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Investigação

PF vê pressão de ex-chefe do BRB em negócios com Banco Master

Investigação cita mensagens sobre compra acelerada de carteiras de crédito e tentativa de melhorar artificialmente resultados contábeis do banco estatal
Por O Correio de Hoje
25/05/2026 | 16:44

A Polícia Federal aponta que o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa pressionou diretores da instituição a acelerar operações financeiras envolvendo o Banco Master e adotar medidas para melhorar artificialmente os resultados contábeis do banco estatal. As informações foram reveladas pelo UOL com base em mensagens apreendidas na Operação Compliance Zero.

Segundo a investigação, as conversas ocorreram entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, período em que o BRB ampliou a compra de carteiras de crédito consignado do Banco Master. A PF suspeita que pelo menos R$ 12,2 bilhões em ativos adquiridos seriam fraudulentos ou sem lastro real.

BRB
Paulo Henrique Costa, ex-BRB - Foto: Lúcio Bernardo Jr / Agência Brasília

As mensagens mostram que operações foram realizadas sem análise prévia adequada. Em uma conversa após pagamento de R$ 181 milhões ao Master, Paulo Henrique questionou o então diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior, sobre a origem da carteira comprada. O executivo respondeu que o ativo inicialmente apresentado “estava enrolado” e demonstrou dúvidas sobre novas carteiras oferecidas pelo banco privado.

A investigação também aponta tentativas de manipular balanços do BRB para reduzir impactos negativos das operações. Em uma das mensagens, Paulo Henrique teria orientado o aumento de créditos classificados como prejuízo para melhorar o resultado contábil das cessões. “Precisamos aumentar principalmente o prejuízo, para aumentar o resultado da cessão”, escreveu.

A PF afirma ainda que o ex-presidente do BRB autorizava pagamentos antecipados ao Banco Master antes mesmo da entrega formal dos ativos, prática considerada incomum no mercado financeiro. Mesmo após alertas sobre inconsistências em contratos e suspeitas envolvendo parcelas incompatíveis com a renda de clientes, as operações continuaram sendo executadas, segundo os investigadores.