A Casa Durval Paiva intermediou a doação de quase R$ 7 milhões em equipamentos para três unidades que atendem crianças e adolescentes com câncer no Rio Grande do Norte. Os equipamentos já foram entregues, instalados e estão em funcionamento no Hospital Varela Santiago e em unidades da Liga Contra o Câncer em Natal e Mossoró.
A informação foi divulgada pelo presidente da Casa Durval Paiva, Rilder Campos, durante entrevista à rádio 94 FM Natal nesta segunda-feira 15. Segundo ele, a iniciativa foi viabilizada por meio de uma parceria com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dentro de um projeto nacional voltado ao fortalecimento de centros de oncologia pediátrica.

“Não é promessa. É uma coisa concreta”, afirmou.
De acordo com Rilder Campos, a instituição religiosa designou o médico Bruno Neto, do Rio Grande do Sul, para coordenar melhorias em dez centros oncológicos pediátricos do Brasil. O projeto teve início em estados como Pará, Ceará e Pernambuco e, posteriormente, foi ampliado para o Rio Grande do Norte após articulação da Casa Durval Paiva.
Segundo ele, o RN foi o estado que recebeu o maior volume de recursos entre os beneficiados pelo projeto.
“Os outros estados eram em torno de R$ 5 milhões. E aqui nós trouxemos quase R$ 7 milhões para três hospitais”, disse.
Entre os beneficiados está a Liga Contra o Câncer de Mossoró, que recebeu equipamentos para a UTI da unidade de oncopediatria. Também foram destinados equipamentos para a UTI oncopediátrica do novo hospital da Liga em Natal, estrutura que possui 40 leitos e 10 leitos de UTI.
Já o Hospital Varela Santiago recebeu um tomógrafo de 64 canais. Segundo Rilder, o equipamento já está em operação.
“Tivemos o prazer de vê-lo funcionando na semana passada”, relatou.
Apesar do reforço na estrutura hospitalar, o presidente da Casa Durval Paiva avalia que o principal desafio para o tratamento do câncer infantojuvenil no estado continua sendo o diagnóstico precoce. Atualmente, dos 167 municípios potiguares, apenas Natal e Mossoró oferecem tratamento especializado para crianças e adolescentes com câncer.
A falta de informação sobre os sinais e sintomas da doença, somada às dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelas famílias, contribui para o atraso na identificação dos casos. Rilder alertou que o diagnóstico tardio reduz as chances de sucesso no tratamento e pode comprometer a recuperação dos pacientes.
Segundo ele, o Rio Grande do Norte possui atualmente uma estrutura considerada avançada em relação a outros estados, tanto na área hospitalar quanto na rede de apoio às famílias atendidas.
O presidente da Casa Durval Paiva também destacou campanhas educativas voltadas à identificação precoce da doença. A instituição busca ampliar a rede de multiplicadores da informação por meio de parcerias com municípios, câmaras municipais e profissionais da saúde.
A proposta é que casos suspeitos sejam encaminhados diretamente à Casa Durval Paiva para acelerar o acesso aos exames e ao tratamento. Segundo Rilder, em 2025 a instituição capacitou mais de 2 mil pessoas em cerca de 70 municípios potiguares. Em 2026, a meta é repetir o alcance.
Além do suporte médico e social, a Casa Durval Paiva desenvolve ações de melhoria habitacional para as famílias atendidas. De acordo com Rilder, a entidade já construiu 120 casas e realizou mais de 160 obras ou reformas. A instituição é mantida exclusivamente por doações e conta atualmente com cerca de 20 mil contribuintes mensais para garantir a continuidade de suas atividades.