A juíza Sulamita Bezerra Pacheco tomou posse, nesta quinta-feira 18, como membro titular do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) com um discurso voltado aos desafios centrais das eleições de 2026. Em sua primeira manifestação na Corte, ela citou a inteligência artificial, a desinformação em massa, a polarização política e a coação de eleitores em áreas vulneráveis como ameaças contemporâneas à liberdade do voto. Sulamita assume mandato no biênio 2026-2028, na vaga aberta com o término da atuação da juíza Suely Silveira.
No discurso de posse, Sulamita afirmou que a Justiça Eleitoral tem papel que vai além da organização formal das eleições. Para ela, cabe à instituição proteger a soberania do voto e garantir que a alternância de poder ocorra de forma pacífica, transparente e fiel à Constituição. Segundo a magistrada, a Corte terá papel decisivo em um pleito marcado por novos riscos tecnológicos e pela ampliação da disputa política no ambiente digital.

Sulamita citou a entrada do processo eleitoral na era da inteligência artificial e da hiperconexão. Ela afirmou que os avanços tecnológicos trouxeram também “o assombro das verdades fabricadas em laboratórios digitais” e mencionou a “orquestração da desinformação em massa” e o “uso malicioso de algoritmos” como fatores capazes de enganar eleitores, capturar consciências, minar a credibilidade das instituições e corroer a confiança pública.
Além da desinformação digital, Sulamita também chamou atenção para formas de pressão sobre o eleitor em territórios vulneráveis. Segundo ela, estruturas ilegítimas de poder já não se limitam a antigas práticas de troca patrimonial ou dependência econômica. Hoje, afirmou, há situações em que o medo, a coação silenciosa e o domínio territorial podem sufocar a liberdade de escolha.
“O desafio da magistratura eleitoral na atualidade vai muito além da fiscalização formal do pleito. Nossa missão é garantir que o eleitor exerça sua cidadania com plena liberdade, imune a amarras, pressões e constrangimentos”, disse.
A magistrada afirmou que, diante de tentativas de corromper a pureza do processo democrático, a resposta deve vir com rigor técnico, imparcialidade e vigilância permanente.
“Nesta cadeira que agora ocupo, o meu único partido será a estrita legalidade e minha única bandeira a Constituição Federal”, declarou.
Sulamita também fez referência ao protagonismo histórico do Rio Grande do Norte na participação feminina na política. Ao lembrar que o estado foi pioneiro na conquista do voto feminino no Brasil, ela destacou a importância da presença das mulheres nos espaços de decisão e nas instituições democráticas.
Natural de Natal, Sulamita Bezerra Pacheco é graduada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte desde 1993, especialista em Criminologia, mestre em Direito pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados e doutoranda em Direito por convênio entre a Esmarn e a Universidade Católica de Pernambuco.
Ingressou na magistratura em 1996 e atua nos Juizados Especiais de Natal desde 2000. É titular do 12º Juizado Especial Cível da capital desde 2010.
A nova integrante do TRE-RN assume o mandato para o biênio 2026-2028 em um contexto de preparação da Justiça Eleitoral para as eleições gerais do próximo ano, marcadas pelo avanço das tecnologias digitais, pelo combate à desinformação e pela necessidade de garantir a integridade e a liberdade do processo eleitoral.