O interesse de investidores europeus pelo mercado imobiliário do Nordeste voltou a ganhar força e tem colocado destinos como Natal, Ponta Negra, Pipa, São Miguel do Gostoso, João Pessoa e Cabedelo no radar de quem busca imóveis de praia, unidades compactas, flats e apartamentos comprados ainda na planta. A avaliação é da consultora de imóveis de alto padrão Silvana Vieira, que participou recentemente do Salão Imobiliário de Portugal e levou produtos do Rio Grande do Norte e da Paraíba para apresentação a investidores fora do Brasil.
Segundo Silvana, a procura surpreendeu. Ela afirma que o objetivo da participação no evento foi apresentar o Nordeste, especialmente Natal, a um público europeu que já demonstra familiaridade com a região. “A minha ideia foi levar o Nordeste, que é uma pessoa inatal, para a Europa. Para poder mostrar um pouquinho mais de perto as belezas que a gente tem, os produtos, os imóveis. Então, a procura realmente foi absurda”, disse.

O movimento ocorre em um momento de maior exposição internacional do Nordeste. O turismo estrangeiro cresceu na região, a conectividade aérea avançou e o setor imobiliário voltou a se apresentar em vitrines internacionais, especialmente em Portugal. Para Silvana, esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o investidor europeu voltou a olhar com atenção para o litoral nordestino.
No recorte entre Rio Grande do Norte e Paraíba, ela aponta como áreas mais procuradas Natal, Ponta Negra, Pipa, São Miguel do Gostoso, João Pessoa e Cabedelo. São destinos que combinam apelo turístico, possibilidade de valorização e potencial de renda com locação, especialmente em imóveis compactos.
“Quando a gente fala do Rio Grande do Norte e da Paraíba, que são vendidos lá para os europeus, é Paraíba, João Pessoa, Cabedelo e Natal, Ponta Negra e Pipa. E São Miguel do Gostoso também”, afirmou.
De acordo com a consultora, o perfil da demanda é variado. Há investidores interessados em imóveis de luxo próximos ao mar, compradores que buscam uma segunda residência, brasileiros que vivem na Europa e querem investir no Brasil, além de estrangeiros interessados em renda e valorização patrimonial. A maior procura, segundo ela, hoje se concentra em flats, studios e apartamentos compactos.
“Vai ter sempre o europeu investidor, que vai querer ir mais próximo à praia. Vai ter também aquele que quer um padrão mais alto, flats, apartamentos compactos, que a procura hoje é maior. Mas também tem um perfil, sim, para os imóveis de luxo”, explicou.
A compra na planta aparece como uma das estratégias mais buscadas. Silvana afirma que muitos investidores procuram entrar no empreendimento ainda no início para capturar a valorização até a entrega. A lógica é comprar com preço menor, acompanhar a evolução da obra e ganhar com a valorização do ativo.
Segundo ela, não há um valor médio único de investimento. O trabalho, afirma, é personalizado. O cliente apresenta quanto pretende aplicar e, a partir daí, é feita uma estratégia. Em alguns casos, o investidor que imagina comprar apenas uma unidade consegue estruturar a aquisição de três, quatro ou cinco imóveis, dependendo do perfil do produto e do objetivo financeiro.
“Às vezes o cliente chega e diz: eu moro em Londres, quero comprar um imóvel em Natal. Aí eu pergunto quanto ele pode pagar. Ele acha que aquele valor compra um, e eu consigo fazer um trabalho mais personalizado para fazer com que o patrimônio dele aumente. Ele consegue comprar três, quatro, cinco dentro de um cenário com estratégias claras”, disse.
Natal e João Pessoa aparecem como polos fortes nesse movimento por causa da localização, do litoral e da percepção de qualidade de vida. Silvana destaca que as duas capitais estão em posição geográfica favorável, com fácil associação ao turismo internacional. Pipa, por sua vez, já é conhecida mundialmente, enquanto Ponta Negra vive um momento de procura intensa por flats.
“Na visão deles, a localização conta muito. Natal está na pontinha e João Pessoa também. João Pessoa tem uma extensão gigante de praia. Natal tem belezas naturais belíssimas. Pipa também já é mundialmente conhecida. Então, realmente, no Nordeste, Rio Grande do Norte e Paraíba estão na bola da vez”, afirmou.
A insegurança em algumas áreas, como Cabedelo, também entrou na conversa com investidores. Silvana disse que o tema chegou aos compradores, mas não travou negócios. Segundo ela, houve questionamentos sobre possíveis impactos em imóveis adquiridos na Paraíba e também em Ponta Negra, após episódios recentes no Morro do Careca. A avaliação apresentada aos clientes foi de que são situações pontuais.
“Chegou, mas não teve tanto impacto. A gente sabe que não existe paraíso perfeito. Tanto no Rio Grande do Norte, quanto na Paraíba, quanto em Recife, isso vai acontecer. São coisas pontuais, não teve um grande impacto”, declarou.
Em Amsterdã, onde realizou uma agenda voltada a brasileiros e holandeses interessados em investir no Brasil, Silvana afirma ter fechado quase 19 contratos. Ela diz que vendeu bem tanto Ponta Negra quanto Cabedelo, mesmo diante das perguntas sobre segurança.
O impacto desses investimentos vai além da venda de imóveis. A chegada de compradores estrangeiros movimenta construção civil, turismo, serviços, locação por temporada, comércio e gastronomia. Destinos como Pipa são exemplos de localidades que mudaram de perfil econômico com a presença de investidores de fora, inclusive europeus.
Para Silvana, a decisão do investidor passa por três pontos principais: localização, segurança da construtora e liquidez do imóvel. Quem compra pensando em revender quer saber se está adquirindo no endereço certo, se poderá sair rapidamente do negócio em caso de necessidade e se o produto terá procura no futuro.
“As principais dúvidas são localização, se ele for comprar para vender depois, e se tiver alguma crise na Europa e quiser vender rápido. Eles querem fazer esse estudo para botar realmente o imóvel mais certo, tanto na questão de construtoras mais saudáveis como no melhor CEP”, explicou.
As construtoras locais também participam desse processo. Segundo a consultora, muitas empresas procuram corretores para entender o que o mercado está buscando antes de definir localização, metragem, planta e preço dos empreendimentos. Hoje, segundo Silvana, a linha de frente mostra procura forte por flats em Ponta Negra e, em seguida, por unidades de dois quartos.
A tendência, na avaliação dela, é que o Nordeste continue atraindo investidores europeus interessados em unir lazer, patrimônio e renda. Com praias conhecidas, imóveis ainda mais acessíveis que em muitos mercados internacionais e demanda crescente por locação de temporada, a região deixou de ser apenas destino turístico e passou a ser vista também como oportunidade de investimento.