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Futebol

Goleada sobre o Panamá amplia dúvidas de Ancelotti antes da estreia do Brasil na Copa

Seleção vence por 6 a 2 no Maracanã, mas atuação dos reservas no segundo tempo reforça disputa por vagas no time titular
Por O Correio de Hoje
01/06/2026 | 14:05

A seleção brasileira encerrou sua preparação em território nacional para a Copa do Mundo com uma goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, neste domingo, no Maracanã. O resultado confirmou o favoritismo brasileiro, proporcionou uma noite de celebração para os mais de 72 mil torcedores presentes e reforçou a conexão entre equipe e arquibancada. Ao mesmo tempo, deixou no ar questionamentos importantes sobre a formação ideal do técnico Carlo Ancelotti para a estreia no Mundial.

Os gols do Brasil foram marcados por Vini Jr., Casemiro, Rayan, Lucas Paquetá, Igor Thiago e Danilo Santos. Murrilo, duas vezes, descontou para os panamenhos. A partida também ficou marcada pela presença de Neymar, que segue em recuperação de uma lesão na panturrilha direita e não atuou, mas foi o principal personagem da festa promovida pela torcida.

Seleção 1
Elenco brasileiro comemora um dos gols da vitória sobre os panamenhos - Foto: Reprodução

O camisa 10 apareceu no gramado durante o aquecimento e foi recebido com uma série de homenagens. Os gritos de “Olê, olê, olá, Neymar, Neymar” ecoaram diversas vezes ao longo da noite, demonstrando que, mesmo ausente dos jogos, o atacante continua sendo a principal referência emocional da seleção para boa parte do público.

A atmosfera festiva começou antes mesmo de a bola rolar. A Confederação Brasileira de Futebol organizou uma programação especial, com apresentações musicais de Ivete Sangalo, participação de ex-campeões mundiais como Ronaldinho Gaúcho e Denílson, além de Belo e Alcione na execução do hino nacional.

Dentro de campo, porém, o primeiro tempo esteve longe de empolgar. Com uma formação muito próxima daquela considerada titular, o Brasil abriu o placar logo no primeiro minuto. Casemiro recuperou a bola no meio-campo e acionou Vini Jr., que avançou em velocidade e finalizou com precisão para marcar.

O início promissor não se transformou em domínio. Atuando em um sistema com quatro atacantes e apenas dois homens de meio-campo, a seleção encontrou dificuldades para controlar a partida. O Panamá conseguiu equilibrar as ações e empatou aos sete minutos, quando uma cobrança de falta de Murrilo desviou na barreira e enganou o goleiro Alisson.

A partir daí, o time brasileiro passou a apresentar problemas na construção das jogadas e sofreu em algumas transições defensivas. As vaias direcionadas ao zagueiro Léo Pereira, após erros na saída de bola, e ao próprio Alisson, pelo gol sofrido, evidenciaram a impaciência da torcida em determinados momentos.

O principal destaque da etapa inicial foi Vini Jr., responsável pelas jogadas mais perigosas do ataque. Foi dele também a participação decisiva no segundo gol brasileiro. Aos 38 minutos, o atacante encontrou Casemiro infiltrando na área. O volante desviou de cabeça para recolocar o Brasil em vantagem após revisão do lance pelo árbitro de vídeo.

Se o primeiro tempo gerou dúvidas, a etapa final transformou completamente o cenário da partida.

Ancelotti promoveu dez alterações no intervalo e manteve apenas Léo Pereira em campo. A nova formação apresentou maior intensidade, mais movimentação e um meio-campo mais preenchido. O resultado foi uma atuação muito superior à dos titulares.

O terceiro gol nasceu da pressão na saída de bola adversária. Rayan aproveitou um erro panamenho e encobriu o goleiro com um chute de longa distância, arrancando aplausos da arquibancada. Pouco depois, veio uma das jogadas mais bonitas da noite. Danilo Santos participou da construção da jogada, fez um corta-luz decisivo e deixou Lucas Paquetá livre para ampliar.

A superioridade brasileira aumentou ainda mais quando Igor Thiago protagonizou uma arrancada individual, sofreu pênalti e converteu a cobrança. O atacante foi um dos destaques da equipe alternativa, principalmente pela agressividade na pressão sem bola.

Já nos minutos finais, Paquetá retribuiu a assistência recebida anteriormente e serviu Danilo Santos, que fechou a goleada brasileira. O Panamá ainda encontrou espaço para marcar seu segundo gol, novamente com Murrilo, mas sem comprometer o clima de celebração nas arquibancadas.

Mais do que os gols, a atuação dos reservas provocou reflexões importantes para a comissão técnica.

Após a partida, Carlo Ancelotti admitiu que o desempenho da equipe do segundo tempo abriu uma nova discussão sobre a escalação e o sistema de jogo para a Copa do Mundo.

“Passa pela minha cabeça a possibilidade de mudar a equipe, a estratégia. O jogo da segunda parte coloca mais dúvida. Isso para mim é bom, é importante ter dúvida positiva”, afirmou.

O treinador destacou especialmente as atuações de Lucas Paquetá e Danilo Santos, que atuaram ao lado de Fabinho em um meio-campo com três jogadores e deram mais equilíbrio ao time.

“A atuação do Paquetá foi muito boa a nível de qualidade, de posse de bola, marcou, deu assistência. Foi uma partida de nível muito alto”, avaliou.

Ancelotti ressaltou que o sistema utilizado pelos titulares busca explorar a velocidade dos atacantes, mas reconheceu que a formação adotada após o intervalo funcionou melhor diante do Panamá. O italiano, porém, evitou antecipar qualquer definição para a Copa.

“Até a Copa eu quero criar um pouco de suspense, porque senão não temos tema para falar. É uma ajuda para todos vocês, porque acabou o tema Neymar”, brincou.

A delegação brasileira deixa o Rio de Janeiro nesta segunda-feira 1º rumo aos Estados Unidos, onde concluirá a preparação para o Mundial. O grupo ganhará ainda os reforços de Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, recém-saídos da final da Liga dos Campeões da Europa.