O Aeroporto Internacional de Natal vive o melhor momento de movimentação internacional dos últimos 20 anos. Entre dezembro de 2025 e março de 2026, período de alta estação, o terminal de São Gonçalo do Amarante registrou crescimento de 86% no fluxo de passageiros em voos internacionais, impulsionado pela ampliação da malha aérea, pela abertura de novas rotas para a América do Sul e pelo avanço recente do turismo no Rio Grande do Norte.
Segundo o gerente do Aeroporto de Natal, André Lima, foram 74 mil passageiros internacionais transportados na alta estação, volume que representa recorde em duas décadas. “A gente cresceu 86%, comparando as altas estações na nossa movimentação internacional. Foram 74 mil passageiros transportados e esse é o nosso recorde de movimentação de passageiros internacionais nos últimos 20 anos em Natal”, afirmou, em entrevista à Mix FM.

O crescimento não ficou restrito ao período de maior demanda turística. No primeiro quadrimestre de 2026, o aeroporto movimentou quase 1 milhão de passageiros, entre voos nacionais e internacionais, avanço de 18% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. André destacou que fevereiro, março e abril foram meses recordes na história do terminal. “Isso mostra que o aquecimento da nossa malha não está só na alta estação”, disse.
A Zurich Airport Brasil assumiu a administração do Aeroporto de Natal em fevereiro de 2024. De acordo com André, os dois primeiros anos de gestão foram orientados por dois pilares: melhoria da qualidade do serviço ao passageiro e ampliação da conectividade aérea. “Foram dois anos intensos de trabalho, fundamentalmente com dois pilares de ação. Um deles de qualificação do nosso aeroporto, de criar uma qualidade e serviço ao nível da nossa população, do nosso usuário. E o segundo deles é de desenvolvimento, de ampliação, de expansão da nossa conectividade”, afirmou.
O desempenho internacional foi puxado por novas operações. Em 30 de dezembro de 2025, Natal passou a contar com voo direto para Buenos Aires pela JetSmart, companhia ultra low cost que iniciou operação inédita no Rio Grande do Norte. Em 21 de março de 2026, foi inaugurada a rota Natal-Montevidéu, operada pela Gol em parceria com a Azul. Essas ligações se somaram às operações já existentes para Buenos Aires e à conexão tradicional com a Europa, levando o terminal a quatro destinos internacionais.
“Tem sido favorável, tem sido positivo”, avaliou André. “A gente inaugurou uma operação que não existia até então, portanto inédita, de uma ultra low cost, que é a JetSmart, operando no Rio Grande do Norte direto para Buenos Aires. A gente teve um novo destino também inédito, de Montevidéu, Uruguai, operando com a Gol. Isso, somado ao que a gente já tinha de Buenos Aires e à operação tradicional servindo a Europa, fez com que esse resultado fosse positivo.”
O avanço do aeroporto acompanha a reação do turismo potiguar. Dados recentes do IBGE mostram que, enquanto a atividade turística nacional recuou 4% de fevereiro para março, o Rio Grande do Norte cresceu 1,3%, segundo maior resultado do país no período. Na comparação com março de 2025, o turismo potiguar avançou 7,3%, e no primeiro trimestre acumulou alta de 6,8%.
Para a Zurich, a localização geográfica do Rio Grande do Norte é um ativo estratégico. André lembrou que o aeroporto está em posição favorecida pela proximidade com a Europa e a África, condição que sustenta a ambição de transformar Natal em um centro de conexões no Nordeste. O terminal movimentou 2,4 milhões de passageiros em 2025, mas tem capacidade estimada para 6,2 milhões.
“O nosso aeroporto, o nosso Estado, é vocacionado para se tornar um grande hub de operação”, disse. “A gente tem trabalhado essa linha de desenvolvimento e de expansão de rota, de conectividade, de novas operações com as companhias aéreas, olhando no longo prazo para a possibilidade de consolidar o Aeroporto de Natal como um grande hub do Nordeste, que seja para passageiros, que seja logístico e para carga aérea.”
A ampliação da malha depende também de diálogo com o poder público e com o trade turístico. André destacou que o Governo do Estado modernizou, em 2025, a política de incentivo ao querosene de aviação, item que representa cerca de 31% do custo das companhias aéreas. Segundo ele, o RN passou a ter uma das condições mais competitivas do Brasil nesse segmento, fator relevante para atrair novas operações.
Apesar dos resultados positivos, o acesso ao aeroporto ainda é o principal gargalo apontado por passageiros. André reconheceu que distância, transporte e locomoção seguem como pontos de insatisfação dos usuários. Ele citou pesquisa diária da Secretaria de Aviação Civil feita nos 20 maiores aeroportos do país e afirmou que Natal melhorou da 16ª para a 11ª posição em 2025. Em 2026, chegou à 7ª colocação.
“Não fosse essa insatisfação do usuário, que relata na hora da pesquisa que o aeroporto é distante, nós estaríamos em 3º lugar”, afirmou. Segundo ele, a gestão segue trabalhando em melhorias e executa R$ 50 milhões em investimentos ao longo de 2026.
A segurança no acesso ao terminal também foi tratada como ponto de evolução. André informou que, em 2025, houve apenas dois registros no alcance da gestão, um assalto e um caso relacionado a carga de alto valor agregado, ambos fora do terminal. Ele destacou a presença permanente da segurança pública no entorno do aeroporto, o diálogo direto com autoridades por meio de grupo operacional e a volta das rondas da Polícia Militar no terminal nos horários de maior movimento.
O gerente também citou a atuação da Polícia Federal, da Receita Federal, do Demutran de São Gonçalo do Amarante, do DER, do Detran e da Polícia Militar no combate a crimes como contrabando, tráfico de drogas e transporte clandestino. “A gente tem hoje confiança e orgulho de dizer que tem um terminal bastante seguro pela atuação permanente das autoridades de segurança pública”, disse.
Com novas rotas, recorde internacional e crescimento acima da média nacional no turismo, o Aeroporto de Natal tenta consolidar uma nova fase. O desafio, agora, é sustentar a expansão, ampliar conexões e enfrentar o gargalo do acesso para transformar o potencial geográfico do terminal em competitividade permanente.