Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a auxiliar de compras Larissa Ramos Raudenberg, de 24 anos, foi violentamente agredida na estação Parada Inglesa do Metrô de São Paulo, na noite da última segunda-feira 15. Nas imagens, o agressor atinge Larissa com um golpe na perna, fazendo com que ela caia na plataforma. Em seguida, ele desfere vários chutes contra a jovem, que fica desacordada durante a agressão.
Larissa estava acompanhada da amiga Ana Claudia Calbo de Oliveira, que também foi atacada. Segundo relato da vítima, o homem teria começado a perseguir Ana Claudia após um breve contato visual dentro da estação. Ao tentar fugir, a amiga conseguiu se afastar, mas Larissa, que estava mais próxima do agressor, acabou sendo alcançada e atingida.

Após perceber que a amiga havia caído, Ana Claudia retornou para tentar ajudá-la. Pessoas que passavam pelo local também prestaram socorro até a chegada da equipe de segurança do metrô, que acionou atendimento médico e providenciou o encaminhamento da vítima para o Hospital Mandaqui.
Larissa recebeu os primeiros atendimentos ainda na estação e permaneceu sob cuidados médicos antes de receber alta. Ela se recupera em casa das lesões sofridas. Segundo a jovem, as agressões deixaram sequelas físicas importantes.
“Eu fraturei o nariz, o maxilar, estou com bastante inchaço no rosto, quebrei três dentes e fraturei o joelho. Estou mancando”, relatou.
A vítima afirma que o ataque não teve qualquer relação com tentativa de roubo. Segundo ela, dois celulares que carregava caíram no chão durante a agressão, mas o agressor não demonstrou interesse em levá-los.
“Ele avançou para cima da gente. Não foi tentativa de roubo, porque eu estava com dois celulares, um da empresa e o meu pessoal. Os aparelhos caíram no chão e mesmo assim ele não quis. Ele viu que eu desmaiei, mas continuou me batendo. Ele queria que eu morresse, queria a minha vida”, declarou.
O caso foi registrado inicialmente como lesão corporal, mas Larissa defende que a ocorrência seja reclassificada como tentativa de feminicídio. Ela foi convocada para prestar depoimento na delegacia nesta quinta-feira 18, quando pretende reforçar seu entendimento sobre a gravidade do crime.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a ocorrência foi registrada no 73º Distrito Policial, no Jaçanã, e posteriormente encaminhada ao 39º Distrito Policial, responsável pela área onde ocorreram os fatos. Rodrigo de Oliveira chegou a ser detido, mas foi liberado horas depois.
A SSP informou ainda que a vítima será ouvida formalmente e que as imagens da agressão estão sendo analisadas pelos investigadores. Segundo o órgão, a tipificação penal pode ser alterada ao longo da investigação, conforme a produção de novas provas e a conclusão dos laudos periciais.
“É importante esclarecer que a natureza da ocorrência é definida com base nas informações disponíveis no momento do registro. No entanto, a tipificação do crime poderá ser revista conforme o avanço das investigações e a análise dos laudos periciais”, informou a secretaria.
Além das lesões físicas, Larissa relata que o episódio provocou abalo emocional e sensação de insegurança. Ela também criticou a ausência de agentes de segurança na plataforma no momento da agressão.
“Ele estava na plataforma, na parte onde a gente pega o trem. Ou seja, passou pela catraca e não tinha nenhum segurança do metrô ali. Eles apareceram depois do ocorrido”, afirmou.
Enquanto se recupera dos ferimentos, Larissa afirma que pretende iniciar acompanhamento psicológico para lidar com as consequências do episódio e admite receio de voltar a utilizar o transporte público.
“Estou muito apreensiva de pegar metrô novamente”, disse.