejudicam cães

Nutrição inadequada nos primeiros meses pode trazer impactos para a saúde dos animais
Por O Correio de Hoje
22/06/2026 | 12:42

A chegada de um filhote costuma trazer uma série de dúvidas para os tutores, principalmente sobre a alimentação. Embora o acesso a informações sobre cuidados com animais de estimação tenha aumentado nos últimos anos, especialistas alertam que ainda são comuns crenças equivocadas que podem comprometer uma das fases mais importantes do desenvolvimento dos cães.

Os primeiros meses de vida são considerados determinantes para o crescimento saudável dos animais. Nesse período ocorre o desenvolvimento físico, a maturação do sistema imunológico, a formação da microbiota intestinal e o avanço das capacidades cognitivas. Por isso, a alimentação oferecida nessa etapa exerce influência direta sobre a saúde presente e futura dos cães.

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Alimentação nos primeiros meses de vida influencia o crescimento, imunidade, desenvolvimento cognitivo e saúde digestiva dos pets - Foto: Magnific

De acordo com o Pet Food Institute, cães e gatos necessitam de mais de 40 nutrientes essenciais para manter o organismo funcionando adequadamente. Por essa razão, especialistas recomendam que os tutores avaliem os alimentos pelo conjunto de nutrientes fornecidos e não apenas pela presença ou ausência de determinados ingredientes, muitas vezes apontados como vilões ou soluções milagrosas em conteúdos publicados nas redes sociais.

Com base nas dúvidas mais frequentes dos tutores, especialistas da Royal Canin reuniram cinco mitos comuns sobre a alimentação de filhotes e explicaram o que as evidências científicas apontam sobre cada um deles.

Uma das crenças mais difundidas é a de que todos os filhotes possuem necessidades nutricionais semelhantes. Segundo especialistas, isso não corresponde à realidade, já que as exigências variam de acordo com fatores como idade, porte esperado na fase adulta e condições individuais de saúde.

A médica veterinária e head de corporate affairs da Royal Canin, Carolina Figueroa, afirma que a generalização pode causar prejuízos ao desenvolvimento dos animais.

“Um dos erros mais frequentes é assumir que todos os filhotes têm as mesmas necessidades nutricionais durante o mesmo período. Durante o crescimento, as demandas por energia, proteínas, minerais e outros nutrientes mudam rapidamente, e uma alimentação inadequada pode afetar o desenvolvimento”, explica Carolina Figueroa.

Ela ressalta que cães de diferentes portes crescem em ritmos distintos. Enquanto animais de pequeno porte atingem a maturidade mais rapidamente, cães de grande porte permanecem por mais tempo em fase de crescimento e exigem alimentação específica durante um período maior.

Segundo a especialista, a troca precoce da alimentação destinada a filhotes por produtos formulados para cães adultos pode impactar especialmente o desenvolvimento osteoarticular.

Outro mito recorrente entre tutores é a ideia de que oferecer uma quantidade maior de alimento favorece o crescimento e torna o animal mais saudável.

Especialistas alertam que o excesso alimentar durante os primeiros meses de vida pode trazer consequências negativas. O crescimento acelerado associado ao ganho excessivo de peso aumenta a sobrecarga sobre ossos e articulações, elevando o risco de problemas ortopédicos ao longo da vida.

Além disso, o sobrepeso precoce também está relacionado ao surgimento de alterações metabólicas na fase adulta. Dados citados pelos especialistas indicam que mais de 10% dos filhotes chegam à idade adulta com excesso de peso.

Por isso, a recomendação é seguir rigorosamente as orientações de quantidade fornecidas pelos fabricantes dos alimentos e pelos médicos veterinários responsáveis pelo acompanhamento do animal.

Com a popularização da alimentação natural, muitos tutores passaram a acreditar que dietas caseiras são automaticamente mais saudáveis do que alimentos formulados industrialmente.

No entanto, especialistas afirmam que esse tipo de alimentação exige planejamento e acompanhamento profissional. Quando elaboradas sem supervisão, dietas caseiras podem apresentar deficiências ou excessos nutricionais capazes de comprometer o crescimento e a saúde dos filhotes.

A orientação é que mudanças importantes na alimentação sejam realizadas apenas após avaliação veterinária. Especialistas também recomendam cautela com informações compartilhadas em redes sociais e conteúdos virais que prometem benefícios sem respaldo científico.

Outra crença equivocada é a de que a nutrição dos filhotes interfere apenas no ganho de peso e no tamanho do animal. Estudos científicos mostram que a alimentação exerce papel fundamental na formação do sistema imunológico, no desenvolvimento cerebral, na saúde digestiva e na construção da microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que auxilia na absorção de nutrientes e na proteção do organismo contra doenças.

Especialistas apontam que a fase de crescimento representa uma oportunidade importante para estabelecer bases sólidas de saúde, capazes de gerar benefícios durante toda a vida do animal.

Também é comum que tutores alterem a alimentação dos filhotes de forma repentina ao trocar marcas, fórmulas ou tipos de alimento.

Segundo especialistas, mudanças bruscas podem provocar desconfortos digestivos, como diarreia, vômitos e dificuldade de adaptação ao novo alimento.

Por essa razão, a recomendação é realizar qualquer transição de maneira gradual, misturando o alimento antigo ao novo em proporções progressivas ao longo de vários dias. O acompanhamento veterinário é considerado importante para garantir que a mudança ocorra de forma segura.

O interesse crescente pela saúde preventiva dos animais de estimação tem levado cada vez mais pessoas a buscar orientações sobre alimentação. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o grande volume de conteúdos disponíveis na internet pode gerar confusão e favorecer a disseminação de informações incorretas.

Diante desse cenário, a recomendação é buscar fontes baseadas em evidências científicas e consultar médicos veterinários antes de tomar decisões que possam afetar a saúde dos animais. Para Carolina Figueroa, os primeiros meses de vida representam uma etapa decisiva para o futuro dos cães.

“Os primeiros meses de vida representam uma oportunidade única para construir as bases de uma vida saudável. Cada refeição é um investimento no futuro do animal. Uma alimentação completa e balanceada pode fazer diferença no bem-estar a curto e longo prazo”, conclui.

A orientação dos especialistas é que os tutores observem as necessidades específicas de cada filhote e priorizem uma alimentação adequada à idade, ao porte e às condições de saúde do animal. Segundo eles, decisões baseadas em informações sem respaldo científico podem comprometer o desenvolvimento e a qualidade de vida dos cães ao longo dos anos.