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Investigação

Funcionário tirou câmera de jovem morta após salto, diz testemunha

Vítima filmava a própria experiência quando foi lançada de uma ponte de aproximadamente 40 metros sem que a corda principal de segurança estivesse conectada
Redação
15/06/2026 | 15:05

A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira (SP), ganhou um novo elemento após relatos de testemunhas sobre o desaparecimento da câmera utilizada pela jovem para registrar o salto. Segundo depoimentos colhidos pela Polícia Civil, a vítima filmava a própria experiência quando foi lançada de uma ponte de aproximadamente 40 metros sem que a corda principal de segurança estivesse conectada.

Uma testemunha afirmou ter visto um integrante da equipe responsável pela atividade retirar a câmera do corpo da jovem logo após a queda. O pedagogo Rafael Goulart relatou à EPTV que, ao chegar ao local, observou um funcionário removendo o equipamento que estava preso ao pescoço da vítima.

Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira — Foto: Reprodução/Redes sociais
Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira — Foto: Reprodução/Redes sociais

A delegada responsável pelo caso, Andrea Danta Levy, informou que a câmera não foi localizada durante os trabalhos de perícia. Segundo ela, o equipamento pertencia à organização que promovia os saltos e estava sendo utilizado por Maria Eduarda no momento do acidente. A polícia considera a possibilidade de a câmera ter se desprendido durante a queda, mas destaca que o objeto não foi encontrado nem pelas equipes de investigação nem pelas pessoas que retornaram posteriormente ao local para procurá-lo.

De acordo com testemunhas, a gravação do salto era um serviço cobrado separadamente. Conforme relato da enfermeira Rayza Gabrieli Dias Delfino, que aguardava sua vez para saltar e foi a primeira pessoa a prestar socorro à vítima, os participantes pagavam R$ 180 pela atividade e mais R$ 110 para registrar a experiência com uma câmera GoPro fornecida pela organização.

A enfermeira informou ainda que, ao iniciar os procedimentos de atendimento, não viu qualquer câmera próxima à jovem. Ela contou à polícia que, quando chegou à base da ponte, dois integrantes da equipe organizadora já estavam no local. Segundo seu depoimento, Maria Eduarda utilizava um equipamento de segurança preso ao corpo, mas sem a corda principal que deveria impedir a queda livre.

A profissional permaneceu prestando os primeiros socorros até a chegada das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros, que constataram a morte da jovem no local.

As investigações apontam que houve falha grave nos protocolos de segurança. Imagens que circulam nas redes sociais mostram Maria Eduarda sendo conduzida por três funcionários até a plataforma de salto. Após ser impulsionada para frente, ouvem-se gritos de desespero mencionando a ausência da corda de segurança.

Segundo a Polícia Civil, o equipamento que deveria estar conectado à vítima permaneceu enrolado na plataforma. Testemunhas relataram que a checagem de segurança não foi realizada antes do salto. Um participante que saltaria logo em seguida afirmou que os instrutores ignoraram os procedimentos de conferência na vez de Maria Eduarda.

Os três instrutores presos após o acidente prestaram depoimento e, segundo a delegada, não conseguiram explicar como ocorreu a falha. Eles afirmaram não se lembrar de quem era a responsabilidade de conectar a corda nem do motivo pelo qual a verificação final não foi realizada antes de a vítima ser lançada.

O caso também reacendeu discussões sobre a situação da chamada Ponte do Esqueleto, localizada na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, entre Limeira e Cordeirópolis. A estrutura pertence a um antigo trecho ferroviário nunca concluído e está situada em área sob responsabilidade da União.

Em notas públicas, Prefeitura de Limeira e Governo Federal divergiram sobre a responsabilidade pela fiscalização e pelo controle de acesso ao local. A administração municipal afirma que vinha solicitando medidas de segurança há meses e atribui à União a responsabilidade pela manutenção da área. Já o Governo Federal informou que o processo de incorporação da ponte à Secretaria de Patrimônio da União foi autorizado neste ano e defendeu uma ação conjunta entre os entes públicos para impedir o acesso ao local e evitar novas ocorrências.

A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias do acidente, o desaparecimento da câmera utilizada pela vítima e as responsabilidades dos envolvidos na operação da atividade de rope jump.