Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo diante do Marrocos, o defensor Danilo se prepara para disputar o terceiro Mundial da carreira em uma condição diferente daquela imaginada quando iniciou sua trajetória na Seleção Brasileira. Convocado por Carlo Ancelotti e cotado para começar a competição como titular na lateral direita, o jogador de 34 anos chega ao torneio respaldado por 70 partidas com a camisa da Seleção e por uma trajetória marcada por experiência, lesões, aprendizados e liderança dentro dos grupos que integrou.
Titular nas Copas de 2018 e 2022, Danilo viveu momentos distintos nos dois torneios. Na Rússia, uma lesão o tirou das quartas de final contra a Bélgica. No Catar, participou da campanha interrompida pela Croácia. Ao todo, soma apenas quatro partidas e 372 minutos em Mundiais. Agora, beneficiado pelas ausências de Éder Militão e Wesley, o atleta vê a oportunidade de disputar uma nova Copa sob uma perspectiva mais madura. Segundo ele, a expectativa inicial era participar das edições de 2014, 2018 e 2022, consideradas por ele os anos de maior rendimento físico da carreira. A presença em 2026, contudo, ganhou outro significado. “Foi uma jornada maravilhosa. Poder participar desta terceira me faz pensar o quanto o tempo é importante na vida”, afirmou.

A convocação para o Mundial também reacendeu questionamentos sobre sua permanência entre os escolhidos da Seleção. Danilo admite compreender as dúvidas de parte dos torcedores, mas argumenta que o futebol atual exige uma visão mais ampla sobre a composição de um elenco. Para o defensor, a lógica que associa convocação apenas ao status de principal jogador do clube já não reflete a realidade das grandes equipes. “Cabe a mim trabalhar, demonstrar importância, responder em campo e tentar ganhar. Quando se ganha, todas as dúvidas e contestações são sanadas”, disse. O jogador acrescenta que provavelmente teria a mesma percepção se estivesse do outro lado, sem acesso aos bastidores que influenciam as decisões técnicas.
A relação construída com Carlo Ancelotti é apontada por Danilo como um dos fatores que ajudam a explicar sua permanência no grupo. O atleta revelou que descobriu a convocação após receber mensagens de parabéns no celular e contou que o treinador italiano confirmou pessoalmente sua presença na lista. Segundo ele, a confiança do comandante representa o reconhecimento de um trabalho que nem sempre é perceptível para quem acompanha apenas os jogos. “O Mister me falou: ‘Começaram a falar um monte de coisa, eu disse que você ia e pronto’”, relatou. Para Danilo, a postura de Ancelotti reflete a valorização de aspectos que vão além do desempenho individual dentro de campo.
Ao projetar a campanha brasileira, o defensor vê motivos para acreditar no potencial da equipe. Ele cita a presença de atletas que atuam entre os principais clubes do mundo, como Vinícius Júnior, Raphinha, Bruno Guimarães, Marquinhos e Gabriel Magalhães, além da experiência de um treinador acostumado a vencer em grandes competições. Internamente, afirma que o grupo busca concentrar esforços na organização dos processos, na preparação diária e na construção de um ambiente voltado exclusivamente para o desempenho esportivo.
Danilo também defende que o futebol brasileiro encontre um ponto de equilíbrio entre o pragmatismo europeu e as características históricas do jogo nacional. Na avaliação do jogador, o país passou anos confiando apenas no talento individual e, posteriormente, tentou reproduzir modelos estrangeiros de maneira excessiva. O caminho para voltar a competir em alto nível, segundo ele, passa por combinar disciplina tática, competitividade e criatividade. “O segredo é encontrar um equilíbrio do critério europeu, do pragmatismo europeu, mas também com o jogo bonito, a alegria, a inventividade do jogador brasileiro para vencer”, afirmou.
Caso seja confirmado entre os titulares na estreia contra o Marrocos, Danilo se juntará a Alisson Becker e Casemiro como os únicos remanescentes que iniciarão uma terceira Copa do Mundo consecutiva pelo Brasil. Mais do que a chance de ampliar estatísticas, o defensor vê no torneio a oportunidade de ressignificar experiências passadas e consolidar o papel de liderança que assumiu dentro da Seleção. “Chego no melhor momento mental possível para colaborar para a posição”, resumiu.