O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, apresentou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma nova versão de sua proposta de delação premiada. O documento foi entregue em reunião realizada na segunda-feira 1º e recebeu complementações na terça-feira 2, segundo informações divulgadas pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo.
A reformulação ocorreu após a rejeição da primeira versão da colaboração, protocolada em 6 de maio. Investigadores da PF e integrantes da PGR consideraram as informações apresentadas insuficientes, avaliação compartilhada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelos inquéritos envolvendo o Banco Master.

De acordo com fontes ligadas à investigação, a proposta inicial não abordava episódios relevantes já apurados pelas autoridades. Entre eles estão suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero por supostos pagamentos e benefícios recebidos de Vorcaro.
A investigação apura a suspeita de que Ciro teria recebido pagamentos mensais de Vorcaro, além de benefícios pessoais custeados pelo empresário, como viagens em aeronaves particulares.
Também não constava na delação o financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro. Reportagem do Intercept Brasil apontou que Vorcaro priorizou a liberação de recursos para o projeto após solicitações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na terça-feira 2, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que considera necessária a abertura de investigação específica para apurar recursos enviados aos Estados Unidos para financiar o filme. Uma das suspeitas é que parte dos valores tenha sido utilizada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no exterior.
As negociações para o acordo sofreram mudanças após a saída do advogado Luis Oliveira Lima, o Juca, da defesa de Vorcaro em 22 de maio. Permaneceu na equipe o advogado Sérgio Leonardo, que passou a conduzir a nova fase das tratativas.
Além da colaboração, PF e PGR buscam garantir o ressarcimento dos prejuízos atribuídos às supostas fraudes investigadas no Banco Master. As autoridades defendem que Vorcaro apresente um plano para devolver cerca de R$ 60 bilhões, valor próximo aos prejuízos já estimados no caso.
Para isso, ele deverá indicar a localização dos recursos e apontar bens que possam ser utilizados para compensar os danos. Mesmo após a apresentação da nova proposta, a delação ainda precisará ser analisada pela PF e pela PGR e, posteriormente, submetida à homologação do ministro André Mendonça no STF.