O deputado federal Sargento Gonçalves defendeu a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas. Em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, nesta segunda-feira 1º, o parlamentar afirmou que a medida representa uma vitória para os brasileiros e criticou a posição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se manifestou contra a iniciativa.
“Essa medida por parte do governo americano, depois da visita do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, sem dúvida é uma vitória que não é para a direita brasileira, mas para o povo brasileiro”, declarou.

O deputado contestou o argumento de que a medida poderia representar uma ameaça à soberania nacional. Para ele, a preocupação deveria estar voltada ao avanço do crime organizado em diferentes regiões do país.
“Na verdade, eu digo que a gente está preocupado realmente é com a soberania. O que é soberania de fato? É realmente nós termos um povo livre”, afirmou.
Ao longo da entrevista, Gonçalves citou casos de violência atribuídos às facções criminosas e sustentou que organizações criminosas exercem controle territorial em comunidades de cidades brasileiras.
“Hoje pelo menos 26% da população brasileira, ou seja, mais de 50 milhões de brasileiros, vivem sob a opressão do crime organizado, um Estado paralelo”, disse.
Em outro momento, o parlamentar associou diretamente a atuação das facções ao terrorismo.
“Essa é a realidade. Se isso não for terrorismo de fato, eu não sei o que será”, afirmou, após relatar casos de sequestros e assassinatos atribuídos ao crime organizado.
O deputado também criticou o que chamou de política de “garantismo penal” adotada pelo governo federal e por parte do Judiciário. Segundo ele, existe uma percepção crescente na sociedade de que o sistema protege criminosos em detrimento dos cidadãos.
“É um recado para um governo que infelizmente faz uma política de segurança pública muito no sentido do garantismo penal, ou seja, de passar a mão na cabeça do criminoso”, declarou.
Gonçalves afirmou ainda que a população está cansada de ver criminosos beneficiados por mecanismos legais que, em sua avaliação, enfraquecem o combate às facções.
“O sentimento que nós temos é que o povo brasileiro está cansado disso, realmente do bandido ser protegido em detrimento do cidadão de bem”, disse.
Ao rebater críticas de que a decisão americana poderia provocar impactos econômicos ao Brasil, inclusive sobre o Pix, o deputado classificou os alertas feitos por integrantes do governo federal como uma estratégia de comunicação política.
“Está mais uma vez dentro da narrativa. O governo entra nessa guerra de narrativa e passa a ideia para o povo brasileiro que seria algo prejudicial para o povo”, afirmou.