A Ferrari apresentou nesta semana o Luce, primeiro modelo totalmente elétrico da história da fabricante de Maranello. O lançamento marca uma mudança estratégica para a companhia italiana, tradicionalmente associada a motores V8 e V12 de alta performance e ao característico ronco de seus esportivos.
Com quatro portas, cinco lugares e proposta inédita na trajetória da marca, o novo modelo inaugura a entrada definitiva da Ferrari no segmento de veículos de emissão zero. Segundo a fabricante, o nome Luce — palavra italiana para “luz” — simboliza também a direção tecnológica e industrial que a companhia pretende seguir nos próximos anos.
A Ferrari afirma que o Luce redefine os limites técnicos da empresa ao combinar desempenho extremo, soluções aerodinâmicas inéditas e arquitetura elétrica de alta potência. O modelo chega ao mercado europeu por € 550 mil, cerca de 40% acima do preço da Purosangue, SUV da marca lançado recentemente.
O conjunto mecânico utiliza quatro motores elétricos independentes — um em cada roda. Os dois motores dianteiros entregam 286 cavalos de potência, enquanto os traseiros respondem por 843 cv. No total, o sistema alcança 1.129 cv, chegando a 1.050 cv em modo “boost”.
O desempenho mantém o padrão dos superesportivos da companhia. Segundo a Ferrari, o Luce acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e alcança 200 km/h em 6,8 segundos, com velocidade máxima de 310 km/h. A marca descreve o carro como um “relâmpago silencioso que reescreve as leis da Física”.
Mesmo equipada com um conjunto de baterias de grande capacidade, a fabricante buscou reduzir o peso estrutural do veículo. A carroceria utiliza alumínio aeroespacial desenvolvido com apoio da NASA, tecnologia aplicada para diminuir a massa total do automóvel. Ainda assim, o modelo pesa 2.260 quilos, tornando-se o Ferrari mais pesado já produzido. Como comparação, o hiperesportivo F80 pesa 1.525 quilos.
A companhia afirma que 75% do alumínio empregado no veículo é reciclado e aposta em suspensão ativa herdada da F80 para preservar a dinâmica esportiva da marca.
O design rompe com os padrões tradicionais da Ferrari. O projeto foi desenvolvido em parceria entre o Centro Stile de Maranello e a LoveFrom, empresa fundada por Jony Ive, conhecido por liderar o design de produtos da Apple durante a criação do iPhone.
Faróis e lanternas surgem integrados a painéis escurecidos em formato descrito pela empresa como “lâminas de luz”, enquanto os limpadores de para-brisa ficam posicionados verticalmente para melhorar o fluxo aerodinâmico.
Ao contrário de outras fabricantes de veículos elétricos que simulam artificialmente sons de motores a combustão, a Ferrari decidiu amplificar os ruídos naturais dos motores elétricos. A empresa patenteou uma câmara de ressonância acústica que filtra frequências indesejadas e intensifica o som produzido pelo conjunto elétrico, descrito pela fabricante como uma “sinfonia do futuro”.
O modelo oferece três modos principais de condução — Range, Tour e Performance — além de um sistema de ajuste da entrega de torque em cinco níveis. A frenagem regenerativa também pode ser configurada pelo motorista diretamente no volante.
Na cabine, o projeto também carrega influência do universo Apple. O painel combina referências dos modelos Ferrari dos anos 1970 com recursos digitais avançados. O cluster utiliza três telas redondas que simulam instrumentos analógicos, enquanto a central multimídia adota formato semelhante a um tablet suspenso sobre suporte metálico.
Com 5,02 metros de comprimento e porta-malas de 597 litros — o maior já produzido pela Ferrari —, o Luce amplia a proposta de uso cotidiano sem abandonar o foco em desempenho.
A bateria de 122 kWh, integrada ao assoalho para reduzir o centro de gravidade, garante autonomia estimada em 530 quilômetros no padrão europeu WLTP. O sistema elétrico opera em arquitetura de 800 volts e suporta recargas ultrarrápidas de até 350 kW.