A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira 8 a Operação Gemini, que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro com ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Entre os alvos das medidas autorizadas pela Justiça estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil, do PL. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão, além de ordens de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apuram a existência de uma estrutura voltada à negociação de decisões judiciais e à ocultação de recursos supostamente obtidos de forma ilícita. Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
A operação ocorre poucos meses após Dirceu dos Santos ter sido afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado já era alvo de outra investigação que apura suspeitas de nepotismo cruzado e possível recebimento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais.
Levantamento realizado pelo CNJ apontou que o desembargador movimentou cerca de R$ 14,6 milhões em patrimônio nos últimos cinco anos. Segundo os investigadores, os valores seriam incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados.
Nesta semana, o CNJ deverá analisar a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado e decidir se o afastamento cautelar será mantido.
A Operação Gemini também acontece em meio ao avanço de outras investigações sobre supostos esquemas de venda de decisões judiciais no país. Em nota, a Polícia Federal informou que a ação busca aprofundar a apuração sobre a possível negociação de sentenças e o fluxo financeiro relacionado aos fatos investigados.
Até a publicação desta reportagem, as defesas dos citados não haviam se manifestado.