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Eleições

Cadu ataca Allyson por vídeos e IA e diz que rival “engana eleitor”

Pré-candidato do PT acusa ex-prefeito de Mossoró de “enganar eleitor”, diz que adversário conhece mais “TikTok e Instagram” do que a realidade do RN e reforça aproximação com PSDB de Ezequiel Ferreira
Por O Correio de Hoje
27/05/2026 | 16:31

O pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, subiu o tom das críticas contra o adversário Allyson Bezerra (União), a quem acusou de tentar “enganar o eleitor” e de conhecer “mais de TikTok, Instagram e inteligência artificial” do que da realidade do Estado.

Em entrevista ao podcast Especial Eleições 2026 da TV Agora RN (YouTube), além de fazer uma série de ataques ao adversário, Cadu Xavier também reforçou a estratégia de vincular sua candidatura ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e confirmou negociações avançadas para que o PSDB indique o candidato a vice-governador de sua chapa.

Cadú Xavier (55)
Ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier, pré-candidato do PT ao Governo do Estado, em entrevista a podcast da TV Agora RN - Foto: José Aldenir

Ao comentar críticas feitas por Allyson sobre o aumento do ICMS no Rio Grande do Norte, Cadu — que foi secretário de Fazenda do Estado — destacou que o ex-prefeito de Mossoró “conhece muito pouco do Estado”.

“Ele conhece muito pouco o Estado. É importante dizer isso. Parece que não tem conhecimento da realidade do nosso Estado. Conhece muito de TikTok, de Instagram, de fazer videozinho com inteligência artificial, mas da realidade do nosso Estado ele não conhece”, declarou.

Na entrevista, o petista também acusou Allyson de mudar de discurso conforme a conveniência eleitoral. Segundo Cadu, o ex-prefeito estaria tentando se aproximar de pautas populares ligadas ao campo progressista sem ter histórico de defesa dessas bandeiras.

“O que a gente quer levar para o eleitor é para que ele não deixe ser enganado. Há figuras políticas nesse processo eleitoral que estão defendendo bandeiras nesse momento que nunca defenderam”, afirmou. Em seguida, ele citou diretamente Allyson. “O ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra até um dia desse votou em Jair Bolsonaro, votou em Rogério Marinho. Agora, está dizendo que Rogério Marinho é inimigo do trabalhador. É mesmo, mas ele (Allyson) nunca disse isso”, disse.

Cadu também afirmou que Allyson estaria tentando esconder seu alinhamento político. “Tem um pré-candidato de esquerda e dois pré-candidatos de direita. Um assume, o outro não”, declarou, referindo-se também ao pré-candidato Álvaro Dias (PL).

Na sequência, voltou a associar o ex-prefeito de Mossoró ao bolsonarismo. “O ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra esconde as preferências políticas dele. Ele votou em Rogério Marinho na eleição passada para o Senado. Ele votou em Jair Bolsonaro”, afirmou.

Em outro momento da entrevista, Cadu disse que Allyson estaria tentando utilizar pautas trabalhistas e sociais sem coerência com sua trajetória política e administrativa em Mossoró. “Ele está defendendo agora o fim da escala 6×1, mas o servidor público de Mossoró sabe como Allyson tratou o servidor público de Mossoró nos seis anos em que ele foi prefeito da cidade. Ele está defendendo a Uern agora, mas demitiu estagiários provenientes da Uern quando foi prefeito”, declarou.

O pré-candidato do PT também fez críticas indiretas ao patrimônio de adversários políticos. “Tem políticos que entraram há cinco, seis anos na política e agora estão ricos, mudaram o seu patamar de vida”, afirmou.

Polarização

Ao longo da entrevista, Cadu reforçou que pretende transformar a disputa estadual em uma eleição nacionalizada entre lulismo e bolsonarismo. Ele afirmou que será “o candidato de Lula” no Rio Grande do Norte e descartou qualquer tentativa de neutralidade política.

“Todo mundo tem lado. Existe o Cadu de Lula, com muito orgulho, Cadu de Fátima. Existe o Álvaro Dias de Bolsonaro. E existe o Allyson Bezerra de Robinson Faria, de José Agripino”, disse.

Segundo ele, sua candidatura representará o campo progressista no segundo turno. “Nós vamos estar no segundo turno. O candidato de esquerda do nosso Estado, o candidato lulista do nosso Estado, vai estar no segundo turno”, afirmou.

Chapa

Além dos ataques aos adversários, Cadu confirmou que o PT negocia oficialmente com o PSDB a indicação do candidato a vice-governador na chapa governista. “Sendo bem transparente, a gente tem discutido com o PSDB a possibilidade real de ter uma indicação vinda do partido para essa vaga”, afirmou.

O pré-candidato fez vários acenos ao presidente da Assembleia Legislativa e presidente do PSDB no RN, Ezequiel Ferreira, tratado por ele como peça central da articulação política para 2026. “A gente dá ao presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, o peso político que ele tem. Ezequiel é uma das maiores lideranças políticas do nosso Estado”, declarou.

Cadu também admitiu que uma eventual composição entre PT e PSDB poderá ter desdobramentos na futura disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. “A composição de uma base sólida com essa coligação é muito importante também lá na frente na discussão da presidência da Assembleia”, disse.

O petista afirmou ainda que deseja uma mulher como vice-governadora. “Eu defendo muito que seja uma mulher para a gente ampliar a presença feminina na nossa chapa majoritária”, afirmou.

Na entrevista, Cadu confirmou as pré-candidaturas de Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) ao Senado dentro da sua chapa, mas evitou cravar a composição das suplências. “O que a gente pode dizer é que essa discussão hoje está no âmbito partidário”, declarou.

A fala ocorre em meio às disputas internas envolvendo a indicação do ex-senador Jean Paul Prates (PDT) para a suplência de Rafael Motta. Cadu procurou contemporizar e afirmou que os partidos aliados ainda buscam consenso. “Dentro desse campo democrático, do campo progressista, a gente vai achar uma solução para ter o time de Lula cada vez mais forte”, disse.

Walter Alves

Cadu também rebateu declarações do vice-governador Walter Alves (MDB), que havia afirmado ter recebido informações incompletas sobre a situação fiscal do Estado. “Ele está, vou usar uma expressão mais sutil possível, faltando com a verdade”, afirmou.

Segundo o petista, não houve tentativa de esconder a realidade fiscal do governo durante o processo de transição. “Nunca houve, na nossa parte, nenhuma intenção de entregar bomba chiando para o vice-governador Walter Alves”, declarou.

Ao comentar a ida de Walter para o grupo político de Allyson Bezerra, Cadu voltou a atacar o adversário mossoroense. “Ele pulou o muro, foi para o lado da oposição, foi para o lado do TikTok, do Instagram, pulou para o lado errado”, afirmou.