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Investigação

Novas imagens mostram Maria Eduarda momentos antes de salto que terminou em morte

Jovem de 21 anos aparece na ponte segundos antes de ser lançada sem as cordas de segurança; três instrutores seguem presos por homicídio com dolo eventual
Redação
22/06/2026 | 10:40

Novas imagens obtidas pela investigação mostram os últimos momentos de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, antes do salto de Rope Jump que terminou com sua morte em Limeira, no interior de São Paulo. As gravações foram divulgadas após o caso ganhar repercussão nacional por causa de um vídeo que registrou a jovem sendo lançada de uma ponte sem as cordas de segurança.

Nas imagens, Maria Eduarda aparece vestida de preto, utilizando o celular e circulando pela área do salto. Em outro momento, ela surge agachada na borda da ponte observando atentamente uma descida realizada por outro participante, poucos minutos antes do acidente.

capa portal
Imagens passaram a integrar a investigação sobre o acidente ocorrido durante uma atividade de Rope Jump - Vídeo: Reprodução/Record

A morte ocorreu durante uma atividade de Rope Jump realizada a aproximadamente 40 metros de altura. Segundo a investigação, os três instrutores responsáveis pelo salto não perceberam a ausência das cordas de segurança no momento do lançamento.

Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva e respondem por homicídio com dolo eventual.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação aponta falhas nos procedimentos de segurança adotados durante a atividade.

Os investigadores também apuram a forma de funcionamento da operação responsável pelos saltos. Segundo a delegada responsável pelo caso, não havia uma empresa formalmente constituída e regulamentada por trás da atividade.

A apuração indica que os organizadores atuavam de forma autônoma e utilizavam marcas divulgadas nas redes sociais para promover os eventos.

Em depoimento à polícia, dois dos investigados afirmaram ter sofrido um “apagão” durante a preparação do salto e disseram não conseguir explicar em que momento deixaram de prender as cordas de segurança.

A defesa dos três instrutores sustenta que eles possuem experiência na realização de atividades de aventura e afirma que esta teria sido a primeira morte registrada durante sua atuação.

No entanto, manifestação do Ministério Público aponta que os acusados exerciam outras atividades profissionais e realizavam os saltos como uma ocupação paralela.

Segundo os depoimentos prestados, eles atuavam como auxiliar de produção, pintor e trabalhador autônomo.

Para o Ministério Público, a atividade exigia qualificação técnica compatível com o risco envolvido.

— A atividade, por si só, se mostra como sendo de alto risco, o que evidentemente exigiria a demonstração de qualificação técnica por parte dos presos e dos demais envolvidos, o que não se verifica nos autos. Luis, Vitor e Maicon disseram aqui que exercem atividades diversas como auxiliar de produção, autônomo e pintor. A morte foi ocasionada durante uma atividade que eles faziam com recebimento de valor, o que exigiria, sim, um maior controle e fiscalização dos mecanismos de segurança — afirmou o Ministério Público.

Maria Eduarda pagou R$ 180 para participar da experiência. Ela também desembolsou R$ 150 adicionais para que o salto fosse gravado por uma câmera de 360 graus.

O equipamento, visto nas mãos da jovem pouco antes da queda, ainda não foi localizado pelas autoridades e segue sendo procurado pelos investigadores.

A Justiça converteu a prisão em flagrante dos três instrutores em preventiva após relatos de testemunhas de que eles teriam trocado de roupa e tentado deixar o local após o acidente.

Os investigados negam as acusações e afirmam que permaneceram na área da ocorrência.

Neste fim de semana, outros três suspeitos foram presos durante o andamento das investigações sobre o caso.