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Brasil

Flávio Dino atribui protagonismo do STF à dificuldade de consenso no Congresso

Ministro publicou artigo neste domingo 31 sobre o papel das Cortes Constitucionais
Redação
31/05/2026 | 17:38

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, afirmou que o protagonismo atual da Corte está relacionado à dificuldade do Congresso Nacional em construir consensos e conduzir processos decisórios. A avaliação foi publicada neste domingo 31, em artigo sobre o papel das Cortes Constitucionais nas democracias contemporâneas.

No texto, Dino analisa a relação entre os poderes Legislativo e Judiciário e aponta que a capacidade do parlamento de produzir acordos políticos é um dos principais fatores que influenciam a atuação dos tribunais. Segundo ele, essa capacidade não tem ocorrido de forma plena no Brasil ao menos desde 2013.

Flávio Dino atribui protagonismo do STF à dificuldade de consenso no Congresso
Flávio Dino atribui protagonismo do STF à dificuldade de consenso no Congresso - Foto: Luiz Silveira/STF

“O atual ciclo brasileiro, nascido do ventre da crise da Política inaugurada em 2013, tem a marca de uma prolongada dificuldade decisória no âmbito do Congresso Nacional, o que acaba por fortalecer a tendência apontada pela Carta de 1988: um fortíssimo sistema de jurisdição constitucional”, escreveu na peça publicada no portal Jota.

De acordo com o ministro, a relação de forças entre Legislativo e Judiciário é dinâmica e depende do contexto político. Ele afirma que, quanto maior a capacidade institucional do Congresso, maior tende a ser a contenção da atuação da Suprema Corte.

No artigo, Dino também rebate críticas ao STF. Segundo ele, não é adequado classificar a Corte como “ativista” sempre que exerce sua função de proteção à Constituição.

O ministro argumenta que cabe ao tribunal impedir que decisões políticas, mesmo apoiadas por maioria, violem direitos fundamentais. Nesse sentido, a atuação contrária à vontade da maioria seria parte do funcionamento regular da Corte.

“Assim, a atuação contramajoritária dos tribunais não representa desvio institucional, extravagância ou anomalia, mas, ao contrário, exercício ordinário, legítimo e inerente de sua função constitucional”, afirmou.

Dino também sustenta que o STF exerce um papel duplo, atuando, em determinados momentos, como agente de transformação social e institucional, e, em outros, como barreira contra mudanças que possam representar retrocessos.