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Impacto nas investigações

Ministério da Justiça pede retorno de delegados cedidos

Iniciativa é interpretada como uma possível reação do governo às investigações conduzidas sob relatoria de Mendonça
Redação
20/06/2026 | 05:16

O Ministério da Justiça encaminhou nesta semana ofícios solicitando o retorno de policiais federais cedidos para atuar em outros órgãos públicos, incluindo gabinetes do Judiciário. Nos bastidores da Polícia Federal e do sistema de Justiça, a iniciativa é interpretada como uma possível reação do governo às investigações conduzidas sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que envolvem o esquema de descontos ilegais no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e supostas fraudes ligadas ao Banco Master.

A movimentação ocorre após declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita em 23 de abril, quando afirmou ter determinado o retorno de delegados que estariam afastados das atividades-fim da corporação para reforçar o combate ao crime organizado. Na ocasião, Lula disse que apenas aqueles que ocupam cargos de secretários de Estado permaneceriam cedidos.

Nos bastidores, medida é atribuída ao avanço de ações de André Mendonça - Foto: Luiz Silveira / STF
Nos bastidores, medida é atribuída ao avanço de ações de André Mendonça - Foto: Luiz Silveira / STF

Os ofícios foram assinados na noite da última quarta-feira 17 pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges. Em nota, ele afirmou que a medida integra uma política de fortalecimento da segurança pública e de valorização das atividades finalísticas das forças policiais.

Nos documentos enviados aos órgãos públicos, o Ministério da Justiça afirma que a medida atende a uma “diretriz presidencial de fortalecimento da segurança pública” e solicita a adoção das providências necessárias para o imediato retorno dos servidores listados.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os ofícios já chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a tribunais regionais federais. O Supremo Tribunal Federal informou, por meio de sua assessoria, que ainda não havia recebido o documento.

Entre integrantes da Polícia Federal e do Judiciário, porém, a medida vem sendo interpretada como uma possível tentativa de esvaziar a equipe do ministro André Mendonça. As investigações sob sua relatoria avançaram recentemente sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, no caso do INSS, e resultaram nesta semana em operação envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no inquérito relacionado ao Banco Master.

O gabinete de André Mendonça conta atualmente com o delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira, que atua como assessor do ministro desde o ano passado. Nos bastidores, a avaliação é que um pedido amplo de retorno dos policiais cedidos evitaria que o governo direcionasse a medida especificamente ao delegado que integra a equipe do magistrado.