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Segurança

Ministro da Justiça antecipa retorno ao Brasil após decisão dos EUA sobre PCC e CV

Wellington Lima e Silva deixou agenda no Paraguai para participar de reuniões no Planalto sobre reação do governo brasileiro à classificação das facções como organizações terroristas
Redação
29/05/2026 | 12:00

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, antecipou o retorno ao Brasil após cumprir compromissos oficiais em Assunção, no Paraguai, para acompanhar as discussões do governo federal sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

O ministro participava da 55ª Reunião de Ministros do Interior e Segurança do Mercosul e Estados Associados (RMIS) e da 63ª Reunião de Ministros da Justiça do Mercosul (RMJ), realizadas nesta sexta-feira (29), na capital paraguaia.

Wellington Lima
Ministro Wellington Lima e Silva retornou a Brasília para acompanhar reuniões do governo federal sobre medida anunciada pelos Estados Unidos Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo interlocutores do governo, Wellington Lima e Silva decidiu antecipar a volta a Brasília em algumas horas para participar presencialmente das articulações no Palácio do Planalto, embora já estivesse envolvido nas discussões desde o anúncio da medida norte-americana.

A Casa Civil, comandada pela ministra Miriam Belchior, convocou uma reunião ministerial nesta sexta-feira, às 12h, no Planalto, para discutir os desdobramentos da decisão dos Estados Unidos. O encontro reúne integrantes da equipe econômica, diplomática e jurídica do governo.

Participam da reunião os ministros da Fazenda, Dario Durigan, das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Técnicos dos ministérios e representantes da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) também acompanham as discussões.

As reuniões internas tiveram início ainda na quinta-feira (28), logo após o Departamento de Estado dos EUA informar oficialmente a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de ampliar o combate ao crime organizado internacional e endurecer sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participa presencialmente das reuniões em Brasília. Nesta sexta-feira, ele cumpre agenda em Sergipe e, posteriormente, segue para o Rio de Janeiro, onde participa no sábado 30 do lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil.

Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que Lula é contrário à medida adotada pelos Estados Unidos. O principal argumento do Palácio do Planalto é de que a classificação pode abrir precedentes para possíveis intervenções norte-americanas em território brasileiro, o que, na avaliação do Executivo, representaria risco à soberania nacional.