BUSCAR
BUSCAR
Mundo

Rússia quer estrangeiros fora de Kiev

Moscou recomenda saída de estrangeiros da capital ucraniana e anuncia ofensiva direta contra prédios governamentais após ataque em Lugansk
Por O Correio de Hoje
26/05/2026 | 15:37

A Rússia elevou nesta segunda-feira 25, o nível de ameaça militar contra a Ucrânia ao anunciar, pela primeira vez desde o início da guerra em 2022, que pretende atacar diretamente centros de decisão e comando em Kiev. O governo russo também recomendou que estrangeiros deixem a capital ucraniana e orientou moradores a se afastarem de prédios governamentais diante da possibilidade de novos bombardeios.

O comunicado foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, que justificou a ofensiva como resposta à morte de 21 estudantes em um dormitório na região ocupada de Lugansk, no leste da Ucrânia. Moscou afirmou ainda que instalações da indústria de defesa ucraniana também passarão a ser alvo de ataques.

Garoto ucraniano
Garoto ucraniano toca acordeon diante de um prédio destruído pelos Russos - Foto: reprodução / internet

O episódio em Lugansk, ocorrido na sexta-feira 22, foi um dos ataques mais letais contra civis em território controlado pelos russos desde o início do conflito e provocou reação direta do presidente russo, Vladimir Putin.

No domingo, a Rússia lançou uma ofensiva aérea de grande escala contra a região de Kiev. Segundo autoridades ucranianas, o ataque matou quatro pessoas e deixou ao menos 80 feridos.

A operação envolveu cerca de 600 drones e 90 mísseis, incluindo modelos hipersônicos Kinjal e Tsirkon. Pela primeira vez desde o início da guerra, a Rússia também utilizou contra a região de Kiev ao menos um míssil Orechnik, armamento desenvolvido originalmente para cenários de guerra nuclear.

O uso do Orechnik provocou preocupação em governos europeus. O míssil balístico de alcance intermediário pode atingir alvos localizados a até 5 mil quilômetros de distância e foi projetado para atingir capitais europeias em eventual conflito de larga escala. Até então, o armamento havia sido utilizado apenas duas vezes durante a guerra e nunca contra Kiev.

A escalada ocorre em meio a uma sequência de demonstrações militares russas envolvendo armamentos nucleares estratégicos. Há duas semanas, Moscou realizou testes com o míssil intercontinental pesado Sarmat, considerado peça central do arsenal nuclear russo. Na semana passada, o Kremlin também promoveu exercícios nucleares de grande porte, os maiores desde o fim da Guerra Fria.

Durante os exercícios, a Rússia testou mísseis estratégicos como os modelos Iars e Sineva, além de simulações com o sistema balístico Iskander-M, desenvolvido para uso de ogivas nucleares táticas no campo de batalha. As operações ocorreram em conjunto com Belarus, principal aliado militar de Moscou na região.

Ainda nesta segunda-feira 25, o chanceler russo Sergey Lavrov telefonou para o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para informar previamente sobre a decisão de ampliar os ataques contra Kiev. Segundo o texto, Lavrov chegou a recomendar que os EUA esvaziassem sua embaixada na capital ucraniana.

O governo da Ucrânia reagiu pedindo que aliados ocidentais não cedam ao que classificou como “chantagem” do Kremlin.

Monitores independentes que acompanham a movimentação das forças russas afirmam que a nova ofensiva pode ocorrer a qualquer momento nos próximos dois ou três dias.

A escalada militar acontece em paralelo ao aumento da campanha de drones ucranianos contra instalações russas, especialmente refinarias e estruturas ligadas à indústria petrolífera do país.

O cenário internacional também passou a influenciar diretamente a dinâmica econômica da guerra. Com a crise no Oriente Médio pressionando os preços globais da energia, os Estados Unidos flexibilizaram sanções sobre a venda de petróleo russo para tentar conter a alta da commodity no mercado internacional.

A medida ampliou o fluxo de receitas petrolíferas para Moscou, fortalecendo a entrada de petrodólares na economia russa em meio à intensificação do conflito.